O vício das baterias de celular

Na semana passada, durante a aula, um aluno me fez uma pergunta sobre as baterias dos celulares, que me deu uma ideia para elaborar este post. O assunto era eletrodinâmica.
Um dos primeiros conceitos que se deve ter sobre esta matéria refere-se à corrente elétrica. Eu explico nas aulas que as duas palavras, correnteza e corrente, têm significados semelhantes na língua portuguesa, e ambas dão a ideia de um fluxo. Correnteza refere-se a um fluxo de água, que pode ser medido, por exemplo, em m³/s (metros cúbicos por segundo). No caso da intensidade de corrente elétrica (i) , o fluxo é igual à quantidade de carga elétrica (Q), correspondente aos elétrons que se movimentam através de um fio condutor metálico, por unidade de tempo (Δt). Assim, temos:
                                 
A unidade de medida da carga elétrica, no Sistema Internacional de Unidades (SI) é o Coulomb (C) , e do tempo é o segundo (s). corrente elétrica, será, portanto, medida em C/s (Coulombs por segundo). A esta unidade deu-se o nome de Ampère (A).

Carga elétrica das baterias
Da fórmula acima, se quisermos determinar a carga elétrica, conhecendo-se a corrente e o tempo, podemos usar:
Em todas as baterias dos celulares modernos, como a da foto, podemos encontrar indicações da carga elétrica máxima que elas podem armazenar quando estão totalmente carregadas. Acontece que nestes casos, por uma questão prática, não se usa a unidade de carga do SI. Ao invés disso, pelo fato de a corrente ser indicada em mA (miliampères), e o tempo em horas (h), a carga é dada em mAh (miliampères-hora). 

Baterias viciam?
Depois que eu havia passado toda a teoria na aula, no momento em que eu falava sobre esta indicação da carga das baterias, um dos alunos me perguntou se é verdade que as baterias "viciam" quando são carregadas apenas parcialmente. Eu fiquei na dúvida, pois já tinha ouvido falar sobre isso, quando adquiri meu primeiro telefone celular a alguns anos atrás, mas disse que tinha dúvidas sobre até que ponto seria verdade ou apenas mais um mito.
Um outro aluno, que trabalha no setor de informática, se manifestou e disse que achava que realmente as baterias "viciavam". Além disso, ninguém mais arriscou dar um palpite, o que me fez concluir que aparentemente a maioria da classe também não tinha uma opinião formada sobre o assunto. Eu disse então que iria procurar na internet para ver se achava alguma coisa.

O melhor site que encontrei foi este, e através dele pude obter precisas informações. Eis um resumo delas:
  • Os primeiros aparelhos telemóveis, como são chamados pelos nossos amigos lusitanos, usavam baterias de Ni-Cd (Níquel-Cádmio) que realmente "viciavam", isto é, se você as carregasse apenas parcialmente, elas perdiam progressivamente a capacidade de armazenar a quantidade de carga para a qual foram inicialmente projetadas.
  • A maioria dos aparelhos fabricados de 4 anos pra cá usam baterias de íon-Lítio (Li-ion) que não "viciam", e podem armazenar uma carga até 3 vezes maior do que as antigas, de Ni-Cd. Isto quer dizer que podem ser carregadas parcialmente sem perda de eficiência.
  • Os carregadores atuais possuem um sistema de segurança que faz com que eles desliguem assim que a bateria esteja totalmente carregada, evitando superaquecimento.

Apesar de muitas pessoas já terem conhecimento destes fatos, resolvi divulgar aqui para os leitores do INFRAVERMELHO.

Fonte:
http://www.tecmundo.com.br/notebook/2827-baterias-tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-elas.htm
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10 comentários:

  1. Olá, Jairo!

    Li todos os seus posts, são muito bons!
    Tão legal como ler artigos da Superinteressante e Globo Ciência! Obrigado por ter me fornecido tardes agradáveis de leitura. Continue firme e forte!! Quem indicou o seu blog foi nosso irreverente amigo Francisco Valdir.

    Um grande abraço.

    elementosdeteixeira.blogspot.com ( UBM )

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  2. Olá Jairo, esse é um assunto interessantíssimo mesmo. Na empresa onde trabalhio, em nosso equipamento, utilizávamos bateria de 9V di NiCd, depois passamos à de NiMH. Atualmente utilizamos bateria de Li-ion. Essas são muito melhores e é por isso que são amplamente utilizadas atualmente. Elas duram mais, tem maior capacidade, são construídas em dimensões reduzidas. Tem o problema do superaquecimento, que pode causar explosões. Já tentei simular uma explosão deixando uma bateria numa estufa. Ficou alguams horas e não aconteceu nada. Em outras situações, devido a um problema no carregador, ficou carregando "eternamente" causando um inchasso, mas não explodiu. Durante o desenvolvimento do projeto, uma informação importante que tive foi que essas bateria tem uma carga mínima que não é recomendado alcançar, com risco de perda de eficiência ou mesmo deixando de carregar. As baterias que utilizamos são de 4,2V x 1600mAh. É recomendado que essas baterias não atinjam tensões menores que 2,75V com risco de perda de eficiência. Nosso dispositivo detecta a tensão e corta a circulação da corrente quando atinge tensões em 3,30V, preservando a bateria. Eu tinha feito um levantamento da curva durante a carga e a descarga e percebi que ela é mais eficiente quando a tensão está entre 4,0V e 3,7V. Quando quega em 3,6V a tensão caiu abruptamente. Creio que os celulares usem sistema parecido para preservação da bateria, além do controle da temperatura na bateria, é só ver que eslas tem 3 pólos. Vou ler o link que você indicou.

    Abraços e bom domingo!

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  3. Olá, Jairo Grossi!!!!

    Boa tarde, meu grande amigo!!!!

    Eu lembro disso, Jairo!!!! E tem pessoas da época e que ainda nos dias de hoje, ainda recomenda que se deixe a carga da bateria praticamente zerar pára então, carregar a bateria novamente!!!!

    Muito boa a postagem, pois ela evita que, por exemplo: se cometa gafes em conversas por aí, ou que sejamos criticados por não sermos atualizados em pelo menos, em assuntos do nosso cotidiano, como o é o uso desses aparelhos de comunicação, que são os celulares!!!! E se a informação de ser a bateria se viciar ou não, o que já seria interessante, mas você, nos presta mais um favor a mais, que é o de nos dar uma ótima aula gratuita e de qualidade sobre a eletricidade!!!! Obrigado, meu nobre mestre!!!!

    Um abraço!!!!!

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  4. Olá, Valdir.
    Como eu já havia informado a você, no facebook, eu nem iria escrever aqui sobre isto, pois o site que eu achei, e que coloquei como fonte deste post, é mesmo muito esclarecedor, e já bastaria por si só, mas pensei que não custaria nada reforçar aqui com este post, pois, apesar das informações daquele site datarem de 2009, notei que muitos alunos ainda tinham dúvidas sobre o que seria verdade ou não sobre este assunto.
    Nós, professores, devemos estar atentos a estas coisas, mas não temos tempo suficiente para nos mantermos informados. Acho que eu já deveria estar sabendo disto quando o aluno me perguntou.
    Vou te dizer uma coisa, meu amigo:No começo deste ano, todos os professores do estado de São Paulo achavam que o governo estadual iria obedecer a lei federal que estabelecia que nós deveríamos ficar menos tempo em sala de aula, com alunos, para que pudéssemos usar o restante do tempo para nos atualizarmos e procurarmos preparar melhor as nossas aulas. Acontece que o Sr. Alckmin interpretou a lei ao modo dele, e continuamos tudo como estava. Eu tenho 15 classes com 40 alunos, fico todos os dias das 7:00 às 12:30 dando aulas, à tarde tenho meus assuntos de casa e família pra resolver, às vezes corrijo provas,e quando resta um tempinho, acabo descansando ou entrando na Internet pra me manter atualizado. Não estou de chororô, pois adoro o que faço, e me sinto feliz em poder passar o pouco do que sei aos jovens, mas o fato é que este esquema é muito cansativo.
    Desculpa o desabafo, amigo, mas vou continuar tentando fazer da melhor forma possível o meu trabalho, pois entendo que os alunos merecem, e não têm culpa de toda a trapalhada das políticas públicas com reação à educação, que já duram décadas.
    Mais uma vez obrigado pelo prestígio

    Abraço.

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  5. @Kleber.
    Agradeço a você pelas informações prestadas. Elas serão de muita valia para quando algum aluno me perguntar novamente sobre estes assuntos.
    Você tem razão sobre o problema das explosões. Esta me pareceu ser a única desvantagem das baterias de Ion-Lítio, mas os carregadores, como eu disse, têm um sistema de proteção que evita o superaquecimento. Caro que ,como você disse, se este sistema falhar, haverá um risco potencial maior.
    Abraço

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  6. @Aloísio Teixeira:
    Obrigado. Eu tenho me esforçado ao máximo em tentar agradar os meus poucos leitores, sempre procurando assuntos interessantes. Você não imagina a felicidade que sinto quando percebo que tenho conseguido isso, e suas palavras só aumentam ainda mais a minha responsabilidade, pois notei que você, a exemplo do Kleber e do Valdir, também é uma pessoa muito inteligente.
    Obrigado, e seja bem-vindo ao INFRAVERMELHO.
    Abraço

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  7. Ótimo artigo, jairo.

    ;)

    Abraços.

    Cavalcanti

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  8. @Cavalcanti;
    Obrigado. Fico feliz que tenha gostado.
    Abraço

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  9. Respostas
    1. Pois é Paôla. Você lembrou?
      Professor precisa estar atualizado, não é mesmo?
      Haja tempo disponível pra isso, com tanta correria.

      A honra foi minha de ter tido você como miha aluna.
      Abraço.

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