Por que o corvo e a gaivota atacaram a pomba da paz do Papa?

Domingo, dia 26 de janeiro de 2014, duas crianças soltaram pombas brancas a partir da janela do Palácio Apostólico no Vaticano, acompanhadas do Papa Francisco, durante a oração do Angelus, diante de uma multidão que assistia tudo na praça. Acontece que para tristeza de milhares de fiéis, uma das pombas foi vista logo depois, sendo atacada de forma feroz por um corvo e uma gaivota. Veja nesta sequência de fotos:
Rapidamente, nos sites que publicaram a notícia, surgiram comentários de pessoas classificando o corvo e a gaivota como pássaros que estariam representando "o mal". Também foram lançados dezenas de milhares de posts no Twitter e no Facebook, alguns dos quais usando palavras como "demoníaco", "presságio", e "apocalíptico".  Mas o que de fato teria motivado estes ataques?

Por que o corvo e a gaivota atacaram as pombas?
Porque as pombas eram brancas. As pombas totalmente brancas, ao contrário do que muitos possam pensar, na verdade não são muito fáceis de serem encontradas normalmente na natureza. Milhares de pombos vivem em Roma, assim como na maioria das cidades. Eles variam de cor, do cinza claro ao marrom escuro. Muitas outras espécies de aves vivem em Roma, mas nenhuma é branca pura. Então, aos pássaros agressivos (como gaivotas e corvos), o que mais chama a atenção são pássaros de cor branca pura. Qual vai ser o alvo de seus ataques? O pássaro branco puro. Há uma razão para que aves albinas (e outros animais que nascem sem pigmento de cor), geralmente não vivam muito tempo na natureza. Eles são facilmente vistos e não conseguem se camuflar, e assim se destacam como alvo potencial dos predadores. 

Por que "pombas da paz"?
As pombas têm se constituído em um símbolo de paz durante milhares de anos, em parte por causa da história bíblica da Arca, em que uma pomba traz um ramo de oliveira a Noé (figura), mostrando que a terra estava próxima e que o terrível dilúvio seria breve. O cristianismo adotou a pomba como ícone religioso. Mas seriam as pombas realmente pacíficas? Nem tanto. Elas cuidam principalmente de seus próprios afazeres, se alimentando de sementes e ocasionalmente de pequenos insetos. São propensas a lutar entre si pelo território, com direito a bicadas e "tapas" de asas, como qualquer outra espécie.

Quanto ao incômodo que provocam a nós, poderíamos citar a grande intensidade das fezes que elas vivem soltando do alto, sem escolha de hora e lugar. 
Essas fezes, além de causar aborrecimento imediato, quando somos escolhidos como alvo, servem para a disseminação de doenças. Ao secarem, espalham pelo ar, fungos, bactérias e ácaros que podem causar pelo menos seis tipos de doenças. Entre elas estão a criptocose, que pode dar meningite; a histoplasmose, que pode dar doenças pulmonares; a salmonelose, que pode dar distúrbios gastrointestinais, além de dermatites e alergias.

Por que pombas brancas?
Porque o branco simboliza paz, pureza, serenidade, entre outras coisas boas, mas aí é que está o ponto: não há pombas brancas puras no mundo natural. As que foram criadas, são resultado de centenas de anos de domesticação e manipulação genética, permitindo que se obtivessem aves totalmente brancas para uso como animais de estimação, ou para serem soltas em casamentos e outras cerimônias.   

Quais são os pássaros que atacaram as pombas da paz?
Um deles era uma gralha, e o outro era uma gaivota de patas amarelas. Ambas são aves muito comuns na Europa. A primeira é parente do corvo americano, enquanto a segunda é da mesma família da gaivota de arenques, muito comum nas praias e lixões.
O corvo e a gaivota são onívoros, o que significa que eles comem qualquer coisa, desde pipocas e restos de lanches jogados em praças públicas, até filhotes roubados de ninhos de outras espécies, ou carniça de outros pássaros. Ambas são aves bem adaptadas para sobreviverem em torno de pessoas. 
Então esse não foi um sinal do Apocalipse? 
Eu tenho defendido sempre aqui neste blog, acima de tudo a educação científica das pessoas, para que deixem de lado explicações ou conclusões fundamentadas somente em religiões, misticismos, adivinhações, ou qualquer tipo de "sinais ocultos". Neste caso está claro que se trata apenas de aves predadoras agindo pelo instinto, assim como fariam comumente na natureza.


Fontes: 
http://news.nationalgeographic.com/news/2014/01/140127-white-peace-doves-attacked-birds-rome-vatican-pope/
http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/09/saiba-evitar-doencas-transmitidas-por-pombos-morcegos-e-ratos.html
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Giordano Bruno e a nova série Cosmos

Em março de 2014 está previsto o lançamento da nova série Cosmos, que será exibida nos canais FoxNational Geographic, em uma versão modernizada, narrada pelo astrofísico Neil deGrasse Tyson. Na versão original dos anos 80, o narrador era Carl Sagan, falecido em 1996.
O primeiro episódio da série faz referência ao frade dominicano italiano Giordano Bruno (figura), teólogo, filósofo, e escritor, que nasceu em 1548. Giordano aparece em um mosteiro, lendo escondido uma famosa obra escrita por Lucrécio, um poeta e filósofo latino que viveu no século I a. C.  O título da obra de Lucrécio é De Rerun Natura, traduzida para o Português como Sobre a Natureza das Coisas. Durante a Idade Média ela havia sido incluída na lista de leituras proibidas pela Inquisição.

Naquela época, no modelo de universo aceito pela Igreja, as estrelas ficavam situadas em uma região periférica, uma espécie de "pano de fundo" de uma esfera imaginária, no limite do atingível, definindo portanto um universo finito, e com a Terra ocupando o seu centro.
Para Giordano, nós não poderíamos estar enclausurados em um espaço tão limitado. O universo, para ele, seria muito mais do que defendiam aquelas pessoas presas por dogmas impostos por uma poderosa e ameaçadora instituição religiosa. Ele defendia veementemente a ideia de um universo infinito, e este foi apenas um dos vários embates que travou com a Inquisição. Vejam, por exemplo, algumas das polêmicas frases de seus livros:

"Nós declaramos esse espaço infinito, dado que não há qualquer razão, conveniência, possibilidade, sentido ou natureza que lhe trace um limite."     ( Acerca do Infinito, o Universo e os Mundos 1584)


"O mundo é infinito porque Deus é infinito. Como acreditar que Deus, ser infinito, possa ter se limitado a si mesmo criando um mundo fechado e limitado?"  (Causa, Princípio, e Unidade - 1584)

"Não é fora de nós que devemos procurar a divindade, pois que ela está do nosso lado, ou melhor, em nosso foro interior, mais intimamente em nós do que estamos em nós mesmos."    (A ceia de Cinzas)


Na cena animada do seriado, no momento em que Giordano está lendo a obra de Lucrécio, em um lugar escondido dentro do mosteiro, ele é surpreendido por um cardeal acompanhado de outros monges que, vendo o que ele lia, o expulsam imediatamente de lá.
Na cena seguinte, sozinho em uma floresta, Giordano adormece e provavelmente influenciado pelas lembranças de suas leituras, começa a sonhar, imaginando a possibilidade de descobrir novos mundos, além dos limites definidos pelas ideias conservadoras da época.


Mais tarde, perseguido, Giordano Bruno foi preso, julgado, e condenado à morte pela Inquisição romana, tendo sido queimado vivo em uma fogueira, em 17 de fevereiro de 1600. Para que sua voz fosse calada no ato da execução, colocaram-lhe na boca um pedaço de madeira.

Muitas pessoas que viveram na Idade Média, presas às amarras de um pensamento estritamente religioso, devem ter julgado estes revolucionários como loucos. Para pessoas, que após tantos séculos, ainda pensam assim quando se deparam com alguém lhes dizendo coisas completamente diferentes das que elas acreditam, vou colocar um texto que foi usado a um tempo atrás, em uma campanha da Apple, e que resume bem o que eu também penso:

The Crazy Ones

Isto é para os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os que são peças redondas nos buracos quadrados.
Os que vêem as coisas de forma diferente. Eles não gostam de regras. E eles não têm nenhum respeito pelo status quo. Você pode citá-los, discorda-los, glorificá-los ou difamá-los.
A única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas.
Eles inventam. Eles imaginam. Eles curam. Eles exploram. Eles criam. Eles inspiram.
Eles empurram a raça humana para frente.
Talvez eles tenham que ser loucos.
Como você pode olhar para uma tela em branco e ver uma obra de arte? Ou sentar em silêncio e ouvir uma música jamais composta? Ou olhar para um planeta vermelho e ver um laboratório sobre rodas?
Enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como gênios. Porque as pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo, são as que de fato mudam.

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O peixe que ataca aves em pleno voo e o Dioptro Plano

Havia rumores de que o Peixe-tigre africano (foto) poderia capturar e comer pássaros voando, mas isso não tinha sido comprovado até agora. 
Aves comem peixes. Qualquer pessoa que curte estes programas sobre vida animal já deve ter visto ou assistido uma cena de uma águia ou de uma gaivota dando rasantes e caçando peixes próximos à superfície da água, mas agora, pela primeira vez, estamos falando o contrário: peixes abocanhando aves em pleno voo.
Nico Smit, um pesquisador da Universidade de North-West, na África do Sul, viajou para o Parque Nacional de Mapungubwe para estudar o habitat e a migração do Peixe-tigre, cujo nome científico é Hydrocynus vittatus. Esta espécie, de acordo com este vídeo do Canal Smithsonian, pode crescer até atingir quase 1 metro de comprimento, e adquirir grandes velocidades, que ele usa, juntamente com um sensor de vibração no cérebro, para localizar e devorar pequenos peixes, que também fazem parte de seu cardápio.

Durante o estudo de Smit, publicado este mês no Journal of Fish Biology, (clique aqui se quiser ler), ele e seus colegas observaram esses peixes pulando para fora da água para capturarem andorinhas, pelo menos 20 vezes por dia. Esta é a primeira vez que os cientistas testemunharam um peixe de água doce capturar um pássaro em pleno voo. Embora a qualidade do vídeo não seja exatamente de alto nível, é possível ver um grande peixe pulando para fora da água e abocanhando uma andorinha, do lado esquerdo ao centro da cena. A ação acontece tão rapidamente, que precisa ser vista novamente em câmera lenta. Veja:
Dioptro Plano
Em Física, estudamos um fenômeno óptico chamado de Refração, que é o desvio de um raio de luz ao passar de um meio cristalino para outro, por exemplo do ar para a água. Isto faz com que o observador dentro da água, no caso um peixe, possa se confundir a respeito da correta posição de um pássaro que esteja voando rasante à superfície da água. Este sistema forma o que chamamos de Dioptro Plano
Os pesquisadores descobriram que alguns peixes adultos utilizam a estratégia de atacar diretamente as aves, fazendo automaticamente uma correção na direção, para atingirem o alvo. Isso permite que eles possam ficar um pouco mais camuflados a uma profundidade maior, até o exato instante do ataque rápido e certeiro. Observe a figura:
Estratégias de comportamentos adotadas pelo Peixe-tigre:
(a) Plano de Voo da andorinha da espécie Hirundo rustica. 
(b) Estratégia de busca de superfície do Peixe-tigre para superar o deslocamento de imagem da superfície devido à refração da luz (ângulo θ).          
(c) Ataques aéreos diretos, feitos por Peixes-tigres adultos, que compensam o deslocamento de imagem. 
( Fonte: [1] )

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As Lentes de Fresnel e o carro movido à energia solar

A International Consumer Electronics Show (CES), cuja tradução livre seria Mostra Internacional de Eletrônica de Consumo, realizada anualmente na cidade americana de Las Vegas, é uma feira profissional, não aberta ao público, na qual muitos novos produtos são apresentados ou anunciados.
Durante a CES de 2014, que  inicia-se no dia 6 de janeiro, a Ford apresentará um novo conceito de carro híbrido: o C-max Solar Energi.
Os carros híbridos são aqueles com a opção de funcionar tanto com motor elétrico quanto à combustão. A novidade é que a eletricidade usada para a movimentação do veículo pode agora também ser obtida a partir de um painel solar, colocado na capota do carro, além da opção de plugar diretamente na rede elétrica. Para que a energia do sol possa ser aproveitada  de maneira mais eficiente, carregando ao máximo as baterias no menor tempo possível, e como não seria viável um painel solar com área muito grande, a saída foi projetar um arranjo que utiliza um tipo de lente convergente conhecida como Lente de Fresnel.

Este arranjo (figuras) aumenta em até 8 vezes a eficiência na captação da luz solar. Abaixo dele o carro estaciona, e se desloca lentamente ao longo do dia, através de um sistema inteligente, programado para posicioná-lo de tal forma a aproveitar ao máximo os raios solares.  Enquanto isso, a bateria recarrega sem a necessidade de plugar na rede elétrica.

Mas o que são as Lentes de Fresnel?
Para entendermos como funciona este tipo especial de lente, vou começar falando de uma propriedade característica das lentes convergentes comuns (lupas), que é a de concentrar os raios do sol em um ponto denominado foco. A distância entre a lente e o foco é chamada de distância focal. Quanto menor for a distância focal da lente desejada, ao ser fabricada, maior deve ser a sua espessura.
Vejam na foto, o perfil de dois tipos de lentes convergentes: uma mais grossa (à esquerda) e outra mais fina (à direita). Segurando primeiramente a lente mais grossa, e depois a mais fina, focalizei, em um papel sobre a mesa, a imagem de uma lâmpada que está posicionada no teto da sala de meu apartamento. Vejam, em cada caso, as diferentes distâncias que tive que manter entre a lente e o papel. No caso da mais grossa, a distância focal é menor, e no caso da mais fina, a distância focal é maior.

No arranjo utilizado para maximizar a energia solar captada nos painéis do carro-conceito da Ford, preferiram optar por Lentes de Fresnel, feitas de acrílico, que possibilita que sejam mais leves e mais baratas. Estas lentes foram inventadas em 1822 pelo físico e matemático francês Augustin-Jean Fresnel. Ele percebeu que era possível obter um foco na mesma posição, sem que a lente precisasse ser muito espessa. Ele notou que se fossem feitos vários cortes no desenho de uma lente convergente comum, dividindo-as em secções e mantendo suas curvaturas,  ao serem compactadas, a espessura da lente se reduziria e o foco permaneceria na mesma posição. Veja na figura , que eu obtive nesta página, e adaptei. (F=Foco)
Carro do futuro?
Por enquanto não se pode dizer que esta solução seria  facilmente adotada nos carros populares de passeio. As células fotovoltaicas são caras, e outra desvantagem é que para que o veículo pudesse percorrer 34 km, apenas usando a propulsão elétrica, seria necessário um dia inteiro à luz do sol, para que a bateria se carregasse por completo.
Este sistema poderia, sim, ser adotado como complemento ao carregamento normal, que já é usado atualmente nos carros elétricos, quando são plugados diretamente nas tomadas de energia (foto). A energia solar obtida através do painel na capota do carro, e transformada em elétrica, de acordo com os engenheiros, poderia representar uma economia de até 75% da energia obtida diretamente nas tomadas da rede elétrica.

Resta saber se o custo do carro compensaria o investimento. Se pensarmos em termos de sustentabilidade do planeta, não há dúvidas de que seria muito bom que as grandes companhias continuassem investindo nestas formas de energias limpas para o funcionamento dos motores, que além de tudo não provocam emissão de gases poluentes devido à queima de combustíveis. Neste sentido, a Ford está de parabéns.
Detalhe ampliado do painel solar na capota do C-max Solar Energi

Para quem se interessou pelas Lentes de Fresnel, selecionei um vídeo interessante e curtinho.
 
Fontes:
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