A importância dos erros nas ciências

Refletindo um pouco sobre minha profissão de professor de Ciências, fiquei pensando como sem querer, passamos aos alunos a ideia de que eles devem simplesmente absorver os conteúdos, e em seguida responderem corretamente às perguntas que fazemos nas provas. Isso pode dar a impressão de que em todas as áreas os conhecimentos se encontram totalmente prontos, e aos educandos só restaria o trabalho de entenderem como eles foram adquiridos ao longo da História.
Ensinamos as crianças como se as respostas corretas fossem mais importantes do que as perguntas corretas.
Não saber sobre algo é natural e mais pais e mais professores deveriam estar dispostos a dizer: Eu não sei a resposta. Vamos descobrir como podemos obtê-la.
Eu penso que é isso que tínhamos que ensinar nas escolas. A ciência é um processo de tentar entender este mundo complicado e descobrir o como e o porque das coisas serem como são, através do levantamento de hipóteses e testes para confirmá-las ou não. Não só pesquisadores se utilizam deste método, na física e nas ciências, mas todos nós, no dia-a-dia, em qualquer problema que enfrentamos, por exemplo quando tentamos fazer funcionar um computador ou celular, ou ao procurarmos o local de um vazamento de água em nossas casas. Isto ocorreu comigo recentemente. Em meu apartamento, apareciam poças d'água debaixo da pia da cozinha, mas minha esposa não sabia me informar como elas se formavam. De onde vinha o vazamento? Seria de trás, pela parede, pela cuba de inox, ou pelo ralo no chão? Considerei inicialmente todas as possibilidades. Aos poucos, fui abandonando hipóteses incorretas e consegui descobrir que o vazamento vinha de trás, através de um vão entre a pia e a parede. 
Utilizei no local, um rejunte branco e silicone, mas o vazamento continuou, embora tivesse diminuído. Fui fechando o cerco e experimentei colocar uma camada maior de rejunte e silicone, para que criasse uma "rampinha" entre a pedra da pia e a parede. Consegui resolver o problema e o vazamento cessou.

Mesmo quando alguém nos conta alguma coisa, precisamos estar "armados" com o Método Científico para não acreditarmos em qualquer bobagem. Outro dia, uma aluna me disse: "Professor, se uma mulher sonha que está grávida de gêmeos, significa que terá um lucro financeiro em breve". Tentei então fazê-la associar de algum modo um fato com outro. Para mim, é fácil perceber que uma coisa não tem absolutamente nenhuma ligação com a outra, mas no caso das pseudociências, as pessoas parecem ter uma queda a acreditar em algo que, para elas, não conseguimos lidar por falta de provas ou evidências, mas que julgam ter um fundamento sobrenatural ou espiritual, campo no qual a ciência se nega ou não teria capacidade de realizar pesquisas. Mas é justamente por causa desta falta de evidências que a ciência não entra neste jogo.

O filósofo Sócrates dizia: "Só sei que nada sei". Esta frase não deve ser interpretada ao pé da letra, pois todos nós sabemos de uma forma ou de outra sobre alguma coisa, mas ela serve para entendermos a humildade deste grande pensador, que preferia instigar sempre o pensamento, formando eternos aprendizes, em busca de um aprimoramento na maneira de compreender diversos assuntos da melhor forma possível.

A necessidade de saber e responder tudo certo, da maneira como nos foi ensinada,  para  que não falhemos quando perguntados, dando-nos a sensação de sermos melhores do que os outros, pode ter ramificações extremamente prejudiciais para a busca do conhecimento. A ciência progride por testar ideias fora do estabelecido, refutando as concepções anteriores e, gradualmente, chegando mais e mais perto da verdade no centro do fenômeno a ser estudado.

Fonte:
http://physics.about.com/b/2014/05/30/importancefailure.htm
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Consumir álcool: uma necessidade evolutiva


Nosso gosto por álcool já dura milhões de anos. Agora, uma pesquisa genética revela novidades sobre este antigo relacionamento humano.

Um novo estudo descobriu que os nossos antepassados adquiriram a capacidade de digerir o álcool há cerca de 10 milhões de anos, entre um ancestral comum a humanos, chimpanzés e gorilas, e certamente bem antes de nós aprendermos a fabricá-lo. Isso sugere que o álcool tornou-se parte da dieta humana muito mais cedo do que se pensava, e de uma forma que teve implicações significativas para a sobrevivência da espécie humana.

Os seres humanos carregam com eles as assinaturas genéticas de seus hábitos de alimentação ancestrais. As variantes genéticas que tornam novas fontes de alimento disponíveis podem proporcionar enormes oportunidades para aqueles que as possuem.

A tolerância ao álcool pode ter tornado possível comer frutas muito maduras que tinham caído no chão e começado a fermentar naturalmente. Esta adaptação teria fornecido aos nossos antepassados uma fonte de alimento abundante para a qual havia poucos concorrentes.


O metabolismo do álcool após a ingestão é um processo complexo que envolve uma série de enzimas diferentes. A maior parte que é ingerida é discriminada no intestino e no fígado. O novo estudo centrou-se na enzima ADH4 pelo fato de ela ser abundante no intestino. Testes indicaram que a ADH4 encontrada em seres humanos, gorilas e chimpanzés é 40 vezes mais eficiente na metabolização do álcool do que a forma encontrada em espécies mais primitivas.

Como os seres humanos dependem de ADH4 como seu principal meio de digerir o álcool, eles também são suscetíveis às ressacas. Enzimas metabolizam o álcool, convertendo-o em um outro produto químico, o acetaldeído, que provoca o rubor da pele, dor de cabeça e outros sintomas desagradáveis da ressaca.

E agora, para quem quiser assistir, coloquei o vídeo de uma reportagem mostrando animais africanos ficando bêbados pelo consumo de frutas fermentadas.





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