KERS

Neste domingo, assistindo ao Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, nas voltas finais, quando Rubens Barrichelo foi ultrapassado por um dos carros, ouvi Galvão Bueno comentar sobre a desvantagem da equipe Brawn em não poder dispor nestes momentos do KERS (Kinetic Energy Recovery System / Sistema de Reaproveitamento de Energia Cinética), que teria fornecido, segundo o locutor, uma potência extra de 80 “Cavalos”(CV) ao carro que ultrapassou o brasileiro. Resolvi então pesquisar sobre o assunto.

Descobri que atualmente há uma discordância entre a equipe Williams e a maioria das outras equipes que decidiram, em junho, abandonar o uso do KERS para a temporada de 2010, principalmente porque a implantação do sistema estaria exigindo altos investimentos, grande preocupação em tempos de crise na F1. Outra constatação das equipes é que o peso dos componentes afeta o equilíbrio e desempenho dos carros. Além disso, no ano que vem, os tanques de combustíveis serão aumentados, pois serão proibidas as paradas nos boxes para reabastecimento, e assim o volume ocupado pelo KERS seria um fator limitante.

Mas afinal, como funciona o KERS ?
Nas aulas de Física, eu ensino sobre as modalidades de energia que não são muito conhecidas pelos alunos, tais como energia potencial e a energia cinética, esta última relacionada com a velocidade. Eles estão compreensivelmente mais familiarizados com outros tipos, como a elétrica ou térmica, então aproveito para explicar que todas estas podem se transformar umas nas outras.
A ideia do KERS é justamente a de aproveitar uma parte da energia cinética perdida durante as freadas, transformando-a em energia elétrica que é armazenada em uma bateria. Esta energia poderá então ser oportunamente convertida novamente durante a corrida na forma de energia cinética, por exemplo, durante uma ultrapassagem, através de um simples aperto de botão feito pelo piloto no volante do carro.
Assista este vídeo que mostra o piloto Sebastian Vettel explicando como funciona o KERS:
Devo ressaltar que existem dois tipos de KERS: O elétrico, explicado no video, e outro mecânico, denominado Flybrid. Para quem quiser entender um pouco melhor a diferença entre os dois clique aqui.

Eu pessoalmente acho que o sistema devia ser mantido em 2010, apesar das limitações que citei acima. A justificativa é que ele possibilita uma redução no gasto de combustíveis, que pode ser aproveitada futuramente em maior escala nos carros de passeio, significando um vantajoso ganho ambiental. Por isso, vou torcer pela Williams, na briga pelo direito de poder usar o KERS no ano que vem.
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