O espectro de som audível

Assim como ocorre com as ondas eletromagnéticas em que apenas uma estreita faixa do espectro de frequência pode ser vista pelos nossos olhos, no caso das ondas sonoras, um ser humano com audição normal pode escutar somente frequências entre 20 Hz e 20.000 Hz. Frequências menores são chamadas de infrassom, e maiores de ultrassom.
O infrassom pode se propagar por longas distâncias, pois é menos sujeito às perturbações ou interferências. Infrassons podem ser produzidos pelo vento e por alguns tipos de terremotos. Os elefantes são capazes de emitir infrassons que podem ser detectados a uma distância de 2 km.
O ultrassom é usado em muitos campos. Dispositivos ultrassônicos são usados para detectar objetos e medir distâncias. A ultrassonografia é usada na medicina, e em testes não destrutíveis, para detectar falhas em produtos e estruturas. 
É bom ter uma noção dos tipos de ondas, suas aplicações e seus possíveis efeitos sobre nosso corpo e nossa saúde. Em um mundo cada vez mais dependente destes recursos, é importante saber identificá-las e distinguí-las.

O video a seguir mostra os sons que nossos ouvidos podem captar, iniciando com a frequência de 20 Hz e indo até 20.000 Hz. Aumente o volume e teste para ver se consegue ouví-las do começo ao fim. No teste que eu fiz, só usando o som do notebook, não consegui escutar as frequências iniciais, mas depois que adaptei uma caixinha com amplificador ficou mais fácil ouví-las. Por isso, não se preocupe se também não ouvir as frequências iniciais e finais, pois pode ser uma limitação do seu sistema de som. 

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Infrassom
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ultrassom

Lei da Física aplicada em simulação do comportamento de chimpanzés. Coincidência?

Os seres vivos são dotados de um senso de consciência, e interagem e aprendem com o universo em torno deles. Cada nível de interação envolve a transferência de informações de vários tipos, e em diferentes níveis. Os segmentos da informação estão interligados uns aos outros, e juntos constituem o universo.  Investigações interdisciplinares são feitas por cientistas de renome que trabalham nas áreas da fronteira da ciência. É uma fronteira onde a física, a matemática e  a biologia se fundem.

Uma dessas equipes de cientistas da Universidade de Búfalo, para simular o comportamento dos chimpanzés, criou um modelo de computador baseado em equações normalmente usadas ​​para descrever o movimento dos átomos e moléculas em um espaço confinado.
Com o desmatamento, as mudanças climáticas e outras pressões ameaçando os habitats, como é que os chimpanzés se adaptam?
A equipe de investigação interdisciplinar voltou-se para as leis físicas que regem a matéria para explorar uma faceta dessa questão: como os animais se agrupam e viajam através do seu território, conforme diminui o espaço que eles compartilham com outros membros de sua espécie.

Eles testaram o tipo de modelagem que usamos para a física para que se adaptasse ao comportamento dos animais, e se surpreenderam. O modelo mostrou como a competição por um importante recurso alimentar afeta a forma como os chimpanzés se espalham em uma determinada área.

A simulação foi replicando com êxito certos comportamentos de chimpanzés relatados na literatura acadêmica, as quais os investigadores têm testemunhado em estado selvagem. O modelo poderia ser ampliado no futuro para prever como um habitat encolhido pode afetar as populações de chimpanzés.

Chimpanzés como partículas 
A técnica de modelagem usada pela equipe era bastante simples. Eles modelaram cada chimpanzé como  se fosse uma partícula que pode se sentir atraída ou repelida por outros objetos na vizinhança. Decidiram que todos os chimpanzés seriam atraídos por comida e repelidos por outros chimpanzés, que competem pela comida.

A equação usada na simulação foi a da Segunda Lei do Movimento, elaborada por Isaac Newton, que afirma que aceleração é igual à força dividida pela massa. Os chimpanzés eram as massas na equação, enquanto as forças eram de atração e repulsão à comida de outros chimpanzés. Ao atribuir valores para cada força e feita a determinação da distância em que as forças começam a afetar os chimpanzés, a equipe foi capaz de simular a direção e velocidade que os animais se moviam em relação à alimentação e aos outros.

O modelo efetivamente reproduziu alguns comportamentos de chimpanzés vistos na natureza. Uma vez que a simulação tinha funcionado por algum tempo e chegou a um estado de equilíbrio, observaram-se chimpanzés juntando-se em grupos separados no território, assim como fazem na natureza. Viram também alguns membros de cada grupo migrando para se juntar a outros grupos, o que é um comportamento comum apresentado por fêmeas nestas sociedades.
Os pesquisadores também tiveram sucesso em expandir seu modelo básico para imitar as características observadas de um grupo de chimpanzés na Guiné (África ocidental), que tinha acesso limitado a alimentos. Para fazê-lo, a equipe fez alterações que incluíram redução do número de fontes de alimentos e tornando disponíveis chimpanzés machos e fêmeas atraídos um pelo outro.
Em equilíbrio, esta simulação expandida mostrou muitos chimpanzés machos deixando seu grupo nativo para se juntarem a outro grupo ou viverem sozinhos. Tal comportamento é um pouco incomum para os humanos, que tendem a permanecer em seus grupos nativos, mas é exatamente o que um pesquisador de primatas viu ao estudar os chimpanzés na Guiné há mais de 20 anos.

É um bloqueio mental para nós imaginarmos criaturas vivas podendo ser tratadas como partículas, mas, na realidade, muitas decisões que os animais fazem são baseadas em atrações e repulsões: atração para alimentos e outros recursos, e repulsão pelo perigo. 
Uma hipótese que não podemos descartar, no entanto, é que tenha sido uma grande coincidência que o modelo tenha funcionado neste caso. Mas também para isso que serve a Ciência. Para abrir novos horizontes de pesquisas, envolvendo desta vez várias áreas do conhecimento, possibilitando que outros possam futuramente validar ou não uma determinada teoria.
Eu, como apreciador da Física, achei muito interessante saber que pode haver um paralelo entre as equações que ensino para os meus alunos e o comportamento de animais, que podem assim ser analisados através destes modelos.

Fonte:
http://phys.org/news/2015-03-newton-laws-motion-chimp-behavior.html

A importância dos erros nas ciências

Refletindo um pouco sobre minha profissão de professor de Física, fiquei pensando como as vezes sem querer, passamos aos alunos a ideia de que eles devem absorver os conteúdos, e em seguida responderem corretamente às perguntas que fazemos nas provas. Isso pode dar a impressão de que em todas as áreas os conhecimentos se encontram totalmente prontos, e aos educandos só restaria o trabalho de entenderem como eles foram adquiridos ao longo da História.
Ensinamos as crianças como se as respostas corretas fossem mais importantes do que as perguntas corretas.
Não saber sobre algo é natural e mais pais e mais professores deveriam estar dispostos a dizer: eu não sei a resposta, mas vamos tentar descobrir como podemos obtê-la.
Eu penso que é isso que tínhamos que ensinar nas escolas. A ciência é um processo de tentar entender este mundo complicado e descobrir o como e o porque das coisas serem como são, através do levantamento de hipóteses e testes para confirmá-las ou não. Não só pesquisadores se utilizam deste método, na Física e nas Ciências, mas todos nós, no dia-a-dia, em qualquer problema que enfrentamos, por exemplo quando tentamos fazer funcionar um computador ou celular, ou ao procurarmos o local de um vazamento de água em nossas casas. Isto ocorreu comigo recentemente. Em meu apartamento, apareciam poças d'água debaixo da pia da cozinha, mas minha esposa não sabia me informar como elas se formavam. De onde vinha o vazamento? Seria pela parede, pela cuba de inox? Considerei inicialmente as várias possibilidades. Aos poucos, fui abandonando hipóteses incorretas e consegui descobrir que o vazamento vinha de trás, através de um vão entre a pia e a parede. 
Utilizei no local, um rejunte branco e silicone, mas o vazamento continuou, embora tivesse diminuído. Fui fechando o cerco e experimentei colocar uma camada maior de rejunte e silicone, para que criasse uma "rampinha" entre a pedra da pia e a parede. Consegui resolver o problema e o vazamento cessou.

Mesmo quando alguém nos conta alguma coisa, precisamos estar "armados" com o Método Científico para não acreditarmos em qualquer bobagem. No caso das pseudociências, as pessoas parecem ter uma queda a acreditar em algo que, para elas, não conseguimos lidar por falta de provas ou evidências, mas que julgam ter um fundamento sobrenatural ou espiritual, campo no qual a ciência não teria capacidade de realizar pesquisas. Mas é justamente por causa desta falta de evidências que a ciência não entra neste jogo.
O filósofo Sócrates dizia: "Só sei que nada sei". Esta frase não deve ser interpretada ao pé da letra, pois todos nós sabemos de uma forma ou de outra sobre alguma coisa, mas ela serve para entendermos a humildade deste grande pensador, que preferia instigar sempre o pensamento, em busca de um aprimoramento para compreender diversos assuntos da melhor forma possível.

A necessidade de saber e responder tudo certo, da maneira como nos foi ensinada, para  que não falhemos quando perguntados, dando-nos a sensação de sermos melhores do que os outros, pode ter ramificações extremamente prejudiciais para a busca do conhecimento. A ciência progride por testar ideias fora do estabelecido, refutando as concepções anteriores e, gradualmente, chegando mais perto da verdade no centro do fenômeno a ser estudado.

Fonte:
http://physics.about.com/b/2014/05/30/importancefailure.htm

Consumir álcool: uma necessidade evolutiva

Nosso gosto por álcool já dura milhões de anos. Agora, uma pesquisa genética revela novidades sobre este antigo relacionamento humano.

Um novo estudo descobriu que os nossos antepassados adquiriram a capacidade de digerir o álcool há cerca de 10 milhões de anos, entre um ancestral comum a humanos, chimpanzés e gorilas, e certamente bem antes de nós aprendermos a fabricá-lo. Isso sugere que o álcool tornou-se parte da dieta humana muito mais cedo do que se pensava, e de uma forma que teve implicações significativas para a sobrevivência da espécie humana.

Os seres humanos carregam com eles as assinaturas genéticas de seus hábitos de alimentação ancestrais. As variantes genéticas que tornam novas fontes de alimento disponíveis podem proporcionar enormes oportunidades para aqueles que as possuem.
A tolerância ao álcool pode ter tornado possível comer frutas muito maduras que tinham caído no chão e começado a fermentar naturalmente. Esta adaptação teria fornecido aos nossos antepassados uma fonte de alimento abundante para a qual havia poucos concorrentes.

O metabolismo do álcool após a ingestão é um processo complexo que envolve uma série de enzimas diferentes. A maior parte que é ingerida é discriminada no intestino e no fígado. O novo estudo centrou-se na enzima ADH4 pelo fato de ela ser abundante no intestino. Testes indicaram que a ADH4 encontrada em seres humanos, gorilas e chimpanzés é 40 vezes mais eficiente na metabolização do álcool do que a forma encontrada em espécies mais primitivas.

Como os seres humanos dependem de ADH4 como seu principal meio de digerir o álcool, eles também são suscetíveis às ressacas. Enzimas metabolizam o álcool, convertendo-o em um outro produto químico, o acetaldeído, que provoca o rubor da pele, dor de cabeça e outros sintomas desagradáveis da ressaca.

E agora, para quem quiser assistir, coloquei o vídeo de uma reportagem mostrando animais africanos ficando bêbados pelo consumo de frutas fermentadas.




O custo real da carne

Somente as preocupações com a saúde não vão conseguir reduzir o crescente consumo de carne no mundo. Talvez as preocupações com o meio ambiente sejam mais convincentes.
Apenas poucas décadas atrás, uma refeição contendo carne era tida como um privilégio. Nos dias de hoje, a maioria de nós ocidentais come carne quase todos os dias, e muitos a consomem em todas as refeições. Até mesmo as pessoas provenientes de culturas, digamos, menos carnívoras, estão também mudando seus hábitos. Na China, por exemplo, comer carne tornou-se atualmente uma aspiração.

A produção de carne no mundo subiu de 78 milhões de toneladas por ano em 1963, para 308 milhões de toneladas em 2014.
Deixando de lado as questões em torno da moralidade de se comer animais, o problema é que o planeta não pode suportar esse crescente apetite. A área de pastagem de gado usada no mundo já corresponde a 26% das terras livres disponíveis para esta finalidade, e a indústria da carne é responsável por 15% de todas as emissões de gases do efeito estufa.
Ao longo de décadas, o preço da carne foi diminuindo devido às práticas agrícolas cada vez mais eficientes. Ao mesmo tempo que isso é bom para os consumidores, é ruim para o meio ambiente, em termos de poluição, resistência aos antibióticos, bem como para o clima - e, é claro, principalmente para os próprios animais sacrificados.

Seria viável aumentar o preço da carne para diminuir o consumo?
Os governos têm conseguido reduzir o consumo de álcool e tabaco através dessa prática, mas um "imposto penalizador" sobre a carne não teria uma justificativa tão contundente quanto à estabelecida para quem consome bebidas alcoólicas ou fuma. É claro que há muitas evidências sobre possíveis ligações entre altos níveis de consumo de carne, e a propensão em adquirir câncer e doenças cardíacas. Talvez, uma opção viável seria a de que os governos reduzissem os subsídios agrícolas que sustentam a produção da carne, mas poucos deles resistiriam à pressão contrária dos envolvidos no setor de negócios agropecuários, e até mesmo do próprio mercado consumidor.  

A Persuasão pode funcionar melhor do que a coerção. 
No Reino Unido e nos Estados Unidos, preocupações com a saúde já reduziram o consumo de carne vermelha e processada. Nas últimas orientações dietéticas emitidas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos estão sendo abordados os efeitos sobre o meio ambiente, bem como à saúde. A indústria não vai gostar, mas o público pode achar interessante conhecer melhor os benefícios de adotar uma dieta baixa em carne e gorduras.

Fontes:
http://www.newscientist.com/article/mg22530052.900-the-world-pays-too-high-a-price-for-cheap-meat.html?utm_source=NSNS&utm_medium=SOC&utm_campaign=hoot&cmpid=SOC%257CNSNS%257C2014-GLOBAL-hoot#.VMadsv7F9PK

http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/meio-ambiente/producao-de-carne-bovina-tem-custo-ambiental-maior-do-que-frango-porco-13331946

A Teoria de Tudo - o filme

O filme A Teoria de Tudo é baseado na biografia de Stephen Hawking. O filme mostra como o jovem astrofísico, interpretado pelo ator Eddi Redmayne fez descobertas importantes sobre o tempo, além de retratar o seu romance com a aluna de Cambridge Jane Wide, interpretada pela atriz Felicity Jones, e a descoberta de uma doença motora degenerativa, quando ele tinha apenas 21 anos.
O filme é repleto de cenas muito comoventes, mas em uma das últimas cenas, quando ele já se comunicava através de uma voz sintetizada por um computador, durante uma palestra, ele responde de maneira genial a uma pergunta vinda da plateia. Vou transcrevê-la aqui:

Pergunta: Prof. Hawking. O senhor declarou não acreditar em Deus. O senhor tem alguma filosofia de vida que o ajuda?

Resposta de Hawking: É claro que somos apenas primatas evoluídos, vivendo em um planeta pequeno que orbita uma estrela comum, localizada no subúrbio de uma de bilhões de galáxias, mas desde o começo da civilização as pessoas tentam entender a ordem fundamental do mundo.
Deve haver algo muito especial sobre os limites do universo, e o que pode ser mais especial do que não haver limites?
Não deve haver limites para o esforço humano.
Somos todos diferentes.
Por pior que a vida possa parecer, sempre há algo que podemos fazer em que podemos obter sucesso.
Enquanto houver vida, haverá esperança.

No final, a plateia o aplaude de pé pela resposta.

O significado das férias

Há sempre uma história interessante sobre o surgimento de alguns termos que usamos. Vejamos primeiramente a origem do termo férias. Fazendo uma pesquisa, encontrei uma explicação, através da qual podemos entender porque a língua portuguesa se diferenciou de outras, ao adotar o termo "feira" para dias da semana.
Quando ensino história da Astronomia, costumo informar aos alunos que pelo menos três línguas estrangeiras, a inglesa, a alemã, e a espanhola mantêm tradições de mais de 6.000 anos, quando se referem aos dias da semana. Em aproximadamente 4.000 a.C., os antigos Mesopotâmios resolveram dividir a semana em sete dias e atribuir a cada dia o nome de um dos astros conhecidos na época: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Sol e Lua. Daí surgiram, e preservaram-se, por exemplo, no inglês, Saturday (que corresponde ao Sábado, dia de Saturno), e Sunday (que corresponde ao Domingo, dia do Sol), no alemão, Sontag (que corresponde ao Domingo, dia do Sol), e Montag (que corresponde à Segunda-feira, dia da Lua), e no espanol, Miércules (que corresponde à Quarta-feira, dia de Mercúrio), e Lunes (que corresponde à Segunda-feira, dia da Lua). Na língua portuguesa, por questões religiosas, decidiu-se seguir os nomes usados para férias (feiras). Vejam o que a Wikipedia nos diz sobre o surgimento do termo férias:
Férias provém do latim 'feria, -ae', singular de 'feriae, -arum', que significava, entre os romanos, o dia em que não se trabalhava por prescrição religiosa.
A palavra latina encontra-se também na denominação dos dias da semana do calendário elaborado pelo imperador romano Constantino, no século III d.C., que os santificou com o nome de 'feria' e o sentido de comemoração religiosa: 'Prima feria, Secunda feria, Tertia feria, Quarta feria, Quinta feria, Sexta feria e Septima feria'. No século IV, ainda por influência da Igreja, 'prima feria' foi substituído por 'Dominicus dies' (dia do Senhor) e 'septima feria' transformou-se em 'sabbatu', dia em que os primeiros judeus cristãos se reuniam para orar. A língua portuguesa foi a única a manter a palavra 'feira' nos nomes dos dias de semana.
Hoje em dia, o direito das férias está diretamente ligado à saúde. O objetivo é proporcionar descanso ao trabalhador após um determinado período de atividades. As férias não podem ser suprimidas nem mesmo por vontade própria, devendo ser usufruído no mínimo 1/3 do período a cada ano.
Eis alguns fundamentos que norteiam os objetivos das férias: O fisiológico, relacionado ao cansaço do corpo e da mente; o econômico, no sentido de que o empregado descansado produz mais; o psicológico, que relaciona momentos de relaxamento com o equilíbrio mental; o cultural, segundo o qual o espírito do trabalhador, em momentos de descontração, está aberto a outras culturas; o político, como mecanismo de equilíbrio da relação entre empregador e trabalhador; e o social, que enfatiza o estreitamento familiar.

Um terço de Férias
O recebimento correspondente a 1/3 do salário é um direito garantido pela Constituição Federal de 1988. Os trabalhadores recebem este dinheiro para usufruirem suas férias, melhorando os fundamentos que norteiam os objetivos citados anteriormente. Em resumo, aumentar a cultura, descansar o corpo e equilibrar a mente. Os professores de hoje em dia precisam deste descanso, pois durante o ano, o desgaste psicológico, físico e mental é muito grande.

Fontes:

Algoritmo pode definir sua personalidade a partir do que você curte no Facebook

Cuidado com a opção "curtir" do Facebook.
Um algoritmo de computador agora pode prever seu tipo de personalidade usando apenas as informações do que você curte no Facebook. Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Stanford, na Califórnia e da Universidade de Cambridge usaram dados de um questionário preenchido por 86.000 pessoas que identificou seus "cinco grandes" traços de personalidade. Os resultados foram correlacionados com as suas atividades no Facebook.

Com base entre 100 e 150 "curtidas" do Facebook, o algoritmo da equipe seria capaz de determinar a personalidade de alguém com maior precisão do que fariam seus próprios amigos e familiares, e até mesmo maridos ou esposas.
A psicologista Youyou Wu da Universidade de Cambridge, diz que é surpreendente ver o que os computadores podem fazer, usando apenas uma peça de informação - o "Curtir".
David Funder, professor de psicologia, da Universidade da Califórnia, diz que a previsão feita pelo computador, considerando cinco tipos diferentes de personalidade é impressionante, mas indica apenas alguns componentes da personalidade. "Esta é uma maneira muito pouco abrangente de descrever a personalidade humana. É útil, mas não íntima", diz ele. "Realmente não compreende um entendimento com nível maior de profundidade."
O próprio trabalho de Funder, estudando a personalidade humana, usa mais de 100 dimensões, e não cinco. Ele ressalta que os seres humanos têm especificidades que os algoritmos de Wu e Michal Kosinski - co-autor de Wu em Stanford - não abrangem. Uma esposa que convive 10 anos com o marido vai conhecer o seu parceiro de forma que os computadores ainda estão longe de alcançar plenamente.
No entanto, a abordagem computacional de Kosinski e Wu, para entender a personalidade, poderia ser útil na contratação de empregados, ou na saúde e na educação, onde os testes de personalidade curtos já são utilizados.

Suas técnicas não se limitam ao Facebook, portanto, qualquer conjunto de dados que você gera - sites que você visita, ou as chamadas telefônicas feitas - poderiam ser agregados e analisados para descobrir exatamente quem você é.

O emprego certo vindo até você
Sua aptidão para um trabalho é um dos primeiros problemas que poderiam ser resolvidos. Em vez de as pessoas procurarem se candidatar a empregos específicos, a contratação poderia ser feita com a obtenção de um conjunto de dados, buscando o candidato certo para uma tarefa específica, diz Kosinski. "Em vez de ter um formato igual ao do século 18, com pessoas se recrutando, pleiteando emprego em uma fábrica, o emprego viria até você", diz ele. "Esta é a revolução."

O ideal é que cada pessoa tivesse o controle total de seus próprios dados e sobre os quais as empresas e organizações poderiam fazer perguntas sobre eles, mas Kosinski reconhece que o algoritmo pode ser utilizado de uma forma muito invasiva, através destes dados pessoais disponíveis. "Há um grande lado escuro nesta tecnologia", diz ele."Com um clique do botão que poderia ser aplicado a toda a população do mundo. Temos que ter certeza de que, em termos de política e tecnologia, vamos resolver essas questões corretamente", diz Kosinski.

Fonte:
http://www.newscientist.com/article/dn26781-what-you-like-on-facebook-gives-away-your-personality.html?utm_source=NSNS&utm_medium=SOC&utm_campaign=hoot&cmpid=SOC%257CNSNS%257C2014-GLOBAL-hoot#.VLUcMSvF9PJ

2015: ano do centenário da Teoria Geral da Relatividade

2015 é o ano do Centenário da Teoria Geral da Relatividade. As equações publicadas por Einstein em 1915 trouxeram a ideia de que a gravidade é uma propriedade do universo em que objetos massivos provocam curvaturas no Espaço-Tempo. No entanto, um século após, um dos conceitos relacionados à gravidade ainda continua desafiando os cientistas. As equações prevêem que os eventos cósmicos cataclísmicos deveriam enviar ondulações através do Espaço-Tempo, mas nenhum sinal delas foi captado até hoje. Pensa-se que estas ondulações podem ser provocadas pela colisão de estrelas, formação de buracos negros, ou terem sido geradas pela grande violência do Big BangEsta previsão da teoria continua sendo a única que ainda não pôde ser confirmada na prática.
Este ano haverá dois projetos destinados a tentar fazer esta comprovação:

1- A retomada de experiências de ondas gravitacionais no LIGO (sigla, em inglês, de Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser);
2- O lançamento de um veículo espacial da missão LISA Pathfinder que irá testar uma nova tecnologia para a captura destas ondas no espaço.

Vamos entender um pouco mais sobre estes dois projetos:
1- LIGO (Laser Interferometer Gravitacional-wave Observatory)
Imagem aérea de dois braços do LIGO
O observatório, cujos trabalhos serão retomados este ano, tem como missão principal detectar ondas gravitacionais de origem cósmica. Na época da publicação da Teoria Geral da Relatividade, em 1915, a tecnologia necessária à detecção destas ondas ainda não existia. Pelos anos de 1970, alguns cientistas demonstraram a possibilidade de utilizar interferômetros laser para medir as ondas gravitacionais, e finalmente em 1992 o projeto foi fundado, começando a operar em 2002. Infelizmente, em 2010, teve seu funcionamento interrompido, devido à perda de investidores.
O LIGO opera dois observatórios em sincronia, um em Louisiana, e outro perto de Richland, Washington. Estes locais estão separados por 3002 km, distância que corresponde a 10 ms (milissegundos) na chegada da onda, o que, em tese, permitiria a triangulação para que se pudesse descobrir a origem dela no espaço.
No retorno do observatório, em 2015, ele foi renomeado de AdLIGO (Advanced LIGO),  pois contará agora com dez vezes a sensibilidade do observatório original. Na verdade, como foi o caso da caça ao Bóson de Higgs, no CERN, uma não detecção de ondas gravitacionais pelo AdLIGO representaria um resultado muito estranho para a Física.
2- LISA Pathfinder
Uma sonda espacial (imagem acima), desenvolvida em parceria com a ESA e a NASA, será lançada em Julho de 2015, da Base de Korou, na Guiana Francesa. A missão vai testar tecnologias necessárias para o Laser Interferometer Space Antenna (LISA), um observatório espacial de ondas gravitacionais. A sonda fará uma viagem para o L1 Lagrange,  ponto entre a Terra e o Sol, e irá  com isso pavimentar o caminho para a montagem de uma plataforma espacial, com uma série de três naves que serão lançadas a partir de 2030. Esta plataforma terá objetivos semelhantes aos do observatório LIGO, com vantagens maiores que não poderiam ser obtidas daqui da superfície da Terra.

Relatividade e Quântica: enfim juntas?
Poderemos ver também, ainda este ano, um progresso na maior questão de todas, que também ainda não foi resolvida - a incompatibilidade entre a Relatividade e a Teoria Quântica. Na escala atômica, a gravidade é tão fraca que rotineiramente costuma-se ignorá-la. Entretanto, atualmente alguns questionamentos parecem indicar que estávamos errados em desconsiderá-la neste caso. Na verdade, há fortes indícios de que a gravidade pode desempenhar um papel crucial no mundo quântico. Pode ser o ingrediente secreto da realidade. Nós não vamos obter respostas completas neste ano, mas o maior quebra-cabeça restante da relatividade parece, até que enfim, estar a caminho de ser resolvido, facilitando a formulação daquela que seria a Teoria de Tudo.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/LIGO
http://www.universetoday.com/117720/10-space-science-stories-to-watch-in-2015/
http://www.newscientist.com/article/mg22530022.000-after-a-century-of-relativity-a-new-view-of-gravity.html?cmpid=RSS|NSNS|2012-GLOBAL|physics-math#.VKf3vCvF9PJ

Rosetta: decifrando o que está escrito em um cometa

Domingo, dia 12, em Piracicaba, durante um evento ocorrido na Rua do Porto em comemoração ao dia das crianças, encontrei-me por acaso com o amigo Warner, que trabalha no Observatório Municipal, e ficamos conversando sobre Astronomia. Aproveitei para perguntar a ele se neste ano de 2014 ainda haveria algum acontecimento astronômico que fosse proporcionar uma bela imagem no céu, mas ele me disse que não ocorreria nenhum excepcional, pelo menos em termos visuais. No entanto, há uma missão espacial que irá promover um espetáculo que não poderá ser visto por nós nos céus, mas que está chamando a atenção dos que gostam de assuntos sobre exploração espacial.

A Missão Rosetta
Pela primeira vez na história, uma sonda lançada da Terra em 2004, aproximou-se recentemente do cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko, e no próximo mês de novembro lançará uma pequena nave, chamada Philae, que deverá pousar na superfície do cometa e analisar sua composição, para tentarmos entender um pouco melhor a formação inicial do Sistema Solar. A imagem ao lado mostra uma representação artística da sonda Rosetta, e próxima a ela, a nave Philae, que será enviada em direção ao cometa.
Recomendo que assistam o vídeo a seguir, muito bem produzido pela ESA, e que faz um ótimo e rápido resumo da viagem da Rosetta, desde 2004 até hoje, e das etapas principais desta longa missão. Destaque para os três impulsos gravitacionais dados pela Terra, e outro pelo planeta Marte, que aceleraram a sonda, alongando sua órbita em direção à órbita elíptica do cometa, cuja excentricidade é bem maior que a dos planetas. A Rosetta fez três voos rasantes à Terra, em 4 de março de 2005, 13 de novembro de 2007 e 13 de Novembro de 2009, e uma em Marte, em 25 de Fevereiro de 2007. A sonda Rosetta visitou também dois asteróides, 2867 Steins, em 5 de setembro de 2008, e 21 Lutetia, em 10 de julho de 2010. O vídeo mostra também o instante (8 de junho de 2011), em que a sonda precisou entrar em estado de hibernação, para economizar energia, pois encontrava-se muito distante do Sol, onde os painéis solares não recebiam radiação mínima suficiente para produzir a energia elétrica.
Rosetta seguirá o cometa a sua distância mais próxima do Sol em 13 de agosto de 2015 e também um pouco depois, no início do retorno ao Sistema Solar exterior. O fim nominal da missão está previsto para Dezembro de 2015.
 
A Pedra de Roseta (clique na foto ao lado para ampliar), descoberta em 1799 perto da cidade de Rashid (em Inglês, Rosetta) no Egito, ajudou estudiosos do século XIX a decifrar o sistema de escrita sagrada dos hieróglifos, oferecendo uma nova chave para o estudo da antiga civilização egípcia.
O Professor Eberhard Grün, um cientista do Instituto Max Planck de Física Nuclear em Heidelberg, Alemanha, um renomado especialista em cometas e poeira interestelar que esteve envolvido com a missão desde os seus primórdios, tem sido muitas vezes chamado de o "Pai da Rosetta", já que foi ele quem sugeriu este nome por volta em 1987, pois viu uma relação entre a pedra egípcia e a sonda que poderia ajudar a fazer uma "leitura" do que ocorreu no início do Sistema Solar, analisando o que estaria "escrito" nas rochas do cometa.

Mudança de planos
O plano original era para coletar uma amostra de material do núcleo do cometa e enviá-lo de volta à Terra para analisá-lo em um laboratório, mas no início de 1990 a NASA retirou-se do projeto por causa de dificuldades financeiras, e a missão foi redefinida de modo que a ESA (Agência Espacial Européia) pudesse realizá-la sozinha. Ao invés de trazer o material de volta para casa, a Rosetta fará a análise do cometa diretamente em seu laboratório, enviando os resultados para a Terra. O foco manteve-se na análise do material do núcleo.

Fontes:
http://blogs.esa.int/rosetta/2014/10/17/naming-rosetta-an-interview-with-eberhard-grun/
http://en.wikipedia.org/wiki/Rosetta_Stone
http://www.cmjornal.xl.pt/multimedia/detalhe/sonda_rosetta_uma_das_missoes_espaciais_mais_importantes_da_atualidade.html