Por que o corvo e a gaivota atacaram a pomba da paz do Papa?

Domingo, dia 26 de janeiro de 2014, duas crianças soltaram pombas brancas a partir da janela do Palácio Apostólico no Vaticano, acompanhadas do Papa Francisco, durante a oração do Angelus, diante de uma multidão que assistia tudo na praça. Acontece que para tristeza de milhares de fiéis, uma das pombas foi vista logo depois, sendo atacada de forma feroz por um corvo e uma gaivota. Veja nesta sequência de fotos:
Rapidamente, nos sites que publicaram a notícia, surgiram comentários de pessoas classificando o corvo e a gaivota como pássaros que estariam representando "o mal". Também foram lançados dezenas de milhares de posts no Twitter e no Facebook, alguns dos quais usando palavras como "demoníaco", "presságio", e "apocalíptico".  Mas o que de fato teria motivado estes ataques?

Por que o corvo e a gaivota atacaram as pombas?
Porque as pombas eram brancas. As pombas totalmente brancas, ao contrário do que muitos possam pensar, na verdade não são muito fáceis de serem encontradas normalmente na natureza. Milhares de pombos vivem em Roma, assim como na maioria das cidades. Eles variam de cor, do cinza claro ao marrom escuro. Muitas outras espécies de aves vivem em Roma, mas nenhuma é branca pura. Então, aos pássaros agressivos (como gaivotas e corvos), o que mais chama a atenção são pássaros de cor branca pura. Qual vai ser o alvo de seus ataques? O pássaro branco puro. Há uma razão para que aves albinas (e outros animais que nascem sem pigmento de cor), geralmente não vivam muito tempo na natureza. Eles são facilmente vistos e não conseguem se camuflar, e assim se destacam como alvo potencial dos predadores. 

Por que "pombas da paz"?
As pombas têm se constituído em um símbolo de paz durante milhares de anos, em parte por causa da história bíblica da Arca, em que uma pomba traz um ramo de oliveira a Noé (figura), mostrando que a terra estava próxima e que o terrível dilúvio seria breve. O cristianismo adotou a pomba como ícone religioso. Mas seriam as pombas realmente pacíficas? Nem tanto. Elas cuidam principalmente de seus próprios afazeres, se alimentando de sementes e ocasionalmente de pequenos insetos. São propensas a lutar entre si pelo território, com direito a bicadas e "tapas" de asas, como qualquer outra espécie.

Quanto ao incômodo que provocam a nós, poderíamos citar a grande intensidade das fezes que elas vivem soltando do alto, sem escolha de hora e lugar. 
Essas fezes, além de causar aborrecimento imediato, quando somos escolhidos como alvo, servem para a disseminação de doenças. Ao secarem, espalham pelo ar, fungos, bactérias e ácaros que podem causar pelo menos seis tipos de doenças. Entre elas estão a criptocose, que pode dar meningite; a histoplasmose, que pode dar doenças pulmonares; a salmonelose, que pode dar distúrbios gastrointestinais, além de dermatites e alergias.

Por que pombas brancas?
Porque o branco simboliza paz, pureza, serenidade, entre outras coisas boas, mas aí é que está o ponto: não há pombas brancas puras no mundo natural. As que foram criadas, são resultado de centenas de anos de domesticação e manipulação genética, permitindo que se obtivessem aves totalmente brancas para uso como animais de estimação, ou para serem soltas em casamentos e outras cerimônias.   

Quais são os pássaros que atacaram as pombas da paz?
Um deles era uma gralha, e o outro era uma gaivota de patas amarelas. Ambas são aves muito comuns na Europa. A primeira é parente do corvo americano, enquanto a segunda é da mesma família da gaivota de arenques, muito comum nas praias e lixões.
O corvo e a gaivota são onívoros, o que significa que eles comem qualquer coisa, desde pipocas e restos de lanches jogados em praças públicas, até filhotes roubados de ninhos de outras espécies, ou carniça de outros pássaros. Ambas são aves bem adaptadas para sobreviverem em torno de pessoas. 
Então esse não foi um sinal do Apocalipse? 
Eu tenho defendido sempre aqui neste blog, acima de tudo a educação científica das pessoas, para que deixem de lado explicações ou conclusões fundamentadas somente em religiões, misticismos, adivinhações, ou qualquer tipo de "sinais ocultos". Neste caso está claro que se trata apenas de aves predadoras agindo pelo instinto, assim como fariam comumente na natureza.


Fontes: 
http://news.nationalgeographic.com/news/2014/01/140127-white-peace-doves-attacked-birds-rome-vatican-pope/
http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/09/saiba-evitar-doencas-transmitidas-por-pombos-morcegos-e-ratos.html

Giordano Bruno e a nova série Cosmos


No primeiro episódio da nova série Cosmos faz-se referência ao frade dominicano italiano Giordano Bruno (figura), teólogo, filósofo, e escritor, que nasceu em 1548. Giordano aparece em um mosteiro, lendo escondido uma famosa obra escrita por Lucrécio, um poeta e filósofo latino que viveu no século I a. C.  O título da obra de Lucrécio é De Rerun Natura, traduzida para o Português como Sobre a Natureza das Coisas. Durante a Idade Média ela havia sido incluída na lista de leituras proibidas pela Inquisição.

Naquela época, no modelo de universo aceito pela Igreja, as estrelas ficavam situadas em uma região periférica, uma espécie de "pano de fundo" de uma esfera imaginária, no limite do atingível, definindo portanto um universo finito, e com a Terra ocupando o seu centro.
Para Giordano, nós não poderíamos estar enclausurados em um espaço tão limitado. O universo, para ele, seria muito mais do que defendiam aquelas pessoas presas por dogmas impostos por uma poderosa e ameaçadora instituição religiosa. Ele defendia veementemente a ideia de um universo infinito, e este foi apenas um dos vários embates que travou com a Inquisição. Vejam, por exemplo, algumas das polêmicas frases de seus livros:

"Nós declaramos esse espaço infinito, dado que não há qualquer razão, conveniência, possibilidade, sentido ou natureza que lhe trace um limite."     ( Acerca do Infinito, o Universo e os Mundos 1584)


"O mundo é infinito porque Deus é infinito. Como acreditar que Deus, ser infinito, possa ter se limitado a si mesmo criando um mundo fechado e limitado?"  (Causa, Princípio, e Unidade - 1584)

"Não é fora de nós que devemos procurar a divindade, pois que ela está do nosso lado, ou melhor, em nosso foro interior, mais intimamente em nós do que estamos em nós mesmos."    (A ceia de Cinzas)


Na cena animada do seriado, no momento em que Giordano está lendo a obra de Lucrécio, em um lugar escondido dentro do mosteiro, ele é surpreendido por um cardeal acompanhado de outros monges que, vendo o que ele lia, o expulsam imediatamente de lá.
Na cena seguinte, sozinho em uma floresta, Giordano adormece e provavelmente influenciado pelas lembranças de suas leituras, começa a sonhar, imaginando a possibilidade de descobrir novos mundos, além dos limites definidos pelas ideias conservadoras da época.


Mais tarde, perseguido, Giordano Bruno foi preso, julgado, e condenado à morte pela Inquisição romana, tendo sido queimado vivo em uma fogueira, em 17 de fevereiro de 1600. Para que sua voz fosse calada no ato da execução, colocaram-lhe na boca um pedaço de madeira.


Fontes:

O peixe que ataca aves em pleno voo e o Dioptro Plano

Havia rumores de que o Peixe-tigre africano (foto) poderia capturar e comer pássaros voando, mas isso não tinha sido comprovado até agora. 
Aves comem peixes. Qualquer pessoa que curte estes programas sobre vida animal já deve ter visto ou assistido uma cena de uma águia ou de uma gaivota dando rasantes e caçando peixes próximos à superfície da água, mas agora, pela primeira vez, estamos falando o contrário: peixes abocanhando aves em pleno voo.
Nico Smit, um pesquisador da Universidade de North-West, na África do Sul, viajou para o Parque Nacional de Mapungubwe para estudar o habitat e a migração do Peixe-tigre, cujo nome científico é Hydrocynus vittatus. Esta espécie, de acordo com este vídeo do Canal Smithsonian, pode crescer até atingir quase 1 metro de comprimento, e adquirir grandes velocidades, que ele usa, juntamente com um sensor de vibração no cérebro, para localizar e devorar pequenos peixes, que também fazem parte de seu cardápio.

Durante o estudo de Smit, publicado este mês no Journal of Fish Biology, (clique aqui se quiser ler), ele e seus colegas observaram esses peixes pulando para fora da água para capturarem andorinhas, pelo menos 20 vezes por dia. Esta é a primeira vez que os cientistas testemunharam um peixe de água doce capturar um pássaro em pleno voo. Embora a qualidade do vídeo não seja exatamente de alto nível, é possível ver um grande peixe pulando para fora da água e abocanhando uma andorinha, do lado esquerdo ao centro da cena. A ação acontece tão rapidamente, que precisa ser vista novamente em câmera lenta. Veja:


Dioptro Plano
Em Física, estudamos um fenômeno óptico chamado de Refração, que é o desvio de um raio de luz ao passar de um meio cristalino para outro, por exemplo do ar para a água. Isto faz com que o observador dentro da água, no caso um peixe, possa se confundir a respeito da correta posição de um pássaro que esteja voando rasante à superfície da água. Este sistema forma o que chamamos de Dioptro Plano
Os pesquisadores descobriram que alguns peixes adultos utilizam a estratégia de atacar diretamente as aves, fazendo automaticamente uma correção na direção, para atingirem o alvo. Isso permite que eles possam ficar um pouco mais camuflados a uma profundidade maior, até o exato instante do ataque rápido e certeiro. Observe a figura:
Estratégias de comportamentos adotadas pelo Peixe-tigre:
(a) Plano de Voo da andorinha da espécie Hirundo rustica. 
(b) Estratégia de busca de superfície do Peixe-tigre para superar o deslocamento de imagem da superfície devido à refração da luz (ângulo θ).          
(c) Ataques aéreos diretos, feitos por Peixes-tigres adultos, que compensam o deslocamento de imagem. 
( Fonte: [1] )


Fontes:

As Lentes de Fresnel e o carro movido à energia solar

A International Consumer Electronics Show (CES), cuja tradução livre seria Mostra Internacional de Eletrônica de Consumo, realizada anualmente na cidade americana de Las Vegas, é uma feira profissional, não aberta ao público, na qual muitos novos produtos são apresentados ou anunciados.
Durante a CES de 2014, que  inicia-se no dia 6 de janeiro, a Ford apresentará um novo conceito de carro híbrido: o C-max Solar Energi.
Os carros híbridos são aqueles com a opção de funcionar tanto com motor elétrico quanto à combustão. A novidade é que a eletricidade usada para a movimentação do veículo pode agora também ser obtida a partir de um painel solar, colocado na capota do carro, além da opção de plugar diretamente na rede elétrica. Para que a energia do sol possa ser aproveitada  de maneira mais eficiente, carregando ao máximo as baterias no menor tempo possível, e como não seria viável um painel solar com área muito grande, a saída foi projetar um arranjo que utiliza um tipo de lente convergente conhecida como Lente de Fresnel.




Este arranjo (figuras) aumenta em até 8 vezes a eficiência na captação da luz solar. Abaixo dele o carro estaciona, e se desloca lentamente ao longo do dia, através de um sistema inteligente, programado para posicioná-lo de tal forma a aproveitar ao máximo os raios solares.  Enquanto isso, a bateria recarrega sem a necessidade de plugar na rede elétrica.

Mas o que são as Lentes de Fresnel?
Para entendermos como funciona este tipo especial de lente, vou começar falando de uma propriedade característica das lentes convergentes comuns (lupas), que é a de concentrar os raios do sol em um ponto denominado foco. A distância entre a lente e o foco é chamada de distância focal. Quanto menor for a distância focal da lente desejada, ao ser fabricada, maior deve ser a sua espessura.
Vejam na foto, o perfil de dois tipos de lentes convergentes: uma mais grossa (à esquerda) e outra mais fina (à direita). Segurando primeiramente a lente mais grossa, e depois a mais fina, focalizei, em um papel sobre a mesa, a imagem de uma lâmpada que está posicionada no teto da sala de meu apartamento. Vejam, em cada caso, as diferentes distâncias que tive que manter entre a lente e o papel. No caso da mais grossa, a distância focal é menor, e no caso da mais fina, a distância focal é maior.

No arranjo utilizado para maximizar a energia solar captada nos painéis do carro-conceito da Ford, preferiram optar por Lentes de Fresnel, feitas de acrílico, que possibilita que sejam mais leves e mais baratas. Estas lentes foram inventadas em 1822 pelo físico e matemático francês Augustin-Jean Fresnel. Ele percebeu que era possível obter um foco na mesma posição, sem que a lente precisasse ser muito espessa. Ele notou que se fossem feitos vários cortes no desenho de uma lente convergente comum, dividindo-as em secções e mantendo suas curvaturas,  ao serem compactadas, a espessura da lente se reduziria e o foco permaneceria na mesma posição. Veja na figura , que eu obtive nesta página, e adaptei. (F=Foco)
Carro do futuro?
Por enquanto não se pode dizer que esta solução seria  facilmente adotada nos carros populares de passeio. As células fotovoltaicas são caras, e outra desvantagem é que para que o veículo pudesse percorrer 34 km, apenas usando a propulsão elétrica, seria necessário um dia inteiro à luz do sol, para que a bateria se carregasse por completo.
Este sistema poderia, sim, ser adotado como complemento ao carregamento normal, que já é usado atualmente nos carros elétricos, quando são plugados diretamente nas tomadas de energia (foto). A energia solar obtida através do painel na capota do carro, e transformada em elétrica, de acordo com os engenheiros, poderia representar uma economia de até 75% da energia obtida diretamente nas tomadas da rede elétrica.

Resta saber se o custo do carro compensaria o investimento. Se pensarmos em termos de sustentabilidade do planeta, não há dúvidas de que seria muito bom que as grandes companhias continuassem investindo nestas formas de energias limpas para o funcionamento dos motores, que além de tudo não provocam emissão de gases poluentes devido à queima de combustíveis. Neste sentido, a Ford está de parabéns.
Detalhe ampliado do painel solar na capota do C-max Solar Energi

Para quem se interessou pelas Lentes de Fresnel, selecionei um vídeo interessante e curtinho.
 
Fontes:

O Efeito Rolling Shutter

Esta semana eu estava olhando as postagens no Google+ quando vi algo que chamou a atenção. Veja ao lado. As pás da hélice do avião aparentam estar soltas no ar. Este é um tipo de distorção em filmagens feitas com câmeras digitais que utilizam sensores do tipo CMOS.
Diferente dos sensores do tipo CCD, eles não fazem a leitura da imagem de uma só vez, mas através de uma varredura, produzindo um efeito que ficou conhecido como  Rolling Shutter.
Pelo fato de as câmeras digitais estarem usando cada vez mais os dispositivos CMOS, por serem mais baratos e por gastarem até 100 vezes menos energia do que os CCD, poupando com isso as baterias, acredito que este efeito se tornará cada vez mais popular, e pode ocorrer não só nas filmagens como também nas fotografias. Veja:
Hélices de um avião que parecem ter sido amolecidas pelo calor. (fonte: Flickr)
Note que as pás do rotor do helicóptero parecem ter sido "penteadas" para trás. (fonte: Wikipedia) 
No caso do iPhone 4 as imagens são capturadas desde o canto superior esquerdo até ao canto inferior direito. - See more at: http://www.kerodicas.com/geral/artigo=37252/#sthash.hj57cEJb.dpuf
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No caso do iPhone 4 as imagens são capturadas desde o canto superior esquerdo até ao canto inferior direito. - See more at: http://www.kerodicas.com/geral/artigo=37252/#sthash.hj57cEJb.dpuf
A varredura dos sensores CMOS pode ser feita de várias maneiras, de cima para baixo, esquerda para a direita ou, por exemplo, no caso do iPhone 4, na diagonal, desde o canto superior esquerdo até o canto inferior direito. Quando o objeto está se movimentando muito rapidamente, dependendo da frequência de rotação, no caso específico das hélices, e da frequência de varredura, surgirão ocasionalmente estas distorções. Vou usar uma animação da Wikipedia para entendermos um pouco melhor.
Nesta varredura, em 24 frames, feita na horizontal e de cima para baixo, um disco multicolorido em rotação é "filmado", ou poderia ser "fotografado" como se fosse, por exemplo, a hélice de um avião. Cada fresta corresponde a um frame, numerado de 1 a 24. Note no final a grande distorção que ocorre na imagem obtida do disco. Assim funcionam os sensores CMOS. Já nos sensores CCD não ocorre este efeito, porque a imagem é obtida como um quadro completo e de uma só vez.
O vídeo a seguir mostra bem nitidamente que esta distorção depende da frequência da filmagem. No caso, o efeito é obtido mais claramente quando a frequência da câmera chega a 4.000 frames por segundo.



Outro vídeo que também achei muito interessante, em que se nota o efeito nas lâminas, é este a seguir, de uma pessoa tocando um instrumento africano, conhecido como Kalimba.

 
Fontes:
http://www.kerodicas.com/geral/artigo=37252/
http://eletronicos.hsw.uol.com.br/questao362.htm (Comparações entre os sensores CMOS e CCD)
http://en.wikipedia.org/wiki/Rolling_shutter

Gifs animados

Resolvi fazer aqui uma seleção de 5 gifs  bem legais que encontrei na internet.

1- Sempre na fila errada
Quem não passou algum dia por uma situação semelhante, em uma fila de banco, do tempo em que ainda não usavam fila única (e pensar que fui office boy nesta época), ou nos supermercados. No caso dos supermercados, costumo dar uma rápida analisada nos tamanhos das filas dos caixas para escolher aquela que teoricamente seria a menos demorada, pela quantidade de pessoas e também pelos volumes dentro dos carrinhos. De repente, a fila que escolhi trava por qualquer motivo. Fica difícil disfarçar a raiva que sinto de mim mesmo, vendo as outras filas seguindo seus ritmos normal.

2- Chave e tambor
Esta animação mostra claramente o princípio de funcionamento de um tipo comum de chave com tambor. Um aluno meu até comentou que ele tinha levado um bom tempo para aprender este processo de funcionamento, com várias explicações do professor de um curso técnico. Depois que viu esta imagem, o aluno entendeu seu funcionamento facilmente..
Assim fica bem fácil de entender.
3- Lançamento oblíquo
Uma das matérias de Física mais difíceis de serem entendidas no ensino médio é o lançamento oblíquo. O movimento deve ser estudado como a decomposição de dois movimentos, um na horizontal e outro na vertical. Note na animação que o vetor componente horizontal da velocidade (seta horizontal vermelha) permanece sempre com a mesma intensidade, o que caracteriza um movimento uniforme. Já, o vetor componente vertical (seta vertical vermelha) varia sua intensidade, o que caracteriza um movimento uniformemente variado.
Vetores mostrando as componentes da velocidade.
4- Ilusão de óptica
Coloque a imagem abaixo no centro da tela. Fixe seus olhos somente no ponto verde central. Esqueça os outros pontos da imagem e não deixe em nenhum momento que seus olhos se desviem do ponto verde. Veja que depois de alguns instantes os pontos amarelos parecem ter sido apagados.


5- Matemática
Este gif é para os leitores que gostam de matemática. Ele representa uma forma original de representar a operação de multiplicação, usando retas. Note que o processo para obter o resultado final é bem semelhante ao que usamos na prática, quando, por exemplo, ao fazermos a multiplicação de 123 por 25. A primeira soma dá 15, colocamos o 5 embaixo e aplicamos o famoso "vai um" que será acrescentado na soma seguinte. Achei criativo.


O Eclipse de Sobral, Ceará

O eclipse total do Sol, ocorrido em 29 de maio de 1919, e observado no céu da cidade de Sobral, no estado de Ceará, foi usado para confirmar, com a ajuda de dois astrônomos ingleses, Andrew Crommelin Charles Davidson, juntamente com  uma equipe de colaboradores brasileiros, um fenômeno previsto na teoria proposta em 1915 por Einstein.
Os colaboradores brasileiros com os ingleses, Crommelin ( círculo vermelho)  e  Davidson (círculo azul).


A Teoria da Relatividade Geral previa que a luz, ao passar nas proximidades de um intenso campo gravitacional de um corpo massivo, sofreria um desvio em sua trajetória.
Através das fotos do eclipse daquele dia e após análises posteriores feitas por um conceituado grupo de cientistas, houve a comprovação do efeito previsto, e a partir daí, Einstein passou a desfrutar de maior credibilidade na comunidade científica, tornando-se cada vez mais reconhecido e famoso.

Como medir o desvio?
Devido às grandes dimensões exigidas para a verificação prática do desvio da trajetória da luz, Einstein imaginou que para uma comprovação experimental seria preciso obter duas fotografias, uma de um campo de estrelas atrás do corpo massivo, e outra do mesmo campo de estrelas sem a presença do corpo massivo. Comparando as duas fotografias, as estrelas vistas mais próximas da borda desse corpo deveriam apresentar uma pequena diferença de posição.
No entanto, caso o Sol fosse usado como corpo massivo, haveria uma outra dificuldade causada pela sua luminosidade, o que ofuscaria a luz das estrelas vistas próximas de sua borda, impedindo assim que elas fossem fotografadas. Diante disso, obter tais fotografias com o Sol entre as estrelas, mas sem a sua luz ofuscando-as seria possível em apenas uma única circunstância: durante um eclipse total.
Veja a figura abaixo que eu montei. A luz de uma estrela desvia-se, fazendo com que sua posição aparente, vista da Terra, seja alterada em relação à sua posição real. A Lua está posicionada exatamente na linha formada entre o Sol e o nosso planeta, definindo uma estreita região de sombra na Terra onde é possível verificar o eclipse total. No eclipse de 1919, em determinado instante do dia 29 de maio, o ponto correspondente à cidade de Sobral estaria exatamente dentro desta região.
 Desvio de um raio de luz proveniente de uma estrela, ao passar próximo ao Sol.  (Distâncias e tamanhos fora de escala) 
A comprovação
Em Julho de 1919, dois meses após o eclipse, os dois astrônomos ingleses retornaram à Sobral para fotografar o mesmo campo de estrelas, desta vez sem a presença do Sol.
O cálculo do desvio previsto por Einstein não foi um processo simples. Em todas as placas fotográficas reveladas, as estrelas não estavam suficientemente próximas do Sol. (Veja ao lado uma das imagens obtidas no Brasil). Além disso, as placas de Sobral revelaram um desvio médio de apenas 0,97 segundos de arco, o que, levando em consideração os erros de medida devido à baixa qualidade das imagens e aos efeitos de refração da atmosfera, correspondia aos valores calculados pela teoria gravitacional de Newton, e não à teoria de Einstein.

O chefe das missões que patrocinou a vinda dos astrônomos ingleses ao Brasil, e que fez parte de outra missão de observação em um outro local da Terra onde também ocorreria o eclipse total, na Ilha de Príncipe, na costa ocidental da África, era um cientista inglês que defendia entusiasticamente a Teoria da Relatividade Geral: Arthur Stanley Eddington.  
Eddington teria então privilegiado as medidas dos desvios que favoreciam a Teoria de Einstein, afirmando que todas as medidas obtidas acima do valor "newtoniano", que correspondia a 0,87 segundos de arco, somente poderiam ser explicadas pela teoria de Einstein.

No dia 6 de Novembro de 1919, Eddington divulgou os resultados, concluindo que as observações comprovavam as previsões de Einstein. A partir deste instante, a Teoria da Relatividade Geral passou a ser mais aceita, e popularizou cada vez mais a figura do seu gênio criador. Pode-se dizer que isto se deveu em parte à dedicada colaboração de alguns cientistas e astrônomos brasileiros, bem como dos anfitriões habitantes da cidade de Sobral, que muito bem acolheram e ajudaram os astrônomos ingleses na obtenção das fotos do eclipse.

Fontes:
http://www.sbfisica.org.br/fne/Vol6/Num1/eclipse.pdf
http://www.observatorio.ufmg.br/pas16.htm

O baixo rendimento dos motores à combustão

Esta semana que passou estive procurando um carro para comprar, e acabei optando por um modelo 1.6 da Volkswagem - o CrossFox, ano 2007.


Potência e cilindradas
As potências dos motores, no Brasil, normalmente são dadas em cv (cavalo-vapor). Encontrei uma tabela comparando modelos de carros, e aproveitei para analisar alguns valores do CrossFox que comprei. A potência máxima informada é de 101 cv (gasolina), ou 103 cv (álcool), e seu peso é de 1.115 kg. Em outra tabela obtive a aceleração de 0 a 100 km/h. Lá diz que o carro realiza esta performance em 13,0 s (gasolina) ou 12,7 s (álcool).
O diâmetro de cada cilindro é D = 76,5 mm, e o curso (comprimento) é C = 86,9 mm.
A cilindrada dada na tabela é de 1.598 cm³.
Se fizermos um simples cálculo matemático do volume de cada um dos cilindros, de acordo com os valores informados, teremos:$$ \begin{equation*} \large V = \frac{ \pi . D^2}{4}. C \end{equation*}$$ Substituindo:$$ \begin{equation*} \large V = \frac{3,14 . (76,5)^2}{4}. 86,9 \end{equation*}$$que dá aproximadamente$$ \begin{equation*} \large V \simeq 399.220 mm³ \end{equation*}$$ ou $$ \begin{equation*} \large V \simeq 399,22 cm³ \end{equation*}$$ Multiplicando este valor pelos 4 cilindros, temos: $$ \begin{equation*} \large V \simeq 1.596,8 cm³ \end{equation*}$$ que é um valor bem próximo das cilindradas informadas, e que na prática pode ser arredondado para 1.600 cc (cm³). Se dividirmos por 1.000, chegamos ao termo 1.6, usado popularmente.
Outro fator é a eficiência dos motores. Vejam esta questão, mais uma das que caiu na prova de Promoção por Mérito, que eu fiz em setembro deste ano:
SOLUÇÃO
O Trabalho útil (W) realizado sobre o carro corresponde à variação da Energia Cinética (∆Ec). $$ \begin{equation*} \large W = \Delta Ec \end{equation*}$$ Por sua vez, a Potência útil (Pu) corresponde ao Trabalho útil por unidade de Tempo ( ∆t ) $$ \begin{equation} \large Pu = \frac { \Delta Ec}{\Delta t} \end{equation}$$ Como o carro parte do repouso, a variação da energia cinética corresponde a energia cinética final, que é dada por:$$ \begin{equation*} \large Ec = \frac {m. v^2}{2} \end{equation*}$$ onde m é a massa do carro,  e  v é a sua velocidade final. Substituindo os valores dados na questão; 
m = 1.000 kg  , e   v = 108 km/h  = 30 m/s, temos: $$ \begin{equation*} \large Ec = \frac {1.000. (30)^2}{2} \end{equation*}$$ $$ \begin{equation*} \large Ec = 450.000 J \end{equation*}$$ Substituindo este valor, e também o valor de  ∆t = 10 s, dado na questão, na equação (1) tem-se: $$ \begin{equation*} \large Pu = \frac {450.000}{10} \end{equation*}$$ $$ \begin{equation*} \large Pu = 45.000 W \end{equation*}$$
O rendimento (n)  é definido como sendo a razão entre a Potência útil (Pu) e a Potência total (Pt), esta última dada na questão, e vale 100 cv, ou 75.000 W. Portanto, o rendimento é de:$$ \begin{equation*} \large n = \frac {45.000}{75.000}  \end{equation*}$$ $$ \begin{equation*} \large n = 60\% \end{equation*}$$ A alternativa correta é a (D).

Rendimento do CrossFox
Para comparar,  vou calcular o rendimento do CrossFox, usando os dados de aceleração, peso e potência fornecidos nas tabelas, usando álcool como combustível:
m = 1.115 kg
v = 100 km/h = 27,78 m/s
∆t = 12,7 s
Pt = 103 cv = 77.250 W

Calculando a Energia Cinética, obtive 430.170 J.
Potência útil (Pu) deu 33.871,6 W.
rendimento encontrado foi de aproximadamente 43,8 %

Obs: Para comparar, eu mantive neste cálculo de rendimento do CrossFox a conversão de cv para W usada na questão, mas usando a real, que é um pouco diferente, já que 1 cv vale aproximadamente 735,5 W, teremos um rendimento de aproximadamente 44,7%

Conclusão: Apesar de todas as melhorias nos sistemas de transmissão da energia gerada nos motores à combustão, feita nos carros modernos, na média, aproximadamente a metade desta energia ainda é desperdiçada, principalmente na forma de calor e atrito. Uma boa solução seria a ampliação do uso dos carros híbridos, ou então melhorar a eficiência e capacidade de armazenamento de cargas das baterias, a fim de aumentar a circulação de carros totalmente elétricos, que também têm a grande vantagem de não liberarem gases e fumaça no ambiente.

Fontes:

Comparando as velocidades da Terra e da Lua

Nos séculos anteriores ao Renascimento, com base em modelos elaborados e defendidos por pensadores e astrônomos prestigiados, tais como Aristóteles e Ptolomeu, a maioria das pessoas acreditava que a Terra estivesse em repouso no centro do universo, com o Sol, a Lua, os planetas e as estrelas e astros mais distantes girando em torno de nós. Uma exceção teria sido Aristarco, ainda na Grécia Antiga, que deduziu outro modelo. Para ele, seria mais lógico que o Sol, por ser maior do que a Terra, ocupasse o centro, e que a Lua, por ser menor do que a Terra, giraria em torno do nosso planeta. Este modelo, quase esquecido, bem mais tarde voltou a encontrar defensores, como Copérnico Galileu, e depois outros, como Kepler e Newton, que ao contrário dos geocêntricos, passaram a defender que a Terra é que faria o movimento em torno do Sol.

Hoje já sabemos que a Terra não só se movimenta ao redor do Sol (translação), mas que isto se dá a uma velocidade muito alta. Além disso, temos o giro em torno dela mesma (rotação), movimento responsável por confundir os geocêntricos.  
Neste post vou comparar a velocidade de translação da Terra em torno do Sol à velocidade orbital da Lua em torno da Terra, através da solução de uma questão da Prova de Promoção por Mérito da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Vejam:

SOLUÇÃO
Newton demonstrou que a força de atração gravitacional (F) entre dois corpos quaisquer, de massas M e m, separados por uma distância d é dada por: $$\begin{equation*}\large F = \frac{G.M.m}{d^2}\end{equation*}$$ onde G é a Constante Gravitacional Universal .  
Esta força corresponde também à força centrípeta sofrida pelo corpo de massa m, que é dada por: $$\begin{equation*}\large F = \frac{m.V^2}{d}\end{equation*}$$ Se igualarmos ambas as equações anteriores, e fizermos alguns arranjos, obteremos: $$\begin{equation} \large V = \sqrt { \frac{G.M}{d}} \end{equation}$$ onde V corresponde à velocidade do corpo em órbita.

Velocidade da Terra
Vamos ver primeiramente como fica a expressão para o cálculo da velocidade da Terra. Substituindo na equação (1): $$\begin{equation} \large V(Terra) = \sqrt { \frac{G.M(Sol)}{D}} \end{equation}$$ onde  M(Sol) é a massa do Sol, e  D é a distância Terra-Sol.
Nota-se que esta velocidade depende da massa do Sol, e independe da massa da Terra e também da massa da Lua.

Não é pedido na questão, mas vou calcular a velocidade da Terra, substituindo os dados, e usando o valor de G = 6,7.1o^-11. m³/kg.s²:
$$\begin{equation*}\large V(Terra)\simeq\sqrt{\frac{6,7.10^{-11}.2.10^{30}}{1,5.10^{11}}} \end{equation*}$$ $$\begin{equation*} \large V(Terra) \simeq 30.000 m/s \end{equation*}$$ $$\begin{equation*} \large  {V(Terra)} \simeq  {108.000 km/h} \end{equation*}$$ (Se quiser, clique aqui para ver no blog O Baricentro da Mente, como é possível chegar a um valor bem próximo deste, para a velocidade de translação da Terra, através de um caminho diferente) 

Velocidade da Lua
Agora vamos ver como fica a expressão para a velocidade da Lua em órbita da Terra. Substituindo na equação (1) obtemos:  $$\begin{equation} \large V(Lua) = \sqrt { \frac{G.M(Terra)}{d}} \end{equation}$$ onde  M(Terra) é a massa da Terra e  d é a distância Lua-Terra.

Dividindo-se a equação (2) pela equação (3) temos:
$$\begin{equation*} \large \frac {V(Terra)}{V(Lua)} = \sqrt{\frac{\frac{G. M(Sol)}{D}}{\frac {G.M(Terra)}{d}}}\end{equation*}$$ $$\begin{equation*} \large \frac {V(Terra)}{V(Lua)} = \sqrt{\frac{M(Sol).d}{M(Terra).D}}\end{equation*}$$ Substituindo os valores dados na questão: $$\begin{equation*} \large \frac {V(Terra)}{V(Lua)} \simeq \sqrt{\frac{2.10^{30}.3,8.10^8}{6.10^{24}.1,5.10^{11}}}\end{equation*}$$ Fazendo as aproximações da raiz quadrada temos: $$\begin{equation*} \large \frac{V(Terra)}{V(Lua)} \simeq 29,06 \end{equation*}$$ ou $$\begin{equation*} \large V(Terra) \simeq 29. V(Lua) \end{equation*}$$

Portanto, a resposta correta da questão é a alternativa (C)

A velocidade da Lua em torno da Terra seria portanto cerca de 3.700 km/h.

Teoria da Relatividade e contração do espaço

A Teoria Especial da Relatividade, ou Teoria da Relatividade Restrita, foi publicada por Einstein, em 1905. Ela recebe a qualificação de restrita porque trata apenas dos sistemas em que não são considerados os campos gravitacionais. Foi um prenúncio da Teoria Geral da Relatividade, publicada em 1915, em que são acrescentados os efeitos destes campos. 
Um entendimento razoável pode ser obtido pelos alunos ainda no Ensino Médio, para que tenham uma noção sobre a alteração na percepção do tempo e do espaço, quando tratamos de velocidades muito altas, próximas à velocidade da luz.
No caso do espaço, em uma experiência por enquanto imaginária, se uma pessoa estivesse dentro de uma nave a uma velocidade muito alta (v), próxima à velocidade da luz (c), veria os objetos de fora da nave com um comprimento (l) menor do que o real (L). A equação para o cálculo é dada por: $$\begin{equation}\large l = L. \sqrt{1- \frac{ v^2}{c^2}} \end{equation}$$ Vou exemplificar com uma questão:
SOLUÇÃO
Como é dito que a velocidade da nave é 80% da velocidade da luz, temos: $$\begin{equation*}\large v = 0,8.c\end{equation*}$$ Substituindo na equação (1): $$\begin{equation*}\large l = 5,0. \sqrt{1- \frac{(0,8.c)^2}{c^2}} \end{equation*}$$ $$\begin{equation*}\large l = 5,0. \sqrt{1- \frac{8^2}{10^2}} \end{equation*}$$ $$\begin{equation*}\large l = 5,0. \sqrt{1- \frac{64}{100}} \end{equation*}$$ $$\begin{equation*}\large l = 5,0. \sqrt{\frac{100 - 64}{100}} \end{equation*}$$ $$\begin{equation*}\large l = 5,0. \sqrt{\frac{36}{100}} \end{equation*}$$ $$\begin{equation*}\large l = 5,0. {\frac{6}{10}} \end{equation*}$$ $$\begin{equation*}\large l = \frac{30}{10} \end{equation*}$$  $$\begin{equation*}\large l = 3,0 km \end{equation*}$$ A resposta correta é a alternativa (B).

Fontes:

Tópicos de Física Moderna - Dulcídio Braz Júnior
http://pt.wikipedia.org/wiki/Relatividade_Restrita