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Alerta sobre o aplicativo que "envelhece" as pessoas

O FaceApp é um aplicativo que virou febre nas redes sociais. Ele "envelhece" as pessoas nas fotos, e pode também torná-las mais "jovens", colocar barbas ou modificar os cabelos, entre outras transformações muito realistas. Baixei o aplicativo e usei para me divertir no Facebook com os amigos. Vejam, por exemplo, na foto, como eu fiquei "velhinho".
Em meio a toda diversão, lendo alguns artigos, acabei descobrindo que ao baixarmos o aplicativo, corremos alguns riscos na segurança e privacidade dos dados do nosso smartphone. Pesquisei então um pouco mais, procurando entender melhor os graus desses riscos, e encontrei um artigo recente da Popular Science, onde eles informam que ao usarmos o Facebook ou o Twitter também estamos correndo riscos semelhantes. 
Traduzi o artigo para postar aqui, mas fiz pequenas adaptações e interpretações pessoais. Quem quiser ler o artigo original, é só clicar neste link. Vamos lá?

O FaceApp é um pesadelo para a sua privacidade, tanto quanto quase tudo o que você faz online
O aplicativo mais interessante do momento coleta seus dados, mas ele certamente não é o único.

Aparentemente do nada, os fenômenos da Internet tendem a se fortalecer e assumir totalmente nossas redes sociais. O meme atual que domina praticamente todas as plataformas envolve um aplicativo chamado FaceApp, que usa inteligência artificial para aplicar filtros surpreendentemente convincentes às imagens das pessoas. O aplicativo introduziu recentemente um filtro que mostra como você pode aparentar-se quando estiver velho. Os resultados são de certa forma convincentes e bastante divertidos. Mas, como acontece com toda diversão baseada em aplicativos, ela envolve um custo relacionado às suas informações pessoais, privacidade e segurança.

Esta não é a primeira vez que o FaceApp se espalha pela Internet. O aplicativo chamou a atenção quando estreou em 2017. Também já vimos esse tipo de fenômeno muitas vezes, incluindo o filtro de troca de gênero do Snapchat, que estava em todos os lugares há algumas semanas.

A reação ao FaceApp, no entanto, foi rápida e maior do que o normal porque o desenvolvedor opera na Rússia. Até o momento, no entanto, não há provas de que a empresa tenha ligações com o governo russo ou tenha más intenções quanto aos dados. A empresa já emitiu uma declaração sobre as preocupações de segurança.

Quando você faz o download do programa, ele pede permissão para acessar suas fotos, enviar notificações e ativar sua câmera. Estamos tão acostumados a esse processo de clicar nos textos de permissão que é fácil não ficar gastando tempo para ler tudo. Conceder acesso à nossa biblioteca de fotos é, de certa forma, concordar cegamente que estamos prontos para o acordo dos termos de serviço. Não estamos totalmente certos sobre onde estamos entrando, mas se há diversão do outro lado da caixa de diálogo, queremos nos apressar para chegar lá. 

Se você se inscrever no FaceApp, no entanto, estará concordando em ceder algumas de suas informações pessoais e de qualquer conteúdo gerado por meio do aplicativo. Concordar com os termos de serviço do aplicativo garante uso muito liberal de qualquer conteúdo que você enviar ou criar. Os termos contêm frases problemáticas como "comercial" e "sub-licenciável", o que significa que suas imagens - junto com as informações associadas a elas - podem acabar em anúncios. Isso não significa que a empresa "possua" suas fotos como alguns meios de comunicação sugeriram, mas sim que podem usá-las para praticamente qualquer coisa que quiserem no futuro.

Se isso soa familiar, é porque é um pouco semelhante ao acordo para muitas outras redes sociais. O Twitter, por exemplo, usa as seguintes palavras:

“Ao enviar, postar ou exibir o Conteúdo nos Serviços, você nos concede uma licença mundial, não exclusiva, isenta de royalties (com o direito de sublicenciar) para usar, copiar, reproduzir, processar, adaptar, modificar, publicar, transmitir, exibir e distribuir tal conteúdo em qualquer mídia ou método de distribuição (agora conhecido ou desenvolvido posteriormente) ”.

Você perceberá que a sinopse não inclui o uso "comercial" na frase, o que eleva sua segurança em relação ao FaceApp. Mas o Twitter tem regras que permitem que “parceiros do ecossistema” interajam com seu conteúdo de acordo com regras que você quase certamente não leu.

O Facebook tem uma cláusula similar em termos de serviço, que diz:

“… Quando você compartilha, publica ou faz upload de conteúdo que é coberto por direitos de propriedade intelectual (como fotos ou vídeos) ou em conexão com nossos produtos, você nos concede uma licença não exclusiva, transferível, sublicenciável e isenta de royalties, e licença mundial para hospedar, usar, distribuir, modificar, executar, copiar, executar publicamente ou exibir, traduzir e criar trabalhos derivados de seu conteúdo. ”

Assim como o Twitter, o Facebook deixa de fora o termo “comercial”, que aparece no contrato do FaceApp, mas você ainda está dando à empresa uma licença generosa.

As coisas ficam mais confusas quando você começa a usar aplicativos do Facebook que possuem seus próprios termos, que são guiados pelas regras da plataforma, mas variam muito de título para título. Então, se você já instalou um aplicativo do Facebook que permite ver o que estará escrito na lápide do seu túmulo ou outras coisas divertidas e estúpidas, de qualquer maneira você pode ter dado mais informações do que pretendia.

Mas e as coisas que você não queria compartilhar?
Quando você abre o FaceApp pela primeira vez, pode selecionar imagens para carregar e compartilhar. O aplicativo faz o processamento em seus próprios servidores, e não no dispositivo, portanto, você deve concordar em fazer o upload de uma imagem antes de obter o resultado da sua imagem filtrada. Alguns usuários notaram que você pode selecionar imagens individuais para upload, mesmo que você não tenha acesso ao aplicativo para suas fotos. Isso certamente parece nefasto, mas é na verdade um recurso do iOS que estreou no iOS 11. Você pode escolher uma imagem específica para o aplicativo acessar sem conceder uma visão completa da câmera e das bibliotecas do iCloud.

Se você der a um aplicativo acesso total às suas fotos, isso significa que ele pode ver qualquer coisa que você tenha, incluindo capturas de tela com informações pessoais. Além disso, também pode acessar os metadados associados ao arquivo de imagem que podem conter dados de GPS de quando a foto foi tirada. É uma grande quantidade de informações em potencial, mas não há nenhuma evidência real de que o aplicativo esteja carregando seu catálogo inteiro em segundo plano.

No momento, não há nenhuma ameaça específica que conhecemos com o FaceApp além de uma desconfiança geral em relação às empresas que coletam dados. Então, embora seja normal se sentir um pouco descuidado ao baixar e usar o aplicativo, também não é algo para entrar em pânico.

Reconhecimento Facial
No futuro, no entanto, é provável que você espere mais e mais aplicativos que tentem capturar informações sobre seu rosto. Empresas como o Facebook têm sua própria tecnologia de reconhecimento facial, além de bilhões de fotos úteis para treiná-lo. No entanto, nem toda empresa tem esse luxo.

A Amazon, por exemplo, tem uma controversa tecnologia de reconhecimento facial chamada Rekognition, que se baseia em bancos de dados de imagens externas de fontes legais. Os estádios esportivos estão usando o reconhecimento facial para saber mais sobre os fãs que participam de eventos, e a turnê de Taylor Swift usou isso para tentar garantir que os stalkers não comparecessem aos locais. Essas tecnologias funcionam melhor com bancos de dados de referência mais detalhados e cheios de fotos, por isso, se uma empresa como a FaceApp quisesse vender suas selfies precisamente identificadas, elas teriam o direito de fazê-lo e encontrar um comprador não seria difícil.

É provável que suas informações já estejam em vários bancos de dados que você nem conhece, como corretores de dados e sites de localização de pessoas. Adicionar informações faciais a esses bancos de dados só poderia torná-los mais valiosos.

Por enquanto, o FaceApp diz que não está compartilhando suas informações com terceiros, mas pode ser possível. Se você quiser que o aplicativo remova seus dados, pode fazê-lo, mas o processo não é tão simples e envolve o envio de um e-mail para a empresa. Mesmo assim, isso não vai necessariamente quebrar a licença que você já deu ao aplicativo para usar seu conteúdo. Por enquanto, você pode continuar usando o aplicativo ou excluí-lo antes de fornecer ainda mais dados sobre suas informações pessoais. Se optar por este último, provavelmente será mais bem sucedido.

O cérebro e a Física

Aprender Física não só torna você mais inteligente, mas também ativa novas áreas do cérebro.
Um estudo da Universidade de Drexel descobriu que partes do cérebro não associadas à ciência da aprendizagem tornam-se ativas quando as pessoas tentam resolver problemas de Física.
Os pesquisadores usaram Ressonância Magnética Funcional para medir o fluxo sanguíneo no cérebro, enquanto os participantes completavam uma tarefa de raciocínio de Física. Eles examinaram os dados antes e depois do curso.
Um estudo da Universidade de Drexel descobriu que partes do cérebro não associadas à ciência da aprendizagem tornam-se ativas quando as pessoas tentam resolver problemas de Física.
"Os processos neurobiológicos que sustentam a aprendizagem são complexos e nem sempre estão diretamente ligados ao que pensamos o que significa aprender", disse Eric Brewe, professor associado da Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Drexel.
Aproximadamente 50 estudantes voluntários participaram do estudo.
Eles frequentaram um curso de Física que utilizou "Instrução de Modelagem", um estilo de ensino que incentiva os alunos a serem participantes ativos em seu aprendizado.

Antes, os voluntários responderam a perguntas do Force Concept Inventory, um teste que avalia o conhecimento de Física no nível inicial da faculdade. Os alunos foram submetidos a ressonância magnética durante o teste. Depois da aula, eles novamente fizeram o teste enquanto estavam sob ressonância.
Antes da aula, os exames revelaram que as partes do cérebro associadas à atenção, à memória de trabalho e à resolução de problemas - o córtex pré-frontal lateral e o córtex parietal - mostraram atividade.
Após a aula, os exames revelaram atividade aumentada nos pólos frontais que estão ligados ao aprendizado, e pouca atividade no córtex cingulado posterior, que controla a memória episódica e o pensamento auto-referencial.
Os pesquisadores usaram ressonância magnética funcional para medir o fluxo sanguíneo no cérebro quando os participantes completavam uma tarefa de raciocínio de Física.

Os pesquisadores dizem que isso mostra que a atividade do cérebro pode ser modificada por diferentes formas de instrução.
"Essas mudanças na atividade cerebral podem estar relacionadas a mudanças comportamentais mais complexas na forma como os alunos raciocinam através de questões de Física pós-relativas à pré-instrução", Brewe e seus co-autores escreveram sobre o estudo.
"Isso pode incluir mudanças na estratégia ou um aumento no acesso ao conhecimento de Física e recursos de solução de problemas."


O que é Ressonância Magnética Funcional?
A ressonância magnética funcional é uma das formas de neuroimagem mais desenvolvida recentemente. Mede as alterações metabólicas que ocorrem no cérebro, como alterações no fluxo sanguíneo.
Profissionais médicos podem usar ressonância magnética funcional para detectar anormalidades no cérebro que não podem ser encontradas com outras técnicas de imagem, medir os efeitos do AVC ou doença ou orientar o tratamento cerebral.
Também pode ser usado para examinar a anatomia do cérebro e determinar quais partes do cérebro estão lidando com funções críticas.
Uma ressonância magnética usa um campo magnético em vez de raios-X para tirar fotos do corpo.
O scanner de ressonância magnética é uma máquina oca com um tubo que passa horizontalmente pelo seu meio.
Você deita em uma cama que desliza no tubo do scanner.


Um objetivo do estudo é entender como a forma de ensino é usada e como ela encoraja os alunos a entender novos conceitos.

"A Física é realmente um bom lugar para entender o aprendizado por dois motivos", disse Brewe.
"Primeiro, ela trata de coisas com as quais as pessoas têm experiência direta, tornando o aprendizado formal em sala de aula e a compreensão informal relevantes, às vezes alinhados, e às vezes contrastados".

"Segundo, a Física é baseada em leis, então existem absolutos que governam a maneira como o corpo funciona".

(Este artigo é uma tradução do artigo original publicado em inglês assinado por MOLLIE CAHILLAN no Mail Online. Link:
http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-5772601/The-brain-physics-Study-finds-learning-subject-activates-regions-not-associated-science.html )

A importância dos erros nas ciências

Refletindo um pouco sobre minha profissão de professor de Ciências, fiquei pensando como sem querer, passamos aos alunos a ideia de que eles devem simplesmente absorver os conteúdos, e em seguida responderem corretamente às perguntas que fazemos nas provas. Isso pode dar a impressão de que em todas as áreas os conhecimentos se encontram totalmente prontos, e aos educandos só restaria o trabalho de entenderem como eles foram adquiridos ao longo da História.
Ensinamos as crianças como se as respostas corretas fossem mais importantes do que as perguntas corretas.
Não saber sobre algo é natural e mais pais e mais professores deveriam estar dispostos a dizer: Eu não sei a resposta. Vamos descobrir como podemos obtê-la.
Eu penso que é isso que tínhamos que ensinar nas escolas. A ciência é um processo de tentar entender este mundo complicado e descobrir o como e o porque das coisas serem como são, através do levantamento de hipóteses e testes para confirmá-las ou não. Não só pesquisadores se utilizam deste método, na física e nas ciências, mas todos nós, no dia-a-dia, em qualquer problema que enfrentamos, por exemplo quando tentamos fazer funcionar um computador ou celular, ou ao procurarmos o local de um vazamento de água em nossas casas. Isto ocorreu comigo recentemente. Em meu apartamento, apareciam poças d'água debaixo da pia da cozinha, mas minha esposa não sabia me informar como elas se formavam. De onde vinha o vazamento? Seria de trás, pela parede, pela cuba de inox, ou pelo ralo no chão? Considerei inicialmente todas as possibilidades. Aos poucos, fui abandonando hipóteses incorretas e consegui descobrir que o vazamento vinha de trás, através de um vão entre a pia e a parede. 
Utilizei no local, um rejunte branco e silicone, mas o vazamento continuou, embora tivesse diminuído. Fui fechando o cerco e experimentei colocar uma camada maior de rejunte e silicone, para que criasse uma "rampinha" entre a pedra da pia e a parede. Consegui resolver o problema e o vazamento cessou.

Mesmo quando alguém nos conta alguma coisa, precisamos estar "armados" com o Método Científico para não acreditarmos em qualquer bobagem. Outro dia, uma aluna me disse: "Professor, se uma mulher sonha que está grávida de gêmeos, significa que terá um lucro financeiro em breve". Tentei então fazê-la associar de algum modo um fato com outro. Para mim, é fácil perceber que uma coisa não tem absolutamente nenhuma ligação com a outra, mas no caso das pseudociências, as pessoas parecem ter uma queda a acreditar em algo que, para elas, não conseguimos lidar por falta de provas ou evidências, mas que julgam ter um fundamento sobrenatural ou espiritual, campo no qual a ciência se nega ou não teria capacidade de realizar pesquisas. Mas é justamente por causa desta falta de evidências que a ciência não entra neste jogo.
O filósofo Sócrates dizia: "Só sei que nada sei". Esta frase não deve ser interpretada ao pé da letra, pois todos nós sabemos de uma forma ou de outra sobre alguma coisa, mas ela serve para entendermos a humildade deste grande pensador, que preferia instigar sempre o pensamento, formando eternos aprendizes, em busca de um aprimoramento na maneira de compreender diversos assuntos da melhor forma possível.

A necessidade de saber e responder tudo certo, da maneira como nos foi ensinada, para  que não falhemos quando perguntados, dando-nos a sensação de sermos melhores do que os outros, pode ter ramificações extremamente prejudiciais para a busca do conhecimento. A ciência progride por testar ideias fora do estabelecido, refutando as concepções anteriores e, gradualmente, chegando mais e mais perto da verdade no centro do fenômeno a ser estudado.

Fonte:
http://physics.about.com/b/2014/05/30/importancefailure.htm

Consumir álcool: uma necessidade evolutiva

Nosso gosto por álcool já dura milhões de anos. Agora, uma pesquisa genética revela novidades sobre este antigo relacionamento humano.

Um novo estudo descobriu que os nossos antepassados adquiriram a capacidade de digerir o álcool há cerca de 10 milhões de anos, entre um ancestral comum a humanos, chimpanzés e gorilas, e certamente bem antes de nós aprendermos a fabricá-lo. Isso sugere que o álcool tornou-se parte da dieta humana muito mais cedo do que se pensava, e de uma forma que teve implicações significativas para a sobrevivência da espécie humana.

Os seres humanos carregam com eles as assinaturas genéticas de seus hábitos de alimentação ancestrais. As variantes genéticas que tornam novas fontes de alimento disponíveis podem proporcionar enormes oportunidades para aqueles que as possuem.
A tolerância ao álcool pode ter tornado possível comer frutas muito maduras que tinham caído no chão e começado a fermentar naturalmente. Esta adaptação teria fornecido aos nossos antepassados uma fonte de alimento abundante para a qual havia poucos concorrentes.

O metabolismo do álcool após a ingestão é um processo complexo que envolve uma série de enzimas diferentes. A maior parte que é ingerida é discriminada no intestino e no fígado. O novo estudo centrou-se na enzima ADH4 pelo fato de ela ser abundante no intestino. Testes indicaram que a ADH4 encontrada em seres humanos, gorilas e chimpanzés é 40 vezes mais eficiente na metabolização do álcool do que a forma encontrada em espécies mais primitivas.

Como os seres humanos dependem de ADH4 como seu principal meio de digerir o álcool, eles também são suscetíveis às ressacas. Enzimas metabolizam o álcool, convertendo-o em um outro produto químico, o acetaldeído, que provoca o rubor da pele, dor de cabeça e outros sintomas desagradáveis da ressaca.

E agora, para quem quiser assistir, coloquei o vídeo de uma reportagem mostrando animais africanos ficando bêbados pelo consumo de frutas fermentadas.




O meu terço sagrado

Este não é um artigo religioso, apesar de o título sugerir isso. Eu gostaria de falar sobre um benefício que recebo todos os anos nesta época do mês de janeiro, correspondente a um terço das minhas férias.
Há sempre uma história interessante sobre o surgimento de alguns termos que usamos. Vejamos primeiramente a origem do termo férias. Fazendo uma pesquisa, encontrei uma explicação, através da qual inclusive podemos entender porque a língua portuguesa se diferenciou de outras, ao adotar o termo "feira" para dias da semana.

Em minhas aulas, quando ensino história da Astronomia, costumo informar aos alunos que pelo menos três línguas estrangeiras, a inglesa, a alemã, e a espanhola mantêm tradições de mais de 6000 anos, quando se referem aos dias da semana. Em aproximadamente 4000 anos antes de Cristo, os antigos Mesopotâmios resolveram dividir a semana em sete dias e atribuir a cada dia o nome de um dos astros conhecidos - por serem os únicos vistos a olho nú - na época, que eram: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Sol e Lua. Daí surgiram - e preservaram-se - por exemplo, no inglês, Saturday, e Sunday, no alemão, Sontag, e Montag, e no espanol, Miércules, e Lunes. Na língua portuguesa, por questões religiosas, decidiu-se seguir os nomes usados para férias (feiras). Vejam o que a Wikipedia nos diz sobre o surgimento do termo férias:
Férias provém do latim 'feria, -ae', singular de 'feriae, -arum', que significava, entre os romanos, o dia em que não se trabalhava por prescrição religiosa.
A palavra latina encontra-se também na denominação dos dias da semana do calendário elaborado pelo imperador romano Constantino, no século III d.C., que os santificou com o nome de 'feria' e o sentido de comemoração religiosa: 'Prima feria, Secunda feria, Tertia feria, Quarta feria, Quinta feria, Sexta feria e Septima feria'. No século IV, ainda por influência da Igreja, 'prima feria' foi substituído por 'Dominicus dies' (dia do Senhor) e 'septima feria' transformou-se em 'sabbatu', dia em que os primeiros judeus cristãos se reuniam para orar. A língua portuguesa foi a única a manter a palavra 'feira' nos nomes dos dias de semana.
Hoje em dia, o direito das férias está diretamente ligado à saúde. O objetivo é proporcionar descanso ao trabalhador após um determinado período de atividades. As férias não podem ser suprimidas nem mesmo por vontade própria, devendo ser usufruído no mínimo 1/3 do período a cada ano.
Eis alguns fundamentos que norteiam os objetivos das férias: O fisiológico, relacionado ao cansaço do corpo e da mente; o econômico, no sentido de que o empregado descansado produz mais; o psicológico, que relaciona momentos de relaxamento com o equilíbrio mental; o cultural, segundo o qual o espírito do trabalhador, em momentos de descontração, está aberto a outras culturas; o político, como mecanismo de equilíbrio da relação entre empregador e trabalhador; e o social, que enfatiza o estreitamento familiar.

Onde uso meu terço?
O recebimento correspondente a 1/3 do salário é um direito garantido pela Constituição Federal de 1988. Os trabalhadores recebem este dinheiro para usufruirem suas férias, melhorando os fundamentos que norteiam os objetivos delas citados anteriormente. Em resumo, aumentar a cultura, descansar o corpo e equilibrar a mente. Os professores de hoje em dia precisam deste descanso, pois durante o ano, o desgaste psicológico, físico e mental é muito grande. No entanto, no meu caso, geralmente o que sempre acabo fazendo com este terço do meu salário é cobrir os gastos excessivos de final de ano, ajudar a pagar IPVA, o seguro do carro, e outros encargos, então fico sempre contando com ele, que nesta época vêm em boa hora, e é por isso que o considero sagrado. E bendito seja quem pensou primeiramente em conceder este benefício que sempre ajuda a salvar a minha pele nesta época do ano.

Fontes:

Algoritmo pode definir sua personalidade a partir do que você curte no Facebook

Cuidado com a opção "curtir" do Facebook.
Um algoritmo de computador agora pode prever seu tipo de personalidade usando apenas as informações do que você curte no Facebook. Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Stanford, na Califórnia e da Universidade de Cambridge usaram dados de um questionário preenchido por 86.000 pessoas que identificou seus "cinco grandes" traços de personalidade. Os resultados foram correlacionados com as suas atividades no Facebook.

Com base entre 100 e 150 "curtidas" do Facebook, o algoritmo da equipe seria capaz de determinar a personalidade de alguém com maior precisão do que fariam seus próprios amigos e familiares, e até mesmo maridos ou esposas.
A psicologista Youyou Wu da Universidade de Cambridge, diz que é surpreendente ver o que os computadores podem fazer, usando apenas uma peça de informação - o "Curtir".
David Funder, professor de psicologia, da Universidade da Califórnia, diz que a previsão feita pelo computador, considerando cinco tipos diferentes de personalidade é impressionante, mas indica apenas alguns componentes da personalidade. "Esta é uma maneira muito pouco abrangente de descrever a personalidade humana. É útil, mas não íntima", diz ele. "Realmente não compreende um entendimento com nível maior de profundidade."
O próprio trabalho de Funder, estudando a personalidade humana, usa mais de 100 dimensões, e não cinco. Ele ressalta que os seres humanos têm especificidades que os algoritmos de Wu e Michal Kosinski - co-autor de Wu em Stanford - não abrangem. Uma esposa que convive 10 anos com o marido vai conhecer o seu parceiro de forma que os computadores ainda estão longe de alcançar plenamente.
No entanto, a abordagem computacional de Kosinski e Wu, para entender a personalidade, poderia ser útil na contratação de empregados, ou na saúde e na educação, onde os testes de personalidade curtos já são utilizados.

Suas técnicas não se limitam ao Facebook, portanto, qualquer conjunto de dados que você gera - sites que você visita, ou as chamadas telefônicas feitas - poderiam ser agregados e analisados para descobrir exatamente quem você é.

O emprego certo vindo até você
Sua aptidão para um trabalho é um dos primeiros problemas que poderiam ser resolvidos. Em vez de as pessoas procurarem se candidatar a empregos específicos, a contratação poderia ser feita com a obtenção de um conjunto de dados, buscando o candidato certo para uma tarefa específica, diz Kosinski. "Em vez de ter um formato igual ao do século 18, com pessoas se recrutando, pleiteando emprego em uma fábrica, o emprego viria até você", diz ele. "Esta é a revolução."

O ideal é que cada pessoa tivesse o controle total de seus próprios dados e sobre os quais as empresas e organizações poderiam fazer perguntas sobre eles, mas Kosinski reconhece que o algoritmo pode ser utilizado de uma forma muito invasiva, através destes dados pessoais disponíveis. "Há um grande lado escuro nesta tecnologia", diz ele."Com um clique do botão que poderia ser aplicado a toda a população do mundo. Temos que ter certeza de que, em termos de política e tecnologia, vamos resolver essas questões corretamente", diz Kosinski.

Fonte:
http://www.newscientist.com/article/dn26781-what-you-like-on-facebook-gives-away-your-personality.html?utm_source=NSNS&utm_medium=SOC&utm_campaign=hoot&cmpid=SOC%257CNSNS%257C2014-GLOBAL-hoot#.VLUcMSvF9PJ

Por que o corvo e a gaivota atacaram a pomba da paz do Papa?

Domingo, dia 26 de janeiro de 2014, duas crianças soltaram pombas brancas a partir da janela do Palácio Apostólico no Vaticano, acompanhadas do Papa Francisco, durante a oração do Angelus, diante de uma multidão que assistia tudo na praça. Acontece que para tristeza de milhares de fiéis, uma das pombas foi vista logo depois, sendo atacada de forma feroz por um corvo e uma gaivota. Veja nesta sequência de fotos:
Rapidamente, nos sites que publicaram a notícia, surgiram comentários de pessoas classificando o corvo e a gaivota como pássaros que estariam representando "o mal". Também foram lançados dezenas de milhares de posts no Twitter e no Facebook, alguns dos quais usando palavras como "demoníaco", "presságio", e "apocalíptico".  Mas o que de fato teria motivado estes ataques?

Por que o corvo e a gaivota atacaram as pombas?
Porque as pombas eram brancas. As pombas totalmente brancas, ao contrário do que muitos possam pensar, na verdade não são muito fáceis de serem encontradas normalmente na natureza. Milhares de pombos vivem em Roma, assim como na maioria das cidades. Eles variam de cor, do cinza claro ao marrom escuro. Muitas outras espécies de aves vivem em Roma, mas nenhuma é branca pura. Então, aos pássaros agressivos (como gaivotas e corvos), o que mais chama a atenção são pássaros de cor branca pura. Qual vai ser o alvo de seus ataques? O pássaro branco puro. Há uma razão para que aves albinas (e outros animais que nascem sem pigmento de cor), geralmente não vivam muito tempo na natureza. Eles são facilmente vistos e não conseguem se camuflar, e assim se destacam como alvo potencial dos predadores. 

Por que "pombas da paz"?
As pombas têm se constituído em um símbolo de paz durante milhares de anos, em parte por causa da história bíblica da Arca, em que uma pomba traz um ramo de oliveira a Noé (figura), mostrando que a terra estava próxima e que o terrível dilúvio seria breve. O cristianismo adotou a pomba como ícone religioso. Mas seriam as pombas realmente pacíficas? Nem tanto. Elas cuidam principalmente de seus próprios afazeres, se alimentando de sementes e ocasionalmente de pequenos insetos. São propensas a lutar entre si pelo território, com direito a bicadas e "tapas" de asas, como qualquer outra espécie.

Quanto ao incômodo que provocam a nós, poderíamos citar a grande intensidade das fezes que elas vivem soltando do alto, sem escolha de hora e lugar. 
Essas fezes, além de causar aborrecimento imediato, quando somos escolhidos como alvo, servem para a disseminação de doenças. Ao secarem, espalham pelo ar, fungos, bactérias e ácaros que podem causar pelo menos seis tipos de doenças. Entre elas estão a criptocose, que pode dar meningite; a histoplasmose, que pode dar doenças pulmonares; a salmonelose, que pode dar distúrbios gastrointestinais, além de dermatites e alergias.

Por que pombas brancas?
Porque o branco simboliza paz, pureza, serenidade, entre outras coisas boas, mas aí é que está o ponto: não há pombas brancas puras no mundo natural. As que foram criadas, são resultado de centenas de anos de domesticação e manipulação genética, permitindo que se obtivessem aves totalmente brancas para uso como animais de estimação, ou para serem soltas em casamentos e outras cerimônias.   

Quais são os pássaros que atacaram as pombas da paz?
Um deles era uma gralha, e o outro era uma gaivota de patas amarelas. Ambas são aves muito comuns na Europa. A primeira é parente do corvo americano, enquanto a segunda é da mesma família da gaivota de arenques, muito comum nas praias e lixões.
O corvo e a gaivota são onívoros, o que significa que eles comem qualquer coisa, desde pipocas e restos de lanches jogados em praças públicas, até filhotes roubados de ninhos de outras espécies, ou carniça de outros pássaros. Ambas são aves bem adaptadas para sobreviverem em torno de pessoas. 
Então esse não foi um sinal do Apocalipse? 
Eu tenho defendido sempre aqui neste blog, acima de tudo a educação científica das pessoas, para que deixem de lado explicações ou conclusões fundamentadas somente em religiões, misticismos, adivinhações, ou qualquer tipo de "sinais ocultos". Neste caso está claro que se trata apenas de aves predadoras agindo pelo instinto, assim como fariam comumente na natureza.


Fontes: 
http://news.nationalgeographic.com/news/2014/01/140127-white-peace-doves-attacked-birds-rome-vatican-pope/
http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/09/saiba-evitar-doencas-transmitidas-por-pombos-morcegos-e-ratos.html

Zero: O número que tentaram proibir

Nos dias de hoje, todo estudante entende o significado do zero. Então porque será que na história da humanidade ele custou tanto a ser aceito?
Há evidências de que os primeiros sistemas de contagem tiveram início em 3000 a.C., na Mesopotâmia, Egito, e Pérsia (mapa). No entanto, o surgimento do número zero deu-se somente em torno de 300 a.C. Até então não havia a necessidade de usar um número que expressasse a falta de algo.

Duas concepções do zero
Para entendermos bem a história do surgimento do zero, inicialmente temos que diferenciar os seus dois conceitos:
1) o zero como um símbolo, para representar o nada.
2) o zero como um número, usado nos cálculos.
É comum as pessoas pensarem que os dois são a mesma coisa, no entanto, a história nos mostra algo diferente.

O conceito do zero representando o nada, por ser mais fácil de perceber, também foi aquele que primeiramente se popularizou. Já para entender o surgimento do conceito de zero como número, é preciso antes compreender como funcionam os sistemas numéricos posicionais.

Sistema Numérico Posicional
O primeiro sistema posicional de números foi usado na Babilônia, a partir de 1800 a.C. Havia apenas dois símbolos, um para o algarismo 1 e outro para o algarismo 10. Eles serviam para representar números até o 59. Veja a tabela:
Os babilônios não agrupavam de 10 em 10 (base 10) como nós, mas sim de 60 em 60. O sistema sexagesimal (base 60) teve sua origem especificamente na contagem do tempo, e até hoje o sucesso deste sistema se reflete em nossas unidades de tempo e medidas de ângulos.

Para facilitar a explicação de como surgiu a necessidade de acrescentar-se o zero aos numerais, utilizarei dois números como exemplo: 61 e 3601.
No nosso sistema, de base 10, estes números poderiam ser representados assim:
E veja como estes mesmos números seriam representados na numeração dos babilônios, de base 60:
Note que poderia haver confusão na interpretação. Para diferenciar um do outro, no caso da representação do número 3601  deixava-se um pequeno espaço entre os símbolos, que algumas vezes podia passar despercebido. A necessidade de evitar esta ambiguidade tornou-se cada vez mais evidente, e isto deve ter se intensificado por volta de 300 a.C. quando então teria surgido pela primeira vez na história um símbolo do número zero. Eles usaram duas pequenas flechas viradas para baixo. Veja:
Enfrentando o vazio
Na Grécia Clássica, a civilização certamente não estava preparada para encarar as complexidades do zero. O pensamento grego seguia a ideia de que os números expressavam formas geométricas. Então, a que forma corresponderia algo que não existia de fato? A total ausência de algo - o vazio - era um conceito repudiado pela cosmologia dominante da época.
Em grande parte, a influência de Aristóteles e seus discípulos, representava uma visão de mundo que via os planetas e estrelas inseridos em uma série de esferas celestes concêntricas de extensão finita (figura). Essa esferas, todas centradas na Terra, estariam preenchidas com uma substância etérea, e postas em movimento por um "motor imóvel". A filosofia cristã viu no motor imóvel uma identidade de Deus, e uma vez que não havia lugar para um vazio nesta cosmologia, seguia-se a ideia de que tudo que fosse associado ao vazio era um conceito que negava também a existência de Deus.
A filosofia oriental, enraizada nas ideias de ciclos de criação e destruição, também não sentiria falta do zero. Ele encontrou apoio na Índia, através de matemáticos e astrônomos, como por exemplo, Brahmagupta, por volta de 628 d.C.
Brahmagupta foi o primeiro a tratar os números como quantidades puramente abstratas, separadas de qualquer realidade física ou geométrica. Isso lhe permitiu considerar questões heterodoxas que os babilônios e gregos tinham ignorado ou dispensado, como o que acontece quando você subtrai de um número, um número de maior tamanho. Em termos geométricos isto seria um absurdo. Que área restaria quando uma área maior fosse subtraída?
Entretanto, a partir do momento em que os números se tornam entidades abstratas, uma nova gama de possibilidades se abre: o mundo dos números negativos.

Enquanto comerciantes e banqueiros rapidamente se convenceram da utilidade do sistema hindu-arábico, as autoridades estavam menos apaixonadas. Em 1299, a cidade de Florença, na Itália, proibiu o uso dos numerais hindu-arábicos, incluindo o zero. Eles consideravam que a capacidade de inflar enormemente o valor de um número, simplesmente adicionando um dígito ou dígitos no final - uma facilidade que não era disponível no então sistema dominante não-posicional dos algarismos romanos - poderia ser um convite aberto à fraude.
Mais tarde, o número zero teria uma tarefa ainda mais difícil. Cismas, revoltas, reforma e contra-reforma na Igreja suscitaram debates contínuos a respeito do valor das ideias de Aristóteles sobre o Cosmos. Só a revolução de Copérnico, revelando que a Terra se move em torno do Sol (figura), começou lentamente a agitar a matemática européia na direção de livrar-se dos grilhões da cosmologia aristotélica, a partir do século 16.
Por volta do século 17, a cena finalmente já estava criada para o triunfo do zero. É difícil apontar para um único evento marcante. Talvez tenha sido o advento do sistema de coordenadas inventado pelo filósofo e matemático francês René Descartes. Seu sistema cartesiano unificava álgebra e geometria para dar a cada forma geométrica uma nova representação simbólica, com o zero colocado como coração imóvel do sistema de coordenadas, em seu centro. O zero estava, portanto, longe de ser irrelevante para a geometria, como os gregos haviam sugerido. Agora ele era essencial para ela.

Logo depois, a nova ferramenta de cálculo mostrou pela primeira vez como apreciar o nulo incorporado ao infinitamente pequeno, para explicar como tudo no Cosmos poderia mudar sua posição, tanto uma estrela como um planeta. Assim, uma melhor compreensão do zero tornou-se o fusível da revolução científica que se seguiu. Eventos subsequentes confirmaram o quão essencial foi o zero para a matemática e tudo o que se edificou com ela.

Olhando as diversas utilidades do zero hoje é difícil imaginar como sua aceitação pôde ter causado tanta confusão e angústia. Definitivamente, um caso de muito barulho por nada.

Fonte:
http://www.newscientist.com/article/mg21228390.500-nothingness-zero-the-number-they-tried-to-ban.html

Fé e Razão

A primeira pessoa que ficou conhecida por defender a teoria do Big Bang foi um padre jesuíta chamado Georges Lemaitre (foto), em 1927. Na época, ele foi ridicularizado por ter proposto a teoria, pois a maioria dos físicos acreditava em um Universo estático. Edwin Hubble provaria, algum tempo depois, que o Universo na realidade se encontra mesmo em expansão, o que reforçou a ideia de um ponto inicial em que a matéria estaria muitíssimo concentrada.
Einstein chegou a alterar suas equações da Teoria da Relatividade Geral, para ajustá-las ao modelo de um Universo estático, o qual defendia. Porém, mais tarde, ele mesmo admitiria que este teria sido o maior erro de sua carreira. Quase à mesma época, Lemaitre tentou convencê-lo de que ele poderia estar enganado, ao que Einstein teria respondido:
“Seus cálculos são perfeitos, mas sua Física é abominável”.

Religiosos racionais
Se enumerássemos os cientistas religiosos que contribuíram para melhorar nossas visões de mundo, a lista não seria pequena. Johannes Kepler, por exemplo, acreditava que Deus seguiria um padrão geométrico perfeito, e assim perseguiu durante quase toda a sua vida um modelo de órbitas que, na sua visão, corresponderiam às medidas dos 5 sólidos perfeitos de Platão (figura).

“A geometria existia antes da criação.
É tão eterna como o pensamento de Deus.
A geometria deu a Deus um modelo para a criação.
A geometria é o próprio Deus”
Kepler (1571-1630)

Recomendo o episódio Harmonia dos Mundos da série Cosmos, de Carl Sagan, que mostra de forma brilhante esta história. (clique aqui para ver).

Acho que devemos agradecer a estes cientistas que não deixaram que a fé se sobrepusesse à razão, ao contrário de tantos que se opõem atualmente às teorias calcadas em fortes evidências científicas, como por exemplo, a Teoria da Evolução das Espécies, elaborada por Darwin.

Quando ainda somos crianças, certos ensinamentos são passados a nós através de situações metafóricas, lendas ou mitos, que esclarecem momentaneamente algumas dúvidas sobre o mundo em que vivemos, mas para que possamos obter um entendimento mais amplo será preciso um grande esforço de desprendimento das tradições e revelações, transmitidas por familiares ou por "autoridades". 
Cada um pode e deve acreditar no que quiser, ter a sua fé e sua religião, mas essas crenças não podem servir de impedimento para que a Ciência continue avançando no aprimoramento e entendimento do mundo, do Universo e de todos os fenômenos naturais.