Dificuldades da missão a Plutão

Em se tratando de exploração do espaço há várias possibilidades de que algo dê errado. E é por isso que ao ler a notícia da sonda New Horizons (foto), passando tão perto de Plutão, fiquei admirado com a grandeza do feito, em termos de precisão nos cálculos da equipe de cientistas e engenheiros. Esta foi uma verdadeira lição de planejamento que conseguiu eliminar diversas adversidades políticas e administrativas, sem falar nos próprios riscos inerentes à navegação, em um processo que levou mais de 40 anos para se desdobrar completamente. Os problemas de software ocorridos na New Horizons não foram as únicas falhas que quase comprometeram a missão. Alguns políticos, dificuldades financeiras e desinteresse popular também contribuíram.

Histórico
A história da missão iniciou-se na década de 1970, um tempo conturbado durante a administração do presidente Richard Nixon. Na época, os astrônomos e demais cientistas espaciais perceberam que uma configuração rara dos planetas exteriores tornaria possível enviar uma nave espacial de forma eficiente rumo a uma grande turnê pelo sistema solar exterior, usando a gravidade dos planetas gigantes para impulsioná-la. Tal alinhamento acontece apenas uma vez a cada 176 anos. Veja na imagem a seguir, que obtive deste site. Júpiter, por estar alinhado com Plutão, favoreceu muito a missão através de seu impulso gravitacional, fazendo com que a sonda atingisse a velocidade de 65.740 km/h.
No início de 1972 o destino político da NASA estava mudando drasticamente. Nixon havia cancelado duas missões à Lua, a Apollo 18 e a Apollo 19. O apoio público do Congresso à exploração espacial estava decaindo, o país estava em recessão e atolado na Guerra do Vietnã. Cerca de um bilhão de dólares extras que seriam destinados às frotas de sondas espaciais foram cancelados. 
Apesar de tudo, podemos citar como um benefício desta dificuldade financeira o aumento e valorização da criatividade dos engenheiros da missão que viram-se forçados a desenvolver alternativas mais baratas, usando naves espaciais mais leves. Desta maneira, a sonda leve New Horizon, que decolou em janeiro de 2006, a bordo de um grande foguete, o Atlas V, acabou se tornando o objeto espacial mais rápido já lançado até então. Neste contexto, teria sido ainda mais trágico se a New Horizons tivesse sido prejudicada recentemente por um simples erro de software.

Chegou o dia
A nave, à velocidade de 50.000 km/h, passará pelo ponto mais próximo de Plutão, a 12.500 km de sua superfície, e com isso espera-se conhecer um pouco mais sobre este planeta, que foi rebaixado de categoria, pela União Astronômica Internacional em agôsto de 2006, no mesmo ano do lançamento da New Horizons.
A sonda irá coletar imagens e dados de Plutão e das suas cinco luas conhecidas: Caronte, Styx, Nix, Kerberos e HyA. O tempo de transmissão dos dados até nós é de quatro horas e meia.

Fontes


Cinema, ciências e modelos do Universo

No primeiro semestre deste ano, eu, em parceria com o professor de Química, resolvemos criar na Escola de Tempo Integral, na qual damos aulas, uma disciplina eletiva que nomeamos de Cinema & Ciências, e que acabou tendo boa aceitação por parte dos alunos do Ensino Médio. 
Exibimos ao todo 5 filmes, dentre eles, A Teoria de Tudo, e Interestelar, estes dois abordando temas relacionando conceitos da Física Moderna, que acabaram despertando a curiosidade dos jovens, a fim de buscar entender um pouco mais sobre Buracos Negros e Buracos de Minhoca
No final do bimestre realiza-se na escola a chamada Culminância, um dia escolhido para que todas as disciplinas eletivas mostrem os resultados dos trabalhos desenvolvidos em cada uma delas. Neste dia, decidimos mostrar um modelo simples desenvolvido pelos alunos, simulando em 3D a deformação do "tecido" representando o Espaço-Tempo, provocada por um corpo massivo sobre ele.
Para sugerir este modelo aos alunos, inspirei-me em um vídeo que vi na internet sobre os efeitos da gravidade, apresentados por um professor de uma escola americana (foto acima). Não seria fácil construir um nas mesmas dimensões, e então achamos por bem fazer um menor, usando um bambolê que encontrei na escola e um tecido fino, que foi costurado sobre o aro por algumas alunas.
Fica aqui a dica deste modelo para os colegas professores também construírem um. É muito fácil de fazer, e dá pelo menos uma noção aos alunos sobre estes assuntos. Vejam:
Aluno explicando aos colegas como um corpo massivo deforma o "tecido" do Espaço-Tempo.
Alunos mostrando a simulação de um Buraco Negro.

Experiência de dilatação do latão

Em uma aula prática de Física usei um dilatômetro para medir o coeficiente de dilatação linear do latão. O vapor de água gerado em um recipiente fechado, colocado em cima de um aquecedor, é transportado para dentro de um tubinho de latão, aquecendo-o e fazendo com que um relógio medidor indique, com precisão de centésimos de milímetro (0,01 mm), o quanto o metal dilatou.
Montagem do experimento no laboratório da escola. A extremidade direita é fixada no ponto 500 mm.


Na montagem do experimento, fixamos a extremidade direita do tubinho de latão exatamente no ponto da régua marcando 500 mm. (foto)
Na outra extremidade, colocamos um extensor de metal conectando o tubinho à ponta do relógio medidor, exatamente no ponto da régua marcando 0 mm (foto).
A temperatura ambiente, medida no termômetro da sala, no início do experimento, era de 20ºC (foto). Consideramos que o tubinho de latão estaria nesta mesma temperatura inicial.
Quando a temperatura da água no interior do recipiente aquecido, atingiu 97ºC, o vapor começou a ser produzido e chegou ao interior do tubinho de latão, e então anotamos a variação do seu comprimento, que foi de 0,75 mm (foto).
Com estes dados, fizemos então o cálculo do coeficiente de dilatação do latão.
Sabemos que a dilatação linear de um material (ΔLdepende basicamente de três fatores, do comprimento inicial (Lo), do tipo de material, representado pelo coeficiente de dilatação linear (α), e da variação da temperatura (Δt):
ΔL = Lo . α . Δt
Aplicamos nesta fórmula os valores medidos na experiência:
0,75 = 500. α.(97-20)
Com isso,encontramos:
α = 0,0000194805

Comparando este valor com o valor encontrado na internet, pudemos verificar que chegamos muito próximo do esperado. No site http://www.webcalc.com.br/engenharia/dilat_alfa.html, por exemplo, o valor informado é:
α = 0,000019

Eu já havia realizado com os alunos o mesmo experimento, utilizando o aço e o cobre, e também chegamos a valores bem próximos do esperado.
Vejam o vídeo que fiz, mostrando a velocidade da dilatação através da variação no relógio medidor:

No meu tempo de colegial, eu aprendi dilatação somente através de aulas teóricas, e não tinha a mínima noção da velocidade do processo. 

Matemática: nossa conexão com as estrelas

Você  já deve ter ouvido falar sobre a conexão existente entre a matemática e o Cosmos. É realmente fantástico conhecer a forma como esta ciência contribuiu e continua contribuindo para uma melhor compreensão do que somos e da nossa real posição no universo, possibilitando um entendimento sobre suas forças e movimentos. Hoje, através dela, podemos até mesmo simular ou estudar eventos espetaculares, como por exemplo um colapso estelar, ou uma colisão galáctica. Sem a matemática, o universo ainda estaria envolto em trevas. Ela desenvolveu a linguagem que usamos para nos comunicarmos com as estrelas.
Antes de Galileu apontar sua luneta para o céu, ou Kepler ter descoberto que os planetas se movem em torno do Sol em elipses, e Newton ter encontrado uma constante gravitacional, a matemática usada permitia apenas uma compreensão bem limitada do universo. Para entendermos como chegamos a um nível tão elevado de descobertas através dela, é preciso primeiramente fazer um breve relato de como estas conexões foram se estabelecendo ao longo do tempo.

A matemática surgiu nas primeiras tribos humanas, anteriores à cultura babilônica, onde se encontram os seus primeiros registros organizados. Ela foi usada como uma forma de manter o controle dos ciclos lunares ou solares, e fazer a contagem de animais, alimentos ou pessoas. A aritmética simples parece estar entrelaçada em nossa própria natureza. Aqueles que dizem não ter talento para a matemática estão redondamente enganados porque, assim como todos nós temos uma mente para respirar, ou piscar, temos também a capacidade inata para entender a aritmética.
A matemática foi sendo construída ao lado do desenvolvimento humano, e continuou da mesma forma com cada cultura que estava criando-a simultaneamente. É maravilhoso observar que culturas que não tinham contato umas com as outras estavam desenvolvendo construções matemáticas semelhantes sem se comunicarem entre si.

Quando Galileu começou a medir as taxas com que os objetos caem, em uma tentativa de mostrar matematicamente que a massa tinha pouco a ver com a velocidade e tempo de queda, o futuro da humanidade seria alterado para sempre.

Essa ideia de o universo nos motivar para entendermos mais através da matemática pode ser notada na forma como Johannes Kepler observou as posições dos planetas, e em seguida, como ele teria aplicado a matemática para desenvolver um modelo bastante preciso do sistema solar, bem como um método para prever os movimentos planetários.
Esta é uma das muitas manifestações que ilustram a importância da matemática dentro de nossa história, especialmente dentro da astronomia e da física.

Ela se torna ainda mais incrível mais a frente quando se depara com um dos pensadores mais inspirados que a humanidade já conheceu: Sir Isaac Newton. Ao ponderar sobre os movimentos do cometa Halley, ele chegou à conclusão de que a matemática utilizada até então para descrever o movimento físico de corpos maciços, simplesmente não era suficiente.
Em uma demonstração de genialidade, Newton desenvolveu cálculos capazes de não só modelar com precisão o movimento do cometa Halley, mas também de qualquer outro corpo celeste que se movesse pelo céu:
                                                  

Nesta fórmula é possível ver a 3ª Lei de Kepler, mas com os valores adicionais da constante gravitacional G, M e m representando as massas dos dois organismos em questão, a equação não ficaria mais restrita apenas ao nosso sistema solar.
O que Newton percebeu foi que quando as coisas se movem de forma não-linear, a álgebra básica não iria produzir a resposta correta. 
Aqui reside talvez uma das principais diferenças entre álgebra e cálculo. Álgebra permite encontrar a inclinação (taxa de variação) de linhas retas (taxa constante de mudança), enquanto o Cálculo permite encontrar a inclinação de linhas curvas (taxa variável de mudança). Existem, obviamente, muitas outras aplicações do Cálculo, mas esta é uma diferença fundamental entre os dois, que mostra o quão revolucionário se tornou este novo conceito. Os movimentos dos planetas e outros objetos que orbitam o sol tornaram-se mais precisamente mensuráveis. 

A versão da Terceira Lei de Kepler de Netwon podia agora ser aplicada a quase tudo que estivesse orbitando outra coisa. A partir de outros dados, era possível determinar a massa de qualquer um dos objetos, a distância entre eles, a força da gravidade exercida, e outras qualidades físicas construídas a partir destes cálculos simples.
Com sua compreensão da matemática, Newton foi capaz de derivar a constante gravitacional para todos os objetos do universo:  (G = 6,672 × 10 - ¹¹ N m²/ kg²). Esta constante lhe possibilitou unificar astronomia e física, e então permitiu previsões sobre como as coisas se moveriam no universo. Podíamos medir as massas dos planetas (e do sol), mais precisamente, simplesmente de acordo com a física newtoniana, e a partir disso, poderíamos aplicar esta língua recém-descoberta para o cosmos, e começar a desvendar e divulgar seus segredos. Este foi um momento decisivo para a humanidade, em que todas essas coisas que impossibilitavam os nossos entendimentos anteriores a esta nova forma de matemática estavam agora ao nosso alcance, prontas para serem descobertas.

Descoberta de Netuno
Talvez o melhor exemplo do poder que a matemática nos concedeu, deu-se logo em seguida, na descoberta do planeta Netuno. Até sua descoberta em setembro de 1846, planetas tinham sido descobertos simplesmente observando a maneira estranha como eles se moviam contra o pano de fundo das estrelas.
Trajetória de movimentro retrógrado de Marte observado durante várias noites
O termo planeta em grego significa "errante". Essas "estrelas" peculiares atravessam o céu em padrões visíveis em diferentes épocas do ano. Depois que Galileu mirou seu telescópio pela primeira vez para cima, começamos a pensar na hipótese de que estes outros mundos poderiam parecer-se com o nosso.
De fato, alguns desses mundos pareciam ter eles próprios pequenos sistemas solares, como Galileu constatou, quando começou a observar, relatar e desenhar as órbitas das luas de Júpiter.
Ilustração feita por Galileu, de Júpiter e seus 4 maiores satélites,publicada no Sidereus Nuncius (1610)
Depois que Newton apresentou suas equações da física para o mundo, os matemáticos estavam prontos e animados para começarem a aplicá-las. Era como se estivéssemos com sede de conhecimento e, finalmente, alguém tivesse aberto a torneira. Começamos a medir os movimentos dos planetas e construir modelos mais precisos para explicar como eles se comportavam. Usamos também essas equações para estimar a massa do Sol.
Fomos capazes de fazer previsões notáveis que foram validadas por observações. Não havia precedentes para o que estávamos fazendo. Usávamos a matemática para fazer previsões dos movimentos dos planetas, que em seguida eram comprovadas na realidade. No entanto, também começamos a descobrir algumas discrepâncias ímpares a respeito de certos movimentos. Urano, por exemplo, não estava se comportando como deveria de acordo com as leis de Newton.

O que faz com que a descoberta de Netuno tenha sido  tão extraordinária foi a forma como ele foi descoberto. Olhando para os números, tinha que haver algo para mais além da órbita de Urano, perturbando sua trajetória regular.
O problema chegou ao matemático francês Urbain Le Verrier (figura), que debruçou-se meticulosamente sobre as equações matemáticas da órbita de Urano. Ele estava usando as equações para concluir que deveria haver um objeto além da órbita de Urano, que também estava orbitando o sol, a uma distância específica, com uma determinada massa que provocaria as irregularidades na órbita de Urano. Confiante em seus cálculos matemáticos, ele levou seus números para o Observatório de New Berlin, onde o astrônomo Johann Gottfried Galle olhou exatamente no ponto onde mostravam os cálculos, e lá estava o oitavo planeta do nosso sistema solar, menos de 1 grau fora de onde os cálculos de Verrier diziam que deveria estar. O que tinha acontecido era uma confirmação incrível da teoria da gravitação de Newton e provou que a sua matemática estava correta.
Netuno é mais do que apenas o oitavo planeta do nosso sistema solar; é uma lembrança celestial do poder que a matemática pode nos conceder. (veja a foto mais próxima até hoje tirada de Netuno, enviada pela espaçonave Voyager 2, em 20 de agosto de 1989)
Estes tipos de ideias matemáticas continuaram por muito tempo depois de Newton. Eventualmente, começamos a aprender muito mais sobre o universo com o advento da tecnologia. A partir da virada do século 19 para o século 20, a teoria quântica começou a tomar forma, e logo percebemos que a física e matemática newtoniana pareciam não ter nenhuma influência sobre o que observamos ao nível quântico. 
Em outro acontecimento importante na história da humanidade, mais uma vez trazido pelo avanço da matemática, Albert Einstein apresentou suas Teorias da Relatividade Especial e Geral, que era uma nova forma de olhar não só para a gravidade, mas também sobre a energia e o universo em geral.
O que a matemática de Einstein fez foi permitir-nos mais uma vez estabelecer um diálogo mais profundo com o universo, em que nós começamos a entender suas origens. 
Ocorre que agora existem dois ramos da física que não se alinham. A física Newtoniana ou física clássica, que funciona extraordinariamente bem com as coisas muito grandes (planetas, galáxias, etc...) e a física quântica que explica o mundo das coisas extremamente pequenas (as interações das partículas sub-atômicas, luz, etc...). Atualmente, essas duas áreas da física têm se constituído em dois dialetos diferentes de uma mesma língua. São semelhantes e ambos funcionam, mas eles não são facilmente conciliáveis um com o outro. Um dos maiores desafios que enfrentamos hoje está sendo tentar criar uma grande "teoria de tudo" matemática que une tanto as leis do mundo quântico com o do mundo macroscópico, ou explicar tudo apenas em termos da mecânica quântica. Esta não é uma tarefa fácil, mas os físicos têm-se esforçado muito neste sentido.

Como você pode ver, a matemática é a linguagem do universo, e ao aprendê-la, você estará abrindo caminhos para se aproximar dos mecanismos fundamentais pelos quais o Cosmos atua. É o mesmo que viajar para uma nova terra, e, lentamente, ir entendendo a língua nativa do povo de tal forma que você comece a aprender com eles. É através deste esforço matemático que nós, uma espécie ligada ao nosso sistema solar, poderemos explorar as profundezas do universo. 
Não há simplesmente nenhuma possibilidade de irmos até o centro da nossa galáxia e observarmos o buraco negro supermassivo que se supõe existir lá para confirmarmos esta previsão.  Não há também nenhuma maneira de nos aventurarmos em uma nebulosa escura e assistirmos em tempo real, uma estrela nascendo. No entanto, através da matemática, somos capazes de entender como essas coisas existem e funcionam. Quando você decide aprender matemática, não está apenas expandindo sua mente, mas conectando-se com o universo em um nível fundamental.
É incrível a nossa capacidade de traduzir os números para entender melhor os acontecimentos que todos nós gostamos de aprender. Então, quando você tiver a oportunidade de aprender matemática, lembre-se que ela nos aproxima e conecta com as estrelas.

Fontes:
http://www.todooceu.com/detalhamento/generalidades_plutao.html
http://www.universetoday.com/120681/mathematics-the-beautiful-language-of-the-universe/
http://fisicadiscutida.blogspot.com.br/2012/05/gravidade-newton-x-einstein.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Netuno_(planeta)
http://www.if.ufrgs.br/mpef/mef008/aulas_11/Galileu_observacoes_tel_v3.htm
http://www.fisica-interessante.com/biografia-isaac-newton.html

O espectro de som audível

Assim como ocorre com as ondas eletromagnéticas em que apenas uma estreita faixa do espectro de frequência pode ser vista pelos nossos olhos, no caso das ondas sonoras, um ser humano com audição normal pode escutar somente frequências entre 20 Hz e 20.000 Hz. Frequências menores são chamadas de infrassom, e maiores de ultrassom.
O infrassom pode se propagar por longas distâncias, pois é menos sujeito às perturbações ou interferências. Infrassons podem ser produzidos pelo vento e por alguns tipos de terremotos. Os elefantes são capazes de emitir infrassons que podem ser detectados a uma distância de 2 km.
O ultrassom é usado em muitos campos. Dispositivos ultrassônicos são usados para detectar objetos e medir distâncias. A ultrassonografia é usada na medicina, e em testes não destrutíveis, para detectar falhas em produtos e estruturas. 
É bom ter uma noção dos tipos de ondas, suas aplicações e seus possíveis efeitos sobre nosso corpo e nossa saúde. Em um mundo cada vez mais dependente destes recursos, é importante saber identificá-las e distinguí-las.

O video a seguir mostra os sons que nossos ouvidos podem captar, iniciando com a frequência de 20 Hz e indo até 20.000 Hz. Aumente o volume e teste para ver se consegue ouví-las do começo ao fim. No teste que eu fiz, só usando o som do notebook, não consegui escutar as frequências iniciais, mas depois que adaptei uma caixinha com amplificador ficou mais fácil ouví-las. Por isso, não se preocupe se também não ouvir as frequências iniciais e finais, pois pode ser uma limitação do seu sistema de som. 

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Infrassom
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ultrassom

Lei da Física aplicada em simulação do comportamento de chimpanzés. Coincidência?

Os seres vivos são dotados de um senso de consciência, e interagem e aprendem com o universo em torno deles. Cada nível de interação envolve a transferência de informações de vários tipos, e em diferentes níveis. Os segmentos da informação estão interligados uns aos outros, e juntos constituem o universo.  Investigações interdisciplinares são feitas por cientistas de renome que trabalham nas áreas da fronteira da ciência. É uma fronteira onde a física, a matemática e  a biologia se fundem.

Uma dessas equipes de cientistas da Universidade de Búfalo, para simular o comportamento dos chimpanzés, criou um modelo de computador baseado em equações normalmente usadas ​​para descrever o movimento dos átomos e moléculas em um espaço confinado.
Com o desmatamento, as mudanças climáticas e outras pressões ameaçando os habitats, como é que os chimpanzés se adaptam?
A equipe de investigação interdisciplinar voltou-se para as leis físicas que regem a matéria para explorar uma faceta dessa questão: como os animais se agrupam e viajam através do seu território, conforme diminui o espaço que eles compartilham com outros membros de sua espécie.

Eles testaram o tipo de modelagem que usamos para a física para que se adaptasse ao comportamento dos animais, e se surpreenderam. O modelo mostrou como a competição por um importante recurso alimentar afeta a forma como os chimpanzés se espalham em uma determinada área.

A simulação foi replicando com êxito certos comportamentos de chimpanzés relatados na literatura acadêmica, as quais os investigadores têm testemunhado em estado selvagem. O modelo poderia ser ampliado no futuro para prever como um habitat encolhido pode afetar as populações de chimpanzés.

Chimpanzés como partículas 
A técnica de modelagem usada pela equipe era bastante simples. Eles modelaram cada chimpanzé como  se fosse uma partícula que pode se sentir atraída ou repelida por outros objetos na vizinhança. Decidiram que todos os chimpanzés seriam atraídos por comida e repelidos por outros chimpanzés, que competem pela comida.

A equação usada na simulação foi a da Segunda Lei do Movimento, elaborada por Isaac Newton, que afirma que aceleração é igual à força dividida pela massa. Os chimpanzés eram as massas na equação, enquanto as forças eram de atração e repulsão à comida de outros chimpanzés. Ao atribuir valores para cada força e feita a determinação da distância em que as forças começam a afetar os chimpanzés, a equipe foi capaz de simular a direção e velocidade que os animais se moviam em relação à alimentação e aos outros.

O modelo efetivamente reproduziu alguns comportamentos de chimpanzés vistos na natureza. Uma vez que a simulação tinha funcionado por algum tempo e chegou a um estado de equilíbrio, observaram-se chimpanzés juntando-se em grupos separados no território, assim como fazem na natureza. Viram também alguns membros de cada grupo migrando para se juntar a outros grupos, o que é um comportamento comum apresentado por fêmeas nestas sociedades.
Os pesquisadores também tiveram sucesso em expandir seu modelo básico para imitar as características observadas de um grupo de chimpanzés na Guiné (África ocidental), que tinha acesso limitado a alimentos. Para fazê-lo, a equipe fez alterações que incluíram redução do número de fontes de alimentos e tornando disponíveis chimpanzés machos e fêmeas atraídos um pelo outro.
Em equilíbrio, esta simulação expandida mostrou muitos chimpanzés machos deixando seu grupo nativo para se juntarem a outro grupo ou viverem sozinhos. Tal comportamento é um pouco incomum para os humanos, que tendem a permanecer em seus grupos nativos, mas é exatamente o que um pesquisador de primatas viu ao estudar os chimpanzés na Guiné há mais de 20 anos.

É um bloqueio mental para nós imaginarmos criaturas vivas podendo ser tratadas como partículas, mas, na realidade, muitas decisões que os animais fazem são baseadas em atrações e repulsões: atração para alimentos e outros recursos, e repulsão pelo perigo. 
Uma hipótese que não podemos descartar, no entanto, é que tenha sido uma grande coincidência que o modelo tenha funcionado neste caso. Mas também para isso que serve a Ciência. Para abrir novos horizontes de pesquisas, envolvendo desta vez várias áreas do conhecimento, possibilitando que outros possam futuramente validar ou não uma determinada teoria.
Eu, como apreciador da Física, achei muito interessante saber que pode haver um paralelo entre as equações que ensino para os meus alunos e o comportamento de animais, que podem assim ser analisados através destes modelos.

Fonte:
http://phys.org/news/2015-03-newton-laws-motion-chimp-behavior.html

A importância dos erros nas ciências

Refletindo um pouco sobre minha profissão de professor de Física, fiquei pensando como as vezes sem querer, passamos aos alunos a ideia de que eles devem absorver os conteúdos, e em seguida responderem corretamente às perguntas que fazemos nas provas. Isso pode dar a impressão de que em todas as áreas os conhecimentos se encontram totalmente prontos, e aos educandos só restaria o trabalho de entenderem como eles foram adquiridos ao longo da História.
Ensinamos as crianças como se as respostas corretas fossem mais importantes do que as perguntas corretas.
Não saber sobre algo é natural e mais pais e mais professores deveriam estar dispostos a dizer: eu não sei a resposta, mas vamos tentar descobrir como podemos obtê-la.
Eu penso que é isso que tínhamos que ensinar nas escolas. A ciência é um processo de tentar entender este mundo complicado e descobrir o como e o porque das coisas serem como são, através do levantamento de hipóteses e testes para confirmá-las ou não. Não só pesquisadores se utilizam deste método, na Física e nas Ciências, mas todos nós, no dia-a-dia, em qualquer problema que enfrentamos, por exemplo quando tentamos fazer funcionar um computador ou celular, ou ao procurarmos o local de um vazamento de água em nossas casas. Isto ocorreu comigo recentemente. Em meu apartamento, apareciam poças d'água debaixo da pia da cozinha, mas minha esposa não sabia me informar como elas se formavam. De onde vinha o vazamento? Seria pela parede, pela cuba de inox? Considerei inicialmente as várias possibilidades. Aos poucos, fui abandonando hipóteses incorretas e consegui descobrir que o vazamento vinha de trás, através de um vão entre a pia e a parede. 
Utilizei no local, um rejunte branco e silicone, mas o vazamento continuou, embora tivesse diminuído. Fui fechando o cerco e experimentei colocar uma camada maior de rejunte e silicone, para que criasse uma "rampinha" entre a pedra da pia e a parede. Consegui resolver o problema e o vazamento cessou.

Mesmo quando alguém nos conta alguma coisa, precisamos estar "armados" com o Método Científico para não acreditarmos em qualquer bobagem. No caso das pseudociências, as pessoas parecem ter uma queda a acreditar em algo que, para elas, não conseguimos lidar por falta de provas ou evidências, mas que julgam ter um fundamento sobrenatural ou espiritual, campo no qual a ciência não teria capacidade de realizar pesquisas. Mas é justamente por causa desta falta de evidências que a ciência não entra neste jogo.
O filósofo Sócrates dizia: "Só sei que nada sei". Esta frase não deve ser interpretada ao pé da letra, pois todos nós sabemos de uma forma ou de outra sobre alguma coisa, mas ela serve para entendermos a humildade deste grande pensador, que preferia instigar sempre o pensamento, em busca de um aprimoramento para compreender diversos assuntos da melhor forma possível.

A necessidade de saber e responder tudo certo, da maneira como nos foi ensinada, para  que não falhemos quando perguntados, dando-nos a sensação de sermos melhores do que os outros, pode ter ramificações extremamente prejudiciais para a busca do conhecimento. A ciência progride por testar ideias fora do estabelecido, refutando as concepções anteriores e, gradualmente, chegando mais perto da verdade no centro do fenômeno a ser estudado.

Fonte:
http://physics.about.com/b/2014/05/30/importancefailure.htm

Consumir álcool: uma necessidade evolutiva

Nosso gosto por álcool já dura milhões de anos. Agora, uma pesquisa genética revela novidades sobre este antigo relacionamento humano.

Um novo estudo descobriu que os nossos antepassados adquiriram a capacidade de digerir o álcool há cerca de 10 milhões de anos, entre um ancestral comum a humanos, chimpanzés e gorilas, e certamente bem antes de nós aprendermos a fabricá-lo. Isso sugere que o álcool tornou-se parte da dieta humana muito mais cedo do que se pensava, e de uma forma que teve implicações significativas para a sobrevivência da espécie humana.

Os seres humanos carregam com eles as assinaturas genéticas de seus hábitos de alimentação ancestrais. As variantes genéticas que tornam novas fontes de alimento disponíveis podem proporcionar enormes oportunidades para aqueles que as possuem.
A tolerância ao álcool pode ter tornado possível comer frutas muito maduras que tinham caído no chão e começado a fermentar naturalmente. Esta adaptação teria fornecido aos nossos antepassados uma fonte de alimento abundante para a qual havia poucos concorrentes.

O metabolismo do álcool após a ingestão é um processo complexo que envolve uma série de enzimas diferentes. A maior parte que é ingerida é discriminada no intestino e no fígado. O novo estudo centrou-se na enzima ADH4 pelo fato de ela ser abundante no intestino. Testes indicaram que a ADH4 encontrada em seres humanos, gorilas e chimpanzés é 40 vezes mais eficiente na metabolização do álcool do que a forma encontrada em espécies mais primitivas.

Como os seres humanos dependem de ADH4 como seu principal meio de digerir o álcool, eles também são suscetíveis às ressacas. Enzimas metabolizam o álcool, convertendo-o em um outro produto químico, o acetaldeído, que provoca o rubor da pele, dor de cabeça e outros sintomas desagradáveis da ressaca.

E agora, para quem quiser assistir, coloquei o vídeo de uma reportagem mostrando animais africanos ficando bêbados pelo consumo de frutas fermentadas.




O custo real da carne

Somente as preocupações com a saúde não vão conseguir reduzir o crescente consumo de carne no mundo. Talvez as preocupações com o meio ambiente sejam mais convincentes.
Apenas poucas décadas atrás, uma refeição contendo carne era tida como um privilégio. Nos dias de hoje, a maioria de nós ocidentais come carne quase todos os dias, e muitos a consomem em todas as refeições. Até mesmo as pessoas provenientes de culturas, digamos, menos carnívoras, estão também mudando seus hábitos. Na China, por exemplo, comer carne tornou-se atualmente uma aspiração.

A produção de carne no mundo subiu de 78 milhões de toneladas por ano em 1963, para 308 milhões de toneladas em 2014.
Deixando de lado as questões em torno da moralidade de se comer animais, o problema é que o planeta não pode suportar esse crescente apetite. A área de pastagem de gado usada no mundo já corresponde a 26% das terras livres disponíveis para esta finalidade, e a indústria da carne é responsável por 15% de todas as emissões de gases do efeito estufa.
Ao longo de décadas, o preço da carne foi diminuindo devido às práticas agrícolas cada vez mais eficientes. Ao mesmo tempo que isso é bom para os consumidores, é ruim para o meio ambiente, em termos de poluição, resistência aos antibióticos, bem como para o clima - e, é claro, principalmente para os próprios animais sacrificados.

Seria viável aumentar o preço da carne para diminuir o consumo?
Os governos têm conseguido reduzir o consumo de álcool e tabaco através dessa prática, mas um "imposto penalizador" sobre a carne não teria uma justificativa tão contundente quanto à estabelecida para quem consome bebidas alcoólicas ou fuma. É claro que há muitas evidências sobre possíveis ligações entre altos níveis de consumo de carne, e a propensão em adquirir câncer e doenças cardíacas. Talvez, uma opção viável seria a de que os governos reduzissem os subsídios agrícolas que sustentam a produção da carne, mas poucos deles resistiriam à pressão contrária dos envolvidos no setor de negócios agropecuários, e até mesmo do próprio mercado consumidor.  

A Persuasão pode funcionar melhor do que a coerção. 
No Reino Unido e nos Estados Unidos, preocupações com a saúde já reduziram o consumo de carne vermelha e processada. Nas últimas orientações dietéticas emitidas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos estão sendo abordados os efeitos sobre o meio ambiente, bem como à saúde. A indústria não vai gostar, mas o público pode achar interessante conhecer melhor os benefícios de adotar uma dieta baixa em carne e gorduras.

Fontes:
http://www.newscientist.com/article/mg22530052.900-the-world-pays-too-high-a-price-for-cheap-meat.html?utm_source=NSNS&utm_medium=SOC&utm_campaign=hoot&cmpid=SOC%257CNSNS%257C2014-GLOBAL-hoot#.VMadsv7F9PK

http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/meio-ambiente/producao-de-carne-bovina-tem-custo-ambiental-maior-do-que-frango-porco-13331946

A Teoria de Tudo - o filme

O filme A Teoria de Tudo é baseado na biografia de Stephen Hawking. O filme mostra como o jovem astrofísico, interpretado pelo ator Eddi Redmayne fez descobertas importantes sobre o tempo, além de retratar o seu romance com a aluna de Cambridge Jane Wide, interpretada pela atriz Felicity Jones, e a descoberta de uma doença motora degenerativa, quando ele tinha apenas 21 anos.
O filme é repleto de cenas muito comoventes, mas em uma das últimas cenas, quando ele já se comunicava através de uma voz sintetizada por um computador, durante uma palestra, ele responde de maneira genial a uma pergunta vinda da plateia. Vou transcrevê-la aqui:

Pergunta: Prof. Hawking. O senhor declarou não acreditar em Deus. O senhor tem alguma filosofia de vida que o ajuda?

Resposta de Hawking: É claro que somos apenas primatas evoluídos, vivendo em um planeta pequeno que orbita uma estrela comum, localizada no subúrbio de uma de bilhões de galáxias, mas desde o começo da civilização as pessoas tentam entender a ordem fundamental do mundo.
Deve haver algo muito especial sobre os limites do universo, e o que pode ser mais especial do que não haver limites?
Não deve haver limites para o esforço humano.
Somos todos diferentes.
Por pior que a vida possa parecer, sempre há algo que podemos fazer em que podemos obter sucesso.
Enquanto houver vida, haverá esperança.

No final, a plateia o aplaude de pé pela resposta.