Ciência, luz, religiões e verdades

Eu tentei encontrar uma luz que me ajudasse a pensar em algo interessante sobre Física para postar aqui no blog, após um longo tempo ausente, devido à correria no meu novo emprego, e no final das contas acabei optando por falar um pouco sobre religião, este assunto que muitos consideram indiscutível, mas que na prática tem sido o causador de intermináveis debates, revelando grandes divergências de pensamentos devido às várias maneiras com que cada um interpreta e adota ao seu modo diferentes filosofias de vida.
O problema é que não consigo ficar quieto quando vejo que algumas destas doutrinas se metem em áreas que a Ciência já demonstrou ter muito maior domínio de causa.

É certo que os pilares básicos da Ciência que a humanidade levou tanto tempo para edificar, através de observações críticas e contínuas, das anotações dos erros e acertos, das tentativas e experiências bem ou mal sucedidas, já deram provas suficientes de que são muito consistentes. Como não concordar, por exemplo, que as contribuições da Ciência foram de grande valia para ampliarmos a nossa qualidade e expectativa de vida?
Sendo assim, não consigo entender como é que alguém que tenha tido a oportunidade de estudar e aproveitar pelo menos um pouco das coisas positivas passadas pela escola que frequentou, possa seguir e praticar rituais de uma determinada religião que advoga explicações tão ingênuas e simplistas para questões que há muito tempo angustiam a humanidade, tais como a origem das espécies ou o surgimento do Universo.
Usando na maioria das vezes argumentos baseados apenas no que está escrito em um ou outro livro qualquer, que consideram sagrados, e cujas colocações e inserções são tidas como dogmas inquestionáveis, cada uma dessas religiões têm as suas explicações para estas questões.
Para que entendam melhor por que eu acho que as pessoas poderiam evitar ficar ao longo de suas vidas, moldando seus pensamentos somente de acordo com o que propõem estes livros, vou usar ideias de um antigo pensador árabe, citado no 5º episódio da nova série Cosmos.

Cosmos - Escondido na Luz
Neste episódio, o astrofísico Neil deGrasse Tyson fala sobre os estudos de Newton, Herschel, e outros cientistas, com relação às propriedades da luz. Cita o exemplo da Câmara Escura, assunto muito interessante sobre o qual já escrevi aqui, e o infravermelho, que eu escolhi não por acaso para dar título a este meu blog. Ele explica de que maneira as investigações e descobertas dos fenômenos luminosos abriram novos horizontes, possibilitando um melhor entendimento sobre as composições das estrelas e galáxias distantes, permitindo que determinássemos até mesmo a própria consistência de todo o Cosmo.
Há um trecho narrado neste episódio, que eu gostei tanto que até fiz questão de transcrever aqui. As palavras são atribuídas a um árabe chamado Alhazen (imagem), que viveu de 965 a 1040 d.C., e que foi um dos primeiros a adotar uma postura crítica de raciocínio que se aproximava muito da usada no que conhecemos atualmente como o Método Científico. Leiam:


"Encontrar a verdade é difícil, e o caminho é acidentado. Como buscadores da verdade, o melhor é não julgar e não confiar cegamente nos escritos dos antigos. É preciso questionar e examinar criticamente o que foi escrito, por todos os lados. É preciso aceitar apenas o argumento e a experiência, em vez do que qualquer pessoa diz, pois todo ser humano é vulnerável a todos os tipos de imperfeição. Como buscadores da verdade, devemos suspeitar e questionar nossas próprias ideias ao investigarmos fatos, para evitar preconceitos ou pensamentos descuidados. Sigam este caminho e a verdade vos será revelada."

Bacana, não acham? Este é um modo de pensar sobre todas as coisas, que a mim aparenta ser um dos mais compensadores de serem praticados. Essas palavras de Alhazen, mesmo que as vezes soem até meio proféticas, ou que pareçam ter sido redigidas por um apóstolo, é o tipo de filosofia que não encontra um paralelo naqueles livros considerados doutrinadores, nos quais não deve haver espaço para propaganda a favor do livre pensamento. Neles, os benefícios aos fiéis seguidores são fáceis de serem identificados, e os deveres, datas, e frequência aos rituais não devem ser questionados, mas sim pontualmente seguidos. Além do mais, sugere-se neles que não se pode contrariar as tradições religiosas seculares, pois sendo elas já tão duradouras, não poderiam estar equivocadas, não é verdade?


Tempo, costumes e tradições eternizando a "verdade"
Este é o problema. Cada vez mais a Ciência, pelo fato de defender ideias tão diferentes das que professam estes intocáveis "sagrados" escritos, inevitavelmente acaba entrando em rota de colisão com as religiões mais difundidas no mundo. Porém, o que me deixou mais transtornado foi ver que na estréia do novo seriado Cosmos, que na minha opinião foi um dos melhores presentes que recebemos neste ano de 2014, adeptos de religiões fundamentalistas dos EUA criticaram e tentaram censurar trechos. Um absurdo sem tamanho.
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Um modelo para explicar os eclipses

Um dos acontecimentos astronômicos mais bonitos e esperados deste ano é o eclipse total da Lua, que ocorrerá no próximo dia 15 de abril, e que poderá ser observado em todo o país a partir das 3 h da manhã. Por volta das 4 h, o eclipse atinge o seu auge, quando então a sombra da Terra terá diminuído quase totalmente a claridade refletida pelo Sol no nosso satélite natural.

Explicando eclipses aos meus alunos
A escola na qual comecei a dar aulas de Física a partir deste ano, faz parte de um programa relativamente novo do Governo do Estado de São Paulo, chamado de Escola de Tempo Integral. Na outra escola em que eu estava anteriormente, eu dava aulas somente das 7 h da manhã até às 12 h e 20 min, e depois ia para casa almoçar e passava a tarde livre, preparando aulas, corrigindo provas, dando aulas particulares ou cuidando das necessidades do lar e da minha família. Agora, eu entro às 7 h, almoço na escola e fico até as 16 h e 20 min. A vantagem - além do salário aumentado em 75% do anterior - é que em alguns momentos posso me dedicar mais à preparação de experimentos nos dois laboratórios, que foram reformados, e que por sinal ficaram muito bonitos. Consegui alguns materiais antigos que estavam em um depósito da escola e fui adaptando e montando alguns experimentos simples. Outra característica deste novo modelo de escola pública é que há disciplinas chamadas de eletivas, que os alunos escolhem de acordo com o gosto de cada um. Resolvi montar a disciplina de Astronomia e consegui 30 alunos matriculados. Na primeira aula, achei legal passar para eles em um telão, o primeiro episódio da nova série Cosmos, com Neil deGrace Tyson. Eles gostaram. Também já agendei para o dia 10 de abril uma visita ao Observatório Astronômico de Piracicaba.

Na aula da semana passada eu ia passar para eles o filme Gravidade, que eles próprios haviam sugerido, mas de última hora, descobri que o projetor da escola já estava sendo requisitado por outra professora, no caderno que usamos para reserva. Pensei bastante no que eu iria fazer com eles, e então resolvi preparar uma aula sobre eclipses. Existem vários livros, filmes, e videos, mostrando os dois tipos de eclipses, lunar e solar, mas achei que seria legal montar um modelo para explicar pessoalmente. Fui no laboratório, encontrei um canhão de luz que estava funcionando e pensei imediatamente em usá-lo para representar o Sol. Com mais algumas peças, encaixando aqui e ali, parafusos e fita crepe, e depois de algumas horas no laboratório consegui montar um modelo razoável.
Lembrei-me que eu tinha um globinho da Terra em casa, achei uma bolinha branca de borracha, com o diâmetro aproximadamente quatro vezes menor do que o globinho, e pronto.

Já durante a aula, inicialmente perguntei a cada grupo de alunos se eles sabiam dizer quanto tempo, mais ou menos, a Lua gasta para dar uma volta em torno da Terra, e me surpreendi com as respostas. Poucos alunos acertaram que o tempo é de aproximadamente um mês. Depois disso, com o auxílio de minha maquete, fui fazendo outras perguntas provocativas. Uma delas foi: Mas então, se a Lua leva aproximadamente um mês para dar uma volta completa em torno do nosso planeta, porque não temos, um eclipse do Sol e um eclipse da Lua a cada mês?  Novamente, poucos alunos souberam responder, usando a diferença entre o plano de órbita Sol-Terra, e o plano Terra-Lua. Aproveitei então para explicar mais essa característica para eles.
Como o globinho da Terra podia ser girado, mostrando a rotação, expliquei para eles a sorte que teremos de poder observar daqui do Brasil o próximo eclipse do dia 15.  
No final das contas, fiquei satisfeito com o resultado da minha ideia, pela curiosidade e participação dos alunos em aprender, e então, quando eles já haviam saído da aula, decidi tirar umas fotos. Vejam que boa estrutura do laboratório. Dizem que o governo irá enviar material novo para realizarmos novas experiências. Enquanto isso, vou me virando, improvisando com o que eu encontro por lá. 
Posição mostrando o eclipse do Sol.





Contagem regressiva para o eclipse total da Lua
Um bom site que encontrei sobre o eclipse do dia 15, mostra uma contagem regressiva para o acontecimento do evento, bem como outras valiosas informações. Para quem tiver interesse e quiser dar uma olhada, aí vai o link:
http://www.vercalendario.info/pt/lua/brasil-15-abril-2014.html
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É perigoso usar plásticos no micro-ondas?

Outro dia, durante o intervalo de aulas na minha escola, uma das professoras, ao preparar um chá, resolveu usar o micro-ondas para esquentar água em um copinho de plástico, destes mesmos descartáveis que usamos para tomar água no bebedouro. No mesmo instante, outra professora alertou a nossa colega, dizendo que o plástico, ao ser aquecido, libera toxinas na água. Eu fiquei curioso e resolvi então fazer uma pesquisa sobre o assunto aqui na Internet, para ver do que se tratava, e cheguei a alguns sites que me ajudaram a entender melhor esta questão. 
Em um deles, uma nutricionista informa que a maioria dos plásticos contém em sua composição uma substância química maleável chamada Bisfemol A, ou BPA. Segundo ela, ao ser esquentado, o plástico libera uma pequena quantidade desta substância no alimento ou líquido que estamos aquecendo, e ao fígado cabe o papel de identificá-la e excretá-la, mas parte dela pode ficar acumulada no nosso organismo. Procurei então buscar mais informações sobre o BPA, e vejam o trecho que destaco no site da wikipedia:

"Bisfenol A ou BPA é um difenol, utilizado na produção do policarbonato de bisfenol A, o policarbonato mais comum, e de outros plásticos. A substância é proibida em países como Canadá, Dinamarca e Costa Rica, bem como em alguns Estados norte-americanos, mas no Brasil era utilizada na produção de garrafas plásticas, mamadeiras, copos para bebês e produtos de plástico variados, sendo proibida apenas ao final de 2011, com prazo até ao final de 2012 para a retirada do produto das prateleiras e estoques."

Nesta mesma página da Wikipedia, quase que por acaso, vi lá no rodapé um link de um artigo da Folha de São Paulo informando que a cidade onde moro (Piracicaba) foi a primeira no Brasil a proibir o uso do BPA. E eu nem sabia disso até então.

Em um outro artigo do site da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), é usado um tom um pouco mais moderado. Vejam um trecho do artigo:

"Em 2010 a OMS realizou uma reunião com especialistas de vários países para discutir o assunto e a conclusão do relatório destaca os seguintes pontos: para muitos dos desfechos estudados a exposição ao BPA é muito inferior aos níveis que causariam preocupações, não incorrendo em problemas de saúde; estudos de toxicidade sobre desenvolvimento e sobre reprodução, nos quais são avaliados os desfechos convencionais, somente apresentam problemas em doses elevadas, quando apresentam; alguns poucos estudos mostraram associação de desfechos emergentes (como desenvolvimento neurológico específico ao sexo, ansiedade, mudanças pré-neoplásicas nas glândulas mamárias e próstata de ratos e parâmetros visuais do esperma) com doses mais baixas de BPA. Segundo os especialistas, devido à considerável incerteza relacionada com a validade e relevância destas observações referentes a baixas doses de BPA seria prematuro afirmar que estas avaliações fornecem uma estimativa realista do risco à saúde humana. No entanto, estes resultados devem orientar estudos a fim de reduzir as incertezas existentes.
Por precaução, alguns países, inclusive o Brasil, optaram por proibir a importação e fabricação de mamadeiras que contenham Bisfenol A, considerando a maior exposição e susceptibilidade dos indivíduos usuários deste produto. Esta proibição está vigente desde janeiro de 2012 e foi feita por meio da Resolução RDC n. 41/2011. Assim, mamadeiras em policarbonato não podem ser comercializadas no Brasil."


Alguns nutricionistas recomendam que as pessoas procurem evitar os plásticos no uso como recipientes para esquentar comidas ou líquidos, dando preferência aos recipientes de vidro, ou procurando usar somente plásticos que não tenham em suas composições o BPA, e há até um selo que eu imaginei que fosse padronizado, que é este que eu reproduzi na figura. Lá fui eu então procurar na minha cozinha alguns potinhos de plástico. Encontrei dois pratos usados por crianças, pelo fato de serem mais seguros do que os de vidro, caso ocorra uma queda no chão. Procurei pelo tal selo informado, mas infelizmente não achei em nenhum deles. No entanto, minha busca fez com que eu me deparasse com alguns símbolos diversos, tais como os que mostro a seguir:
Em alguns dos potinhos e pratos que encontrei em casa havia estes símbolos, indicando que o produto poderia ser usado em micro-ondas. Não me perguntem quem ou que órgão estaria fiscalizando, com eficiência, se realmente estes produtos estariam livres do BPA. Pelo que vi, muitos recipientes plásticos não apresentavam nenhum símbolo destes, o que me leva a pensar que não seriam indicados para serem usados no aquecimento de alimentos. Será que a maioria das pessoas sabe disso? Acho que não. Eu mesmo, antes de 2012, já havia usado várias vezes o micro-ondas para aquecer leite nas mamadeiras de plástico de minha filha.
Vou colocar aqui algumas fotos que eu tirei, para entendermos um pouco melhor.
No caso deste prato de plástico, identifiquei no verso o fabricante do produto: PLÁSTICOS RAINHA. No mesmo local, havia a informação de que a fábrica fica localizada na cidade de Pedreira-SP-Brasil, e havia também outros dois símbolos: o mais comum que encontrei em quase todos os produtos de plástico que verifiquei é o símbolo de reciclagem, dizendo tratar-se de polipropileno (PP), um triângulo com flechinhas e o número 5 dentro. O outro símbolo, com o desenho de uma tacinha ao lado de um garfo (terceira foto), indica que o produto pode ser usado sem problemas para se fazer refeições.

Tendo em vista a legislação brasileira que informei anteriormente através do trecho do site da ANVISA, e que vigora desde janeiro de 2012, suponho que este prato, mesmo sem os símbolos adequados, já não tivesse sido fabricado contendo o BPA.

Por via das dúvidas, pesquisei e achei o site do fabricante, mas infelizmente não vi lá nenhuma nota sobre os vários tipos de produtos de plástico que eles fabricam, e se são adequados ou não para aquecimento em micro-ondas. Havia apenas um link de contato, mas não me dispus a enviar minhas dúvidas sobre o assunto. Fiquei com a sensação de que talvez tenhamos ainda muito que caminhar para estabelecermos uma maneira um pouco mais simples de passar diretamente ao consumidor as informações necessárias através de um símbolo padronizado.

Vejam agora este outro caso de um pratinho (foto) que veio de brinde em uma caixa de cereais que comprei há um tempo para minha filha. O fundo estava meio apagado, mas com o auxílio de uma lupa pude ver que além do símbolo que dizia que o produto poderia ser usado para refeições, havia ao lado o símbolo de um micro-ondas, parecido com um dos que eu mostrei anteriormente. É possível ver na segunda foto, ao lado da figura com a tacinha e o garfo,  abaixo do símbolo do micro-ondas, a indicação da potência máxima a que o pratinho pode ser exposto, que no caso é de 1000 W.

Vejam o caso de um recipiente destes com tampas, que as pessoas usam para guardar alimentos. O primeiro símbolo a partir da esquerda é de um micro-ondas, e o seguinte diz que o produto pode ser usado também no congelador.
Finalmente, para tentar esclarecer-me da melhor forma possível sobre a afirmação da professora a respeito dos problemas que poderiam ser causados, caso sua colega tivesse usado a água esquentada no copinho de plástico, encontrei uma embalagem deles e obtive informações, tanto na embalagem como no próprio copo. Vejam:
A informação da embalagem diz:
Material poliestireno não tóxico - Temperatura máxima de uso 100ºC. O que eles estão querendo dizer neste caso é que se o copinho atingir temperaturas maiores do que 100ºC ele derrete. Suponho que estes copos não contenham o BPA, caso contrário, penso que realmente qualquer um deve evitar usá-los para esquentar água. Não creio que possamos confiar plenamente nos órgãos brasileiros responsáveis pela fiscalização constante dos produtos e processos usados na produção dos recipientes de plástico usados por nós para esquentar alimentos. Na dúvida, é melhor optar por usar copos de vidro ou xícaras de cerâmica esmaltada. No caso dos plásticos, a liberação de toxinas pode ser em doses pequenas, mas quem garante que o acúmulo delas, ao longo de anos de práticas repetidas não possa causar algum problema para nós no futuro?

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bisfenol_A 
http://www.tecmundo.com.br/eletrodomesticos/10978-mitos-e-verdades-sobre-o-micro-ondas.htm
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Por que o corvo e a gaivota atacaram a pomba da paz do Papa?

Domingo, dia 26 de janeiro de 2014, duas crianças soltaram pombas brancas a partir da janela do Palácio Apostólico no Vaticano, acompanhadas do Papa Francisco, durante a oração do Angelus, diante de uma multidão que assistia tudo na praça. Acontece que para tristeza de milhares de fiéis, uma das pombas foi vista logo depois, sendo atacada de forma feroz por um corvo e uma gaivota. Veja nesta sequência de fotos:
Rapidamente, nos sites que publicaram a notícia, surgiram comentários de pessoas classificando o corvo e a gaivota como pássaros que estariam representando "o mal". Também foram lançados dezenas de milhares de posts no Twitter e no Facebook, alguns dos quais usando palavras como "demoníaco", "presságio", e "apocalíptico".  Mas o que de fato teria motivado estes ataques?

Por que o corvo e a gaivota atacaram as pombas?
Porque as pombas eram brancas. As pombas totalmente brancas, ao contrário do que muitos possam pensar, na verdade não são muito fáceis de serem encontradas normalmente na natureza. Milhares de pombos vivem em Roma, assim como na maioria das cidades. Eles variam de cor, do cinza claro ao marrom escuro. Muitas outras espécies de aves vivem em Roma, mas nenhuma é branca pura. Então, aos pássaros agressivos (como gaivotas e corvos), o que mais chama a atenção são pássaros de cor branca pura. Qual vai ser o alvo de seus ataques? O pássaro branco puro. Há uma razão para que aves albinas (e outros animais que nascem sem pigmento de cor), geralmente não vivam muito tempo na natureza. Eles são facilmente vistos e não conseguem se camuflar, e assim se destacam como alvo potencial dos predadores. 

Por que "pombas da paz"?
As pombas têm se constituído em um símbolo de paz durante milhares de anos, em parte por causa da história bíblica da Arca, em que uma pomba traz um ramo de oliveira a Noé (figura), mostrando que a terra estava próxima e que o terrível dilúvio seria breve. O cristianismo adotou a pomba como ícone religioso. Mas seriam as pombas realmente pacíficas? Nem tanto. Elas cuidam principalmente de seus próprios afazeres, se alimentando de sementes e ocasionalmente de pequenos insetos. São propensas a lutar entre si pelo território, com direito a bicadas e "tapas" de asas, como qualquer outra espécie.

Quanto ao incômodo que provocam a nós, poderíamos citar a grande intensidade das fezes que elas vivem soltando do alto, sem escolha de hora e lugar. 
Essas fezes, além de causar aborrecimento imediato, quando somos escolhidos como alvo, servem para a disseminação de doenças. Ao secarem, espalham pelo ar, fungos, bactérias e ácaros que podem causar pelo menos seis tipos de doenças. Entre elas estão a criptocose, que pode dar meningite; a histoplasmose, que pode dar doenças pulmonares; a salmonelose, que pode dar distúrbios gastrointestinais, além de dermatites e alergias.

Por que pombas brancas?
Porque o branco simboliza paz, pureza, serenidade, entre outras coisas boas, mas aí é que está o ponto: não há pombas brancas puras no mundo natural. As que foram criadas, são resultado de centenas de anos de domesticação e manipulação genética, permitindo que se obtivessem aves totalmente brancas para uso como animais de estimação, ou para serem soltas em casamentos e outras cerimônias.   

Quais são os pássaros que atacaram as pombas da paz?
Um deles era uma gralha, e o outro era uma gaivota de patas amarelas. Ambas são aves muito comuns na Europa. A primeira é parente do corvo americano, enquanto a segunda é da mesma família da gaivota de arenques, muito comum nas praias e lixões.
O corvo e a gaivota são onívoros, o que significa que eles comem qualquer coisa, desde pipocas e restos de lanches jogados em praças públicas, até filhotes roubados de ninhos de outras espécies, ou carniça de outros pássaros. Ambas são aves bem adaptadas para sobreviverem em torno de pessoas. 
Então esse não foi um sinal do Apocalipse? 
Eu tenho defendido sempre aqui neste blog, acima de tudo a educação científica das pessoas, para que deixem de lado explicações ou conclusões fundamentadas somente em religiões, misticismos, adivinhações, ou qualquer tipo de "sinais ocultos". Neste caso está claro que se trata apenas de aves predadoras agindo pelo instinto, assim como fariam comumente na natureza.


Fontes: 
http://news.nationalgeographic.com/news/2014/01/140127-white-peace-doves-attacked-birds-rome-vatican-pope/
http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/09/saiba-evitar-doencas-transmitidas-por-pombos-morcegos-e-ratos.html
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Giordano Bruno e a nova série Cosmos


No primeiro episódio da nova série Cosmos faz-se referência ao frade dominicano italiano Giordano Bruno (figura), teólogo, filósofo, e escritor, que nasceu em 1548. Giordano aparece em um mosteiro, lendo escondido uma famosa obra escrita por Lucrécio, um poeta e filósofo latino que viveu no século I a. C.  O título da obra de Lucrécio é De Rerun Natura, traduzida para o Português como Sobre a Natureza das Coisas. Durante a Idade Média ela havia sido incluída na lista de leituras proibidas pela Inquisição.

Naquela época, no modelo de universo aceito pela Igreja, as estrelas ficavam situadas em uma região periférica, uma espécie de "pano de fundo" de uma esfera imaginária, no limite do atingível, definindo portanto um universo finito, e com a Terra ocupando o seu centro.
Para Giordano, nós não poderíamos estar enclausurados em um espaço tão limitado. O universo, para ele, seria muito mais do que defendiam aquelas pessoas presas por dogmas impostos por uma poderosa e ameaçadora instituição religiosa. Ele defendia veementemente a ideia de um universo infinito, e este foi apenas um dos vários embates que travou com a Inquisição. Vejam, por exemplo, algumas das polêmicas frases de seus livros:

"Nós declaramos esse espaço infinito, dado que não há qualquer razão, conveniência, possibilidade, sentido ou natureza que lhe trace um limite."     ( Acerca do Infinito, o Universo e os Mundos 1584)


"O mundo é infinito porque Deus é infinito. Como acreditar que Deus, ser infinito, possa ter se limitado a si mesmo criando um mundo fechado e limitado?"  (Causa, Princípio, e Unidade - 1584)

"Não é fora de nós que devemos procurar a divindade, pois que ela está do nosso lado, ou melhor, em nosso foro interior, mais intimamente em nós do que estamos em nós mesmos."    (A ceia de Cinzas)


Na cena animada do seriado, no momento em que Giordano está lendo a obra de Lucrécio, em um lugar escondido dentro do mosteiro, ele é surpreendido por um cardeal acompanhado de outros monges que, vendo o que ele lia, o expulsam imediatamente de lá.
Na cena seguinte, sozinho em uma floresta, Giordano adormece e provavelmente influenciado pelas lembranças de suas leituras, começa a sonhar, imaginando a possibilidade de descobrir novos mundos, além dos limites definidos pelas ideias conservadoras da época.


Mais tarde, perseguido, Giordano Bruno foi preso, julgado, e condenado à morte pela Inquisição romana, tendo sido queimado vivo em uma fogueira, em 17 de fevereiro de 1600. Para que sua voz fosse calada no ato da execução, colocaram-lhe na boca um pedaço de madeira.

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O peixe que ataca aves em pleno voo e o Dioptro Plano

Havia rumores de que o Peixe-tigre africano (foto) poderia capturar e comer pássaros voando, mas isso não tinha sido comprovado até agora. 
Aves comem peixes. Qualquer pessoa que curte estes programas sobre vida animal já deve ter visto ou assistido uma cena de uma águia ou de uma gaivota dando rasantes e caçando peixes próximos à superfície da água, mas agora, pela primeira vez, estamos falando o contrário: peixes abocanhando aves em pleno voo.
Nico Smit, um pesquisador da Universidade de North-West, na África do Sul, viajou para o Parque Nacional de Mapungubwe para estudar o habitat e a migração do Peixe-tigre, cujo nome científico é Hydrocynus vittatus. Esta espécie, de acordo com este vídeo do Canal Smithsonian, pode crescer até atingir quase 1 metro de comprimento, e adquirir grandes velocidades, que ele usa, juntamente com um sensor de vibração no cérebro, para localizar e devorar pequenos peixes, que também fazem parte de seu cardápio.

Durante o estudo de Smit, publicado este mês no Journal of Fish Biology, (clique aqui se quiser ler), ele e seus colegas observaram esses peixes pulando para fora da água para capturarem andorinhas, pelo menos 20 vezes por dia. Esta é a primeira vez que os cientistas testemunharam um peixe de água doce capturar um pássaro em pleno voo. Embora a qualidade do vídeo não seja exatamente de alto nível, é possível ver um grande peixe pulando para fora da água e abocanhando uma andorinha, do lado esquerdo ao centro da cena. A ação acontece tão rapidamente, que precisa ser vista novamente em câmera lenta. Veja:
Dioptro Plano
Em Física, estudamos um fenômeno óptico chamado de Refração, que é o desvio de um raio de luz ao passar de um meio cristalino para outro, por exemplo do ar para a água. Isto faz com que o observador dentro da água, no caso um peixe, possa se confundir a respeito da correta posição de um pássaro que esteja voando rasante à superfície da água. Este sistema forma o que chamamos de Dioptro Plano
Os pesquisadores descobriram que alguns peixes adultos utilizam a estratégia de atacar diretamente as aves, fazendo automaticamente uma correção na direção, para atingirem o alvo. Isso permite que eles possam ficar um pouco mais camuflados a uma profundidade maior, até o exato instante do ataque rápido e certeiro. Observe a figura:
Estratégias de comportamentos adotadas pelo Peixe-tigre:
(a) Plano de Voo da andorinha da espécie Hirundo rustica. 
(b) Estratégia de busca de superfície do Peixe-tigre para superar o deslocamento de imagem da superfície devido à refração da luz (ângulo θ).          
(c) Ataques aéreos diretos, feitos por Peixes-tigres adultos, que compensam o deslocamento de imagem. 
( Fonte: [1] )

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As Lentes de Fresnel e o carro movido à energia solar

A International Consumer Electronics Show (CES), cuja tradução livre seria Mostra Internacional de Eletrônica de Consumo, realizada anualmente na cidade americana de Las Vegas, é uma feira profissional, não aberta ao público, na qual muitos novos produtos são apresentados ou anunciados.
Durante a CES de 2014, que  inicia-se no dia 6 de janeiro, a Ford apresentará um novo conceito de carro híbrido: o C-max Solar Energi.
Os carros híbridos são aqueles com a opção de funcionar tanto com motor elétrico quanto à combustão. A novidade é que a eletricidade usada para a movimentação do veículo pode agora também ser obtida a partir de um painel solar, colocado na capota do carro, além da opção de plugar diretamente na rede elétrica. Para que a energia do sol possa ser aproveitada  de maneira mais eficiente, carregando ao máximo as baterias no menor tempo possível, e como não seria viável um painel solar com área muito grande, a saída foi projetar um arranjo que utiliza um tipo de lente convergente conhecida como Lente de Fresnel.

Este arranjo (figuras) aumenta em até 8 vezes a eficiência na captação da luz solar. Abaixo dele o carro estaciona, e se desloca lentamente ao longo do dia, através de um sistema inteligente, programado para posicioná-lo de tal forma a aproveitar ao máximo os raios solares.  Enquanto isso, a bateria recarrega sem a necessidade de plugar na rede elétrica.

Mas o que são as Lentes de Fresnel?
Para entendermos como funciona este tipo especial de lente, vou começar falando de uma propriedade característica das lentes convergentes comuns (lupas), que é a de concentrar os raios do sol em um ponto denominado foco. A distância entre a lente e o foco é chamada de distância focal. Quanto menor for a distância focal da lente desejada, ao ser fabricada, maior deve ser a sua espessura.
Vejam na foto, o perfil de dois tipos de lentes convergentes: uma mais grossa (à esquerda) e outra mais fina (à direita). Segurando primeiramente a lente mais grossa, e depois a mais fina, focalizei, em um papel sobre a mesa, a imagem de uma lâmpada que está posicionada no teto da sala de meu apartamento. Vejam, em cada caso, as diferentes distâncias que tive que manter entre a lente e o papel. No caso da mais grossa, a distância focal é menor, e no caso da mais fina, a distância focal é maior.

No arranjo utilizado para maximizar a energia solar captada nos painéis do carro-conceito da Ford, preferiram optar por Lentes de Fresnel, feitas de acrílico, que possibilita que sejam mais leves e mais baratas. Estas lentes foram inventadas em 1822 pelo físico e matemático francês Augustin-Jean Fresnel. Ele percebeu que era possível obter um foco na mesma posição, sem que a lente precisasse ser muito espessa. Ele notou que se fossem feitos vários cortes no desenho de uma lente convergente comum, dividindo-as em secções e mantendo suas curvaturas,  ao serem compactadas, a espessura da lente se reduziria e o foco permaneceria na mesma posição. Veja na figura , que eu obtive nesta página, e adaptei. (F=Foco)
Carro do futuro?
Por enquanto não se pode dizer que esta solução seria  facilmente adotada nos carros populares de passeio. As células fotovoltaicas são caras, e outra desvantagem é que para que o veículo pudesse percorrer 34 km, apenas usando a propulsão elétrica, seria necessário um dia inteiro à luz do sol, para que a bateria se carregasse por completo.
Este sistema poderia, sim, ser adotado como complemento ao carregamento normal, que já é usado atualmente nos carros elétricos, quando são plugados diretamente nas tomadas de energia (foto). A energia solar obtida através do painel na capota do carro, e transformada em elétrica, de acordo com os engenheiros, poderia representar uma economia de até 75% da energia obtida diretamente nas tomadas da rede elétrica.

Resta saber se o custo do carro compensaria o investimento. Se pensarmos em termos de sustentabilidade do planeta, não há dúvidas de que seria muito bom que as grandes companhias continuassem investindo nestas formas de energias limpas para o funcionamento dos motores, que além de tudo não provocam emissão de gases poluentes devido à queima de combustíveis. Neste sentido, a Ford está de parabéns.
Detalhe ampliado do painel solar na capota do C-max Solar Energi

Para quem se interessou pelas Lentes de Fresnel, selecionei um vídeo interessante e curtinho.
 
Fontes:
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O Efeito Rolling Shutter

Esta semana eu estava olhando as postagens no Google+ quando vi algo que chamou a atenção. Veja ao lado. As pás da hélice do avião aparentam estar soltas no ar. Este é um tipo de distorção em filmagens feitas com câmeras digitais que utilizam sensores do tipo CMOS.
Diferente dos sensores do tipo CCD, eles não fazem a leitura da imagem de uma só vez, mas através de uma varredura, produzindo um efeito que ficou conhecido como  Rolling Shutter.
Pelo fato de as câmeras digitais estarem usando cada vez mais os dispositivos CMOS, por serem mais baratos e por gastarem até 100 vezes menos energia do que os CCD, poupando com isso as baterias, acredito que este efeito se tornará cada vez mais popular, e pode ocorrer não só nas filmagens como também nas fotografias. Veja:
Hélices de um avião que parecem ter sido amolecidas pelo calor. (fonte: Flickr)
Note que as pás do rotor do helicóptero parecem ter sido "penteadas" para trás. (fonte: Wikipedia) 
No caso do iPhone 4 as imagens são capturadas desde o canto superior esquerdo até ao canto inferior direito. - See more at: http://www.kerodicas.com/geral/artigo=37252/#sthash.hj57cEJb.dpuf
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A varredura dos sensores CMOS pode ser feita de várias maneiras, de cima para baixo, esquerda para a direita ou, por exemplo, no caso do iPhone 4, na diagonal, desde o canto superior esquerdo até o canto inferior direito. Quando o objeto está se movimentando muito rapidamente, dependendo da frequência de rotação, no caso específico das hélices, e da frequência de varredura, surgirão ocasionalmente estas distorções. Vou usar uma animação da Wikipedia para entendermos um pouco melhor.
Nesta varredura, em 24 frames, feita na horizontal e de cima para baixo, um disco multicolorido em rotação é "filmado", ou poderia ser "fotografado" como se fosse, por exemplo, a hélice de um avião. Cada fresta corresponde a um frame, numerado de 1 a 24. Note no final a grande distorção que ocorre na imagem obtida do disco. Assim funcionam os sensores CMOS. Já nos sensores CCD não ocorre este efeito, porque a imagem é obtida como um quadro completo e de uma só vez.
O vídeo a seguir mostra bem nitidamente que esta distorção depende da frequência da filmagem. No caso, o efeito é obtido mais claramente quando a frequência da câmera chega a 4.000 frames por segundo.



Outro vídeo que também achei muito interessante, em que se nota o efeito nas lâminas, é este a seguir, de uma pessoa tocando um instrumento africano, conhecido como Kalimba.

 
Fontes:
http://www.kerodicas.com/geral/artigo=37252/
http://eletronicos.hsw.uol.com.br/questao362.htm (Comparações entre os sensores CMOS e CCD)
http://en.wikipedia.org/wiki/Rolling_shutter
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Gifs animados do Google+

Um recurso da rede social Google+, que ainda não está disponível no facebook, são aquelas imagens com movimento, chamadas de gifs animados.  Alguns gifs que tive a oportunidade de ver por lá são interessantes e diria até mesmo instrutivos, bem diferentes daqueles com mensagens com bichinhos e estrelinhas piscando, na época do Orkut. Resolvi fazer aqui uma seleção de 5 gifs  bem legais que encontrei por lá.

1- Sempre na fila errada
Quem não passou algum dia por uma situação semelhante, em uma fila de banco, do tempo em que ainda não tinham inventado a fila única (ah, e pensar que fui office boy nesta época), ou nos supermercados. No caso dos supermercados, costumo dar uma rápida analisada nos tamanhos das filas dos caixas para escolher aquela que teoricamente seria a menos demorada, pela quantidade de pessoas e também pelos volumes dentro dos carrinhos. De repente, a fila que escolhi trava por qualquer motivo, quando o cartão de crédito de alguém não passa, ou o código de barras com o preço de alguma mercadoria não pode ser lido, ou sei lá. Fica difícil disfarçar a raiva que sinto de mim mesmo, vendo as outras filas, que descartei na escolha inicial, seguindo seus ritmos normalmente.
Sempre na fila errada. Moral da história: escolha uma e permaneça até o fim, não importa o que aconteça.
2- Chave e tambor
Esta animação mostra claramente o princípio de funcionamento de um tipo comum de chave com tambor. Um aluno meu até comentou no Google+, na época em que eu compartilhei este gif, que ele tinha levado um bom tempo para aprender este processo de funcionamento, com várias explicações do professor de um curso técnico, que usou desenhos, mostrando um tambor fechado. Depois que viu esta imagem, o aluno entendeu seu funcionamento facilmente. Um bom exemplo de que em certos casos, uma animação bem produzida vale mais do que muitas palavras e desenhos.
Assim fica bem fácil de entender, não?
3- Lançamento oblíquo
Uma das matérias de Física mais difíceis de serem ensinadas e aprendidas no ensino médio é o lançamento oblíquo. O movimento deve ser estudado como a decomposição de dois movimentos, um na horizontal e outro na vertical. Note na animação que o vetor componente horizontal da velocidade (seta horizontal vermelha) permanece sempre com a mesma intensidade, o que caracteriza um movimento uniforme. Já, o vetor componente vertical (seta vertical vermelha) varia sua intensidade, o que caracteriza um movimento uniformemente variado.
Vetores mostrando as componentes da velocidade facilitam a compreensão do lançamento oblíquo.
4- Ilusão de óptica
Coloque a imagem abaixo no centro da tela. Fixe seus olhos somente no ponto verde central. Esqueça os outros pontos da imagem e não deixe em nenhum momento que seus olhos se desviem do ponto verde. Veja que depois de alguns instantes os pontos amarelos parecem ter sido apagados.


5- Matemática
Este gif é para os leitores que gostam de matemática. Ele representa uma forma original de representar a operação de multiplicação, usando retas. Note que o processo para obter o resultado final é bem semelhante ao que usamos na prática, quando, por exemplo, ao fazermos a multiplicação de 123 por 25. A primeira soma dá 15, colocamos o 5 embaixo e aplicamos o famoso "vai um" que será acrescentado na soma seguinte. Achei criativo.


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Os brasileiros que ajudaram Einstein

O eclipse total do Sol, ocorrido em 29 de maio de 1919, e observado no céu da cidade de Sobral, no estado de Ceará, foi usado para confirmar, com a ajuda de dois astrônomos ingleses, Andrew Crommelin Charles Davidson, juntamente com  uma equipe de colaboradores brasileiros, um fenômeno previsto na teoria proposta em 1915 por Einstein.
Os colaboradores brasileiros com os ingleses, Crommelin ( círculo vermelho)  e  Davidson (círculo azul).


A Teoria da Relatividade Geral previa que a luz, ao passar nas proximidades de um intenso campo gravitacional de um corpo massivo, sofreria um desvio em sua trajetória.
Através das fotos do eclipse daquele dia e após análises posteriores feitas por um conceituado grupo de cientistas, houve a comprovação do efeito previsto, e a partir daí, Einstein passou a desfrutar de maior credibilidade na comunidade científica, tornando-se cada vez mais reconhecido e famoso.

Problema: Como medir o desvio?
Devido às grandes dimensões exigidas para a verificação prática do desvio da trajetória da luz, Einstein imaginou que para uma comprovação experimental seria preciso obter duas fotografias, uma de um campo de estrelas atrás do corpo massivo, e outra do mesmo campo de estrelas sem a presença do corpo massivo. Comparando as duas fotografias, as estrelas vistas mais próximas da borda desse corpo deveriam apresentar uma pequena diferença de posição.
No entanto, caso o Sol fosse usado como corpo massivo, haveria uma outra dificuldade causada pela sua luminosidade, o que ofuscaria a luz das estrelas vistas próximas de sua borda, impedindo assim que elas fossem fotografadas. Diante disso, obter tais fotografias com o Sol entre as estrelas, mas sem a sua luz ofuscando-as seria possível em apenas uma única circunstância: durante um eclipse total.
Veja a figura abaixo que eu montei. A luz de uma estrela desvia-se, fazendo com que sua posição aparente, vista da Terra, seja alterada em relação à sua posição real. A Lua está posicionada exatamente na linha formada entre o Sol e o nosso planeta, definindo uma estreita região de sombra na Terra onde é possível verificar o eclipse total. No eclipse de 1919, em determinado instante do dia 29 de maio, o ponto correspondente à cidade de Sobral estaria exatamente dentro desta região.
 Desvio de um raio de luz proveniente de uma estrela, ao passar próximo ao Sol.  (Distâncias e tamanhos fora de escala) 
A comprovação
Em Julho de 1919, dois meses após o eclipse, os dois astrônomos ingleses retornaram à Sobral para fotografar o mesmo campo de estrelas, desta vez sem a presença do Sol.
O cálculo do desvio previsto por Einstein não foi um processo simples. Em todas as placas fotográficas reveladas, as estrelas não estavam suficientemente próximas do Sol. (Veja ao lado uma das imagens obtidas no Brasil). Além disso, as placas de Sobral revelaram um desvio médio de apenas 0,97 segundos de arco, o que, levando em consideração os erros de medida devido à baixa qualidade das imagens e aos efeitos de refração da atmosfera, correspondia aos valores calculados pela teoria gravitacional de Newton, e não à teoria de Einstein.

O chefe das missões que patrocinou a vinda dos astrônomos ingleses ao Brasil, e que fez parte de outra missão de observação em um outro local da Terra onde também ocorreria o eclipse total, na Ilha de Príncipe, na costa ocidental da África, era um cientista inglês que defendia entusiasticamente a Teoria da Relatividade Geral: Arthur Stanley Eddington.  
Eddington teria então privilegiado as medidas dos desvios que favoreciam a Teoria de Einstein, afirmando que todas as medidas obtidas acima do valor "newtoniano", que correspondia a 0,87 segundos de arco, somente poderiam ser explicadas pela teoria de Einstein.

No dia 6 de Novembro de 1919, Eddington divulgou os resultados, concluindo que as observações comprovavam as previsões de Einstein. A partir deste instante, a Teoria da Relatividade Geral passou a ser mais aceita, e popularizou cada vez mais a figura do seu gênio criador. Pode-se dizer que isto se deveu em parte à dedicada colaboração de alguns cientistas e astrônomos brasileiros, bem como dos anfitriões habitantes da cidade de Sobral, que muito bem acolheram e ajudaram os astrônomos ingleses na obtenção das fotos do eclipse.

Fontes:
http://www.sbfisica.org.br/fne/Vol6/Num1/eclipse.pdf
http://www.observatorio.ufmg.br/pas16.htm
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