Aplicações das Leis de Newton: a vantagem de um método alternativo

Para complementar minha renda, já que não recebo o suficiente para viver como eu gostaria, apenas trabalhando como professor de escola pública do Estado de São Paulo, tenho dado muitas aulas particulares de Física para alunos de diversas escolas particulares de Piracicaba. 
Em uma dessas aulas, uma aluna me pediu para que eu ensinasse como resolver problemas envolvendo aplicações das Leis de Newton, pois ela havia comentado comigo que a maioria da classe não estava entendendo a maneira como o professor deles ensinava. Vejamos o exemplo seguinte:

Dois blocos A e B, de massas respectivamente iguais a 3 kg e 2 kg, são empurrados por uma força  horizontal F de módulo 10 N, com mostra a figura. Desprezam-se os atritos entre a superfície da mesa e os blocos, e também a resistência do ar. Determinar:
 
a) a aceleração adquirida pelos blocos;
b) a força que o bloco A exerce sobre o bloco B.


O professor ensinou os alunos corretamente, de uma única maneira. Primeiramente são montados os diagramas de corpo livre para cada bloco e indicam-se as forças envolvidas. Assim:
Nestes diagramas, P representa o peso de cada bloco, N representa a força exercida sobre os blocos pela superfície, também conhecida como Normal. Na figura, f  representa a força que o bloco A exerce sobre o bloco B, que é a força que se quer encontrar, e que tem a mesma intensidade da reação do bloco B sobre o bloco A (3ª Lei de Newton).
Aplica-se a 2ª Lei de Newton (Fr = m. a) individualmente para cada bloco, considerando-se somente as forças na direção horizontal, já que as forças na direção vertical (P e N) se anulam. Desta maneira as equações ficam:

1) para o bloco A :
F - f = mA . a
10 - f = 3 . a       (1)
2) para o bloco B :
f = mB . a
f = 2 . a        (2) 
  
Substituindo a equação (2) na equação (1) tem-se:
10 - 2 . a  = 3 . a
10 = 3 . a + 2 . a
10 = 5 . a
a = 2 m/s²
Substituindo-se este valor na equação (2) tem-se:
f = 2 . 2 
f = 4 N 
Método alternativo
Para calcular a aceleração, eu prefiro usar um tipo de solução que considero mais fácil para os alunos entenderem, e foi a maneira que eu escolhi para ensinar a aluna. 
Pode-se aplicar a 2ª Lei de Newton para os dois blocos, como se eles representassem um sistema de massa 5 kg (3 kg + 2 kg). As forças f de contato neste caso, são consideradas forças internas ao sistema, e como atuam em sentidos contrários, elas se anulam. Então temos:

1) para o sistema:
F = (mA + mB) . a
F = (3+2). a
10 = 5 . a
a = 2 m/s² 

2) para o bloco B:
f = mB . a
f = 2 . 2
f = 4 N

Quando eu mostrei à aluna que qualquer problema deste tipo, inclusive envolvendo forças de atrito, podem ser resolvidos também desta maneira, ela achou mais fácil, porém ficou preocupada se o seu professor iria considerar correta a questão resolvida daquela maneira, na prova que ela iria fazer. Eu disse então a ela que conversasse com ele, e na aula seguinte, fiquei surpreso ao saber que o professor havia dito que da maneira como eu havia ensinado ele não recomendaria que fosse usado nas provas dele. Até agora não consegui entender porque o professor teria restringido os alunos dele a aplicarem um só método.
Imagine, por exemplo, que haja uma fileira com muitos carrinhos de supermercado sendo empurrados por uma única força externa aplicada no primeiro. Se for pedida a força que o penúltimo carrinho exerce sobre o último da frente, os alunos dele poderiam pensar em montar desnecessariamente várias equações com inúmeras incógnitas para que pudessem calcular primeiramente a aceleração, e aqueles que optassem pelo outro método chegariam à resposta muito mais rapidamente. Veja este exemplo:

Um conjunto de blocos de massa 4 kg cada um, é puxado por uma força F = 14 N. Despreze os atritos e determine a força de tração na última corda.


1º método:
F  - T1 = 4 a
T1 - T2 = 4 a
T2 - T3 = 4 a 
T3 - T4 = 4 a 
T4 - T5 = 4 a
T5 - T6 = 4 a
T6 = 4 a
_________
F = 28 a
14 = 28 a
a = 0,5 m/s²

T6 = 4 . 0,5 = 2 N

2º método (alternativo): 
Considerando todo o sistema:
F = (4 + 4 + 4 + 4 + 4 + 4 + 4 ). a
14 = 28 . a
a = 0,5 m/s² 

T6 = 4 . 0,5 = 2 N

Gravidade

Um dos maiores equívocos que algumas pessoas ainda cometem ao analisarem imagens, vídeos ou filmes com astronautas no espaço, em órbita da Terra,  é pensar que a flutuação deles se dá pela ausência de gravidade.
Existem atualmente empresas de aviação nos EUA, Rússia, e agora a partir de 2013 também na Europa, que já realizam voos comerciais, antes restritos aos treinamentos de astronautas, simulando esta condição encontrada no espaço.
O físico Stephen Hawking foi um dos que experimentou tal sensação em um destes voos, em 2007. Durante os mergulhos do avião, ele girou, deu piruletas, bateu a cabeça, parecendo um ginasta, e se divertiu muito.
Para contribuir para preservar o pensamento errôneo, o termo usado nestes programas comerciais é Zero-G. Veja a foto de um avião Air-bus usado no primeiro voo comercial deste tipo na Europa, realizado em abril de 2013.

Ajuda de Newton
Quando eu tento explicar aos alunos que trazem esta ideia errada na cabeça, que não é bem assim como alguns possam pensar, costumo desenhar na lousa a mesma figura usada por Newton, em 1687, em seu livro Principia Mathematica Philosophia Naturalis. Newton imaginou uma grande montanha, de onde um objeto seria atirado do topo dela na direção horizontal, com velocidades cada vez maiores. Nota-se que quanto maior a velocidade inicial, mais longe da montanha o objeto cai, até que, com uma velocidade determinada, ele entra em órbita.

Este entendimento é essencial para que se compreenda porque também é correto afirmar que os objetos sem propulsão própria, e em órbita do nosso planeta, inclusive a Lua, estão de certa forma "caindo" em direção à Terra, com velocidade constante e direção tangente à trajetória, e a aceleração (gravidade) com sentido sempre voltado para o centro. Veja a animação, retirada da Wikipediamostrando a direção do vetor velocidade (v) e do vetor aceleração (a).
Desta forma, a explicação dos corpos flutuarem dentro de uma nave ou avião nesta condição, é  justamente o fato de todos os objetos e pessoas estarem "caindo" com a mesma aceleração.

Velocidade de um satélite em órbita da Terra
A velocidade tangencial de um objeto em órbita de um planeta é dada pela expressão: $$\begin{equation*} \large v = \sqrt { \frac{G.M}{R}} \end{equation*}$$ onde G é uma constante universal e M é a massa do planeta. Reparem que a velocidade não depende da massa do objeto, e como G e M são constantes, esta velocidade depende exclusivamente do raio (R) da órbita. Isto significa que, se estiverem à mesma altitude, um astronauta ou um telescópio, como o Hubble, por exemplo, ambos estarão à mesma velocidade.
Se trocarmos o raio da órbita pela soma do raio da Terra (r) e a altitude do corpo (h) teremos à seguinte expressão:
$$\begin{equation*} \large v = \sqrt { \frac{G.M}{r+h}} \end{equation*}$$
Sabe-se que:





Calculando primeiramente a velocidade da Estação Espacial Internacional, que se encontra a uma altitude média de aproximadamente 345 km, obtive o valor de 28.000 km/h
O telescópio Hubble está a uma altitude de 569 km,  224 km acima da Estação Espacial, e este foi um ponto criticado por astrofísicos (Clique aqui para ler) e astronautas (Clique aqui para ler) a respeito do filme Gravidade, pois os astronautas se deslocam como se o telescópio e a Estação estivessem em órbitas semelhantes. Calculando então a velocidade do Hubble, obtive o valor de 27.600 km/h, ou seja, a velocidade do Hubble, por estar mais acima, é cerca de 400 km/h menor do que a da Estação.

Gravidade: o Filme
Apesar das críticas ao filme que citei, não vejo a hora de que ele estreie  aqui em Piracicaba, pois mesmo aqueles que o criticaram, como o astrofísico Neil DeGrace Tyson, disseram ter gostado. Além disso, na estreia  que ocorreu dia 4 de outubro, nos EUA, o filme registrou grande audiência. Quem quiser dar uma olhadinha no trailer oficial, aí vai:

O melhor gol de falta de todos os tempos. A Física explica.

O gol de falta mais lindo de todos os tempos foi considerado aquele feito pelo jogador Roberto Carlos, em 1997, em um amistoso da seleção brasileira contra a França. Devido ao efeito causado pela rotação da bola, ela fez uma curva incrível, enganando completamente o goleiro. Assista:

Explicação Física
Observe as figuras que eu montei, indicando uma bola chutada na direção da seta azul, e com rotação (em vermelho). Imagine que as figuras representam uma vista de cima, e que a bola esteja girando no ar. Reparem que enquanto a bola gira, o ponto A tem velocidade relativa para a frente. Como este ponto está indo contra o ar, isto faz com que a velocidade relativa de escoamento deste ar através da bola nesta região seja diminuída, e fique menor do que a velocidade de escoamento da região do ponto B, pois este ponto, por estar se movendo relativamente para trás, em relação à seta azul, faz com que "ajude" o escoamento do ar através da bola, permitindo que esta velocidade relativa de escoamento seja maior do que no ponto A. Este efeito é conhecido como Efeito Magnus.
Mas como isto provoca a curva na trajetória da bola?

A Pressão e a Força do ar
O ar é composto de moléculas, todas se chocando rapidamente contra a bola, tanto do lado do ponto A como do lado do ponto B, exercendo pequenas forças mostradas pelas setas verdes, como mostra a figura.
Do lado B, em que as moléculas de ar são arrastadas através da bola mais rapidamente, elas têm menos tempo para se chocarem com a bola, e portando, a pressão é menor do que do lado A. Isto faz com que a força resultante seja direcionada no sentido mostrado pela seta maior verde da figura, e explica porque a bola desvia neste sentido. Portanto, onde a velocidade do ar é menor, a pressão é maior, e as forças também são maiores.

Fonte:
http://fisicamoderna.blog.uol.com.br/arch2006-06-04_2006-06-10.html#2006_06-09_15_30_15-7000670-0

Uma boa questão sobre Efeito Doppler

Um assunto que eu considero muito interessante na Física é o Efeito Doppler. Não é difícil encontrar alguém que já tenha notado a diferença entre a frequência do som ouvido quando uma fonte sonora está se aproximando, e quando está se afastando de nós. Um exemplo são os carros de Fórmula 1. Um observador que se encontra na arquibancada percebe nitidamente que o ruído se modifica após o carro ter passado por ele. Ouça no vídeo:


Simulação do Efeito Doppler. Fonte: Wikipedia
As frentes de onda, quando estão se aproximando, chegam mais compactadas, fazendo com que se perceba um ruído mais agudo, e quando se afastam, chegam mais espaçadas, e aí percebemos um ruído mais grave.

Parte matemática
A explicação do efeito é relativamente simples. O que é um pouquinho complicado de entender é quando entramos na parte dos cálculos, para determinar o valor das frequências no caso em que somente a fonte sonora ou somente o ouvinte se movimenta, ou no caso mais difícil, quando ambos, fonte e ouvinte se movimentam. A fórmula geral é esta:


Em que:

Fo = Frequência percebida pelo ouvinte
Ff = Frequência da fonte sonora
V  = Velocidade do som
Vo = Velocidade do ouvinte
Vf = Velocidade da fonte sonora

Os sinais de + ou de -  da fórmula devem ser escolhidos seguindo uma convenção em que se considera a orientação positiva SEMPRE no sentido do ouvinte para a fonte sonora. 

Uma boa questão
Recentemente fiz uma prova do Governo do Estado de São Paulo, elaborada pela Vunesp, que serve como parte do processo de Promoção por Mérito do Magistério Paulista.  
Uma das questões envolvia o Efeito Doppler. Veja:

Vou mostrar aqui minha solução. 
Considere duas situações:

Situação 1)
Móvel (fonte sonora) F se aproximando do Caminhão (ouvinte) O:

Neste caso, como comentei acima, a orientação positiva é adotada no sentido da direita para a esquerda da figura abaixo, isto é, do caminhão para o móvel. (SEMPRE do ouvinte para a fonte)


Sabendo que 72 km/h corresponde a 20 m/s,  a fórmula fica:
      (Equação 1)


Situação 2)
Móvel (fonte sonora) F se afastando do Caminhão (ouvinte) O:

A orientação positiva é agora adotada no sentido da esquerda para a direita na figura. (SEMPRE do ouvinte para a fonte)
Como a questão informa que neste caso a frequência percebida pelo ouvinte (Fo) é a metade da frequência da situação 1, a fórmula fica:
   (Equação 2)

Dividindo-se a (Equação 1) pela (Equação 2), obtêm-se:







Assim sendo, a alternativa correta da questão é a (E).

Fontes:
Física, Ciência e Tecnologia. Vol 2. Editora Moderna

A Banda Muse e a 2ª Lei da Termodinâmica

Eu devo confessar que há um bom tempo já não procuro mais conhecer as bandas novas de rock que vão surgindo, mas o amigo Kleber me indicou pelo facebook uma que se apresentou dia 14, no palco do Rock in Rio. Ele pediu para que eu prestasse atenção na letra da música The 2nd Law: Unsustainable, que também dá título ao mais recente álbum desta banda que eu ainda não conhecia, chamada Muse. Clique aqui se quiser ver a reportagem sobre sua apresentação no Rock in Rio. A letra faz uma referência à Segunda Lei da Termodinâmica, e a tradução pode ser vista clicando aqui.
Ao clicar no link com a letra, que meu amigo me passou, não resisti à tentação de ouvir a música, e me surpreendi. Eles usam muitos efeitos e distorções eletrônicas, abusando da tecnologia para produzir um som que me agrada. Eu gosto destes experimentalismos sonoros, que passam a impressão de que a gente está ouvindo algo inovador. Achei também muito original que eles tenham usado e divulgado uma lei da Física para tentar alertar principalmente os jovens fãs sobre a insustentabilidade do modelo de desenvolvimento adotado atualmente no mundo, em que o consumismo desenfreado, aliado à falta de uma política séria de reciclagem, só faz com que caminhemos para a beira de um abismo sem volta.

A segunda Lei, segundo Richard Feynman
Para entender o que os caras do Muse quiseram dizer na letra, vamos analisar um pouquinho esta específica Lei da Física. Para isso, vou aproveitar para divulgar um livro que já se tornou um clássico, Lectures on Physics, escrito por Richard Feynman (foto). Eu não tinha pensado em comprar o livro até hoje, pois é meio carinho. Custa em torno de R$ 350, um preço salgado para quem, como eu, não pode se dar ao luxo de despender esta quantia, tendo tantas contas essenciais para pagar com meu salário de professor. Mas agora, para a sorte das pessoas que se interessam pela Física, o livro acaba de ser disponibilizado gratuitamente na Internet pelo Caltech (California Institute of Technology), como gentilmente nos informou o professor Dulcídio Braz, em seu excelente blog Física na Veia. Para quem quiser dar uma espiada em um item específico de cada um dos 52 capítulos do livro, clique aqui.

Uma das críticas que Feynman fez à maneira como a Física era ensinada nas escolas brasileiras, nos meses em que esteve por aqui, no início dos anos 50, era a de que os alunos tinham uma carga muito teórica, e não se dava o devido espaço à contextualização dos conceitos, à parte prática, e também ao aprendizado que era feito de maneira mecânica, sem o uso do raciocínio, o que na opinião dele era um grande equívoco.
Eu vou dar ênfase ao item 44-2 do capítulo sobre Termodinâmica - The Second Law, que eu traduzi e adaptei:

"Suponha que montemos um motor térmico composto de uma "caldeira" em determinado local, a uma temperatura T1. Um certo calor Q1 é produzido a partir da caldeira, o vapor se expande e realiza um trabalho W , e , em seguida, transfere o calor Q2 a um "condensador" no outro local, à temperatura T2 (fig. 44-3).
Embora todo mundo achasse antigamente que, de acordo com a teoria do calórico, o calor Q1 teria que ser o mesmo que Q2, Carnot mostrou que eles não eram os mesmos, e isto é parte importante para a compreensão de seu argumento. Na verdade, o calor Q2 corresponde ao calor Q1 que foi fornecido, menos o trabalho W que foi realizado:"
                                         Q2 = Q1 - W 

Relação da letra com a 2ª Lei
Nesta altura, alguns leitores podem estar se perguntando: Mas qual a relação entre a letra da música da banda Muse e toda a explicação que foi dada acima sobre a Segunda Lei?
Acontece que outra característica desta lei é que não pode haver passagem espontânea do calor (Q) de uma fonte fria para uma fonte quente. O que se observa é sempre o inverso. Outra impossibilidade é a conversão integral de calor em trabalho. Ao se construírem as máquinas térmicas, percebeu-se que é sempre necessário haver duas fontes a temperaturas diferentes, de modo que uma parte do calor retirado da fonte quente é rejeitada para a fonte fria. Não se consegue transformar em trabalho todo o calor retirado da fonte quente. Se isso fosse possível, poderíamos construir um navio que retiraria calor da água do mar e, sem a necessidade de uma fonte fria, transformaria todo esse calor em trabalho, o qual poderia movimentar o navio sem necessidade de combustível.

Vamos analisar um trecho da letra:


"Todos os processos naturais e tecnológicos procedem de tal modo que a disponibilidade de energia restante diminui
Em todas as trocas de energia, se nenhuma energia entra ou sai de um sistema isolado, a entropia do sistema cresce
A energia flui continuamente de um estado concentrado pra se tornar, dispersa, espalhada, gasta e inútil.
Novas formas de energia não podem ser criadas e energias de alta escala estão sendo destruídas. Uma economia baseada em crescimento infinito é...Insustentável."

Em um sistema fechado, a energia fornecida não pode se converter totalmente em trabalho, e assim, provavelmente o que eles estão tentando dizer é que este sistema não pode se auto-sustentar indefinidamente.
E agora, para relaxar, após tanta teoria, que tal curtir o clipe da banda?


Fontes:
Física Conceitual - Paul G. Hewitt - 9ª Edição - Editora Bookman
Universo da Física - Vol 2 - José Luiz Sampaio, Caio Sérgio Calçada - Editora Atual
http://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_lei_da_termodin%C3%A2mica
http://feynmanlectures.caltech.edu/I_44.html#Ch44-S2