A Física Quântica e o pensamento humano

A New Scientist publicou recentemente um artigo, mostrando que cientistas estão usando agora a misteriosa lógica da física quântica para tentar explicar o processo envolvido no pensamento humano.
O mundo quântico desafia as regras da lógica comum. Partículas rotineiramente ocupam dois ou mais lugares ao mesmo tempo e nem sequer têm suas propriedades bem definidas até que sejam medidas.
Para que possamos entender como eles estabeleceram esta relação é preciso conhecer um pouco da mecânica quântica, e para isso, nada mais adequado do que usarmos explicações práticas, já que a teoria envolvida é um pouco complicada. Vejamos então o caso de uma experiência relativamente simples:

A Experiência da Fenda Dupla
Uma das experiências que ajuda a distinguir a física quântica da física clássica é a Experiência da Fenda Dupla. Suponha que você pulverize algumas partículas em direção a uma placa com duas fendas, e estude os resultados projetados em uma tela. (veja o diagrama que eu traduzi, e que foi fornecido neste link no artigo original da New Scientist).
Se fecharmos a fenda B, as partículas passam pela outra fenda formando um padrão projetado na tela. Se por sua vez, fecharmos a fenda A, um padrão semelhante se formará na tela. Mantendo ambas as fendas A e B, o padrão sugerido pela física clássica deveria ser a soma dos dois padrões, mas no mundo quântico isso não acontece. Quando um feixe de elétrons ou fótons passa pelas duas fendas, eles agem como ondas e produzem um padrão de interferência na parede. O padrão com A e B aberta não é apenas a soma dos dois padrões com A ou B abertos sozinhos, mas algo totalmente diferente, que alterna faixas claras e escuras. Para entender um pouco melhor, assista o vídeo a seguir, que explica esta experiência de maneira bem simples e didática.



Semelhanças com o pensamento  
O artigo da New Scientist cita várias experiências em que o autor, Mark Buchanan, procura relacionar as semelhanças entre a forma do pensamento humano e a lógica envolvida na mecânica quântica. Uma delas foi feita no início de 1990, quando os psicólogos Amos Tversky e Eldar Shafir da Universidade de Princeton testaram o comportamento de algumas pessoas em uma experiência de jogo simples. Os jogadores foram informados de que havia uma chance de ganhar US$ 200 ou perder US$ 100, e foram, então, solicitados a escolher se queriam ou não jogar o jogo pela segunda vez. Quando eram informados de que tinham ganho a primeira aposta (situação A), 69 por cento dos participantes escolheram jogar novamente. Se dissessem que tinham perdido (situação B), apenas 59 por cento queriam jogar novamente. Isso não é surpreendente. Mas quando eles não eram informados do resultado da primeira aposta (situação A ou B), apenas 36 por cento queriam jogar novamente.
A lógica clássica exigiria que a terceira probabilidade fosse igual à média das duas primeiras, mas isso não aconteceu. Como no experimento de dupla fenda, a presença simultânea de duas partes, A e B, parece ter levado a algum tipo de interferência estranha que não respeita probabilidades clássicas.

Outro exemplo de similaridade entre a nossa forma de pensar e a mecânica quântica, dado no artigo, diz respeito ao significado das palavras, que também muda de acordo com seu contexto. Por exemplo, você poderia pensar que se uma coisa também é um Y, em seguida, um "X alto" também seria um "Y alto" - um carvalho alto é uma árvore alta, por exemplo. Mas isso não é sempre o caso. O chihuahua é um cão, mas um chihuahua alto não é um cão alto; "alto" muda de significado em virtude da palavra ao lado dele. "O conhecimento conceitual da estrutura humana é como se fosse quântica, porque o contexto desempenha um papel fundamental", diz o Físico Diederik Aerts da Universidade de Bruxelas, Bélgica.

Minha opinião
Lendo o artigo da revista, achei muito interessante o paralelo feito entre as duas áreas do conhecimento que não são muito simples de serem compreendidas, e não restou-me dúvida sobre uma real semelhança entre elas. Para que os meus leitores se convençam disto também - ou não - recomendo que leiam o artigo completo (em inglês).

Curiosity explorando Marte

Após 30 anos de bons serviços prestados, os Ônibus Espaciais  se aposentaram. A foto mostrada foi tirada a partir da Estação Espacial Internacional. Nela podemos notar o rastro deixado pela nave que realizou a viagem de despedida, a Atlantis, durante a reentrada na atmosfera.
Reentrada da Atlantis. Veja o rastro de fumaça proveniente do esquentamento pelo atrito com o ar.
Novas metas
A partir de agora as atenções (e dinheiro) da NASA serão direcionadas para outras missões, como aquelas que visam estudar mais a fundo o planeta MarteEstá previsto para o final do ano o lançamento do foguete que deve transportar o robô Curiosity, da missão denominada Mars Science Laboratory. Uma das principais intensões será descobrir se há ou houve um dia condições de surgimento de algum tipo de vida no planeta vermelho.

Rovers
Na história da exploração de Marte já foram enviados outros três "carrinhos", os chamados Rovers, que serviram, e alguns ainda continuam servindo, para estudar as condições da superfície marciana. Em 1997, o Sojourner, do tamanho de um forno de microondas, e em 2004, os gêmeos, Spirit (desativado) e Opportunity (ainda na ativa), estes já um pouco maiores.
Comparação de tamanhos: Spirit (esquerda), Sojourney (centro), e Curiosity (direita)
Compare os tamanhos na foto. No centro, o pequeno Sojourner. À esquerda, um dos dois gêmeos (Spirit ou Opportunity), e à direita, o Curiosity, do tamanho de um carro pequeno, que deverá ser enviado este ano.
Como se pode notar pela foto, ao contrário dos seus antecessores, o Curiosity não possui painel solar. A energia elétrica necessária para o funcionamento dos vários instrumentos do robô será garantida por um gerador termoelétrico de radioisótopos. Em outras palavras, a fonte de energia elétrica, desta vez, será nuclear.
Após uma viagem interplanetária de 10 meses, o robô descerá na superfície de Marte, onde deverá permanecer em atividade pelo menos durante 2 anos. Uma outra mudança que achei muito interessante foi em relação à maneira como o Curiosity deverá pousar na superfície de Marte, bem diferente do sistema de "air-bags" usados no caso do Spirit e do Opportunity. Para entender melhor, só assistindo o vídeo a seguir, mostrando belíssimas animações da missão:

Local de Pouso
A NASA definiu hoje o local de pouso do robô, marcado em destaque na imagem, na borda da Cratera Gale.
Elipse mostrando o local do pouso, na periferia da Cratera Gale.
O reconhecimento do relevo de Marte, a partir de outras missões, permitiu que fosse feito o vídeo a seguir, mostrando o local de pouso. As linhas verdes indicam os caminhos que podem ser seguidos pelo robô.



Gastos
Para aqueles que não concordam com os gastos, recomendo que assistam a palestra a seguir, onde Brian Cox explica por que a ciência impulsionada pela curiosidade se paga, dando força à inovação e uma profunda apreciação da nossa existência.
Fontes:
http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=nasas-next-mars-rover-to
http://astropt.org/blog/2011/07/08/curiosity-com-o-destino-tracado/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mars_rover

Balões meteorológicos

Nas últimas semanas que se passaram eu estive ensinando aos alunos da 2ª série do Ensino Médio a teoria envolvida nas transformações gasosas, e decidi aprofundar-me sobre o tema. Em um dos exercícios eu pedia para que calculassem o volume de um balão meteorológico, ao atingir as camadas mais altas da estratosfera.
Consultei inicialmente o livro Física Conceitual, escrito por Paul Hewitt, e acabei encontrando uma passagem interessante intitulada “A Meteorologia e a Primeira Lei”. Nela o autor descreve como a Termodinâmica pode nos ajudar a analisar o clima, e como em determinadas condições podemos expressar a Primeira Lei da seguinte maneira:
“A temperatura do ar cai quando a pressão diminui.”

Para entendermos melhor esta frase, Hewitt faz uma comparação com uma bomba de encher pneu de bicicleta. Quando comprimimos seguidamente o ar dentro da bomba ele aumenta a pressão e esquenta, mesmo sem ter recebido calor do meio externo. Isto explica também porque as temperaturas são mais altas aqui embaixo na superfície do que em grandes altitudes, onde a pressão exercida pelo ar é bem menor.

Video 
Outro achado durante minhas pesquisas, e que considerei muito interessante, foi um vídeo que mostra o lançamento de um balão transportando uma câmera de alta definição (HD), realizado por americanos, em agosto de 2010, em Nova Iorque. Eles pretendiam obter imagens da Terra, a partir de grandes altitudes.



Estudo do vídeo
Resolvi então, fazer um estudo do video, relacionando volume, temperatura e pressão do gás no interior do balão:

Volume inicial (Vi) e Volume final (Vf) de gás
No momento do lançamento, correspondente ao instante 1:22 do vídeo, dá para estimar em aproximadamente 1,0 m o diâmetro inicial do balão, quando ele ainda se encontra na mão de um dos participantes (imagem). Com este valor, calculei o volume inicial (Vi) do balão: Vi = 0,5 m³.
No instante 4:30 do vídeo (imagem), eles informam que o diâmetro do balão já atingiu 18 pés, e que este estaria com apenas 1 pé a menos do que o seu diâmetro máximo. Neste momento, ele se encontrava a 90.000 pés (27.000 m) de altura. Após 70 minutos do lançamento, ele finalmente estoura a uma altura de 100.000 pés (30.000 m). Com 19 pés (5,7 m) de diâmetro, calculei o volume final (Vf) do balão, e encontrei Vf = 24 m³.

Temperatura inicial (Ti), e Temperatura final (Tf)
Estimei em 27 °C (300K), a temperatura inicial (Ti) do gás, no momento do lançamento.
Usei a temperatura final (Tf) de - 60 °C (213K), lá no local de máxima altitude atingida pelo balão, pois este foi um valor estimado pelos realizadores, e que é citado no vídeo.

Pressão inicial (Pi) e Pressão final (Pf
O meu objetivo era obter através da fórmula de transformação gasosa, um valor da pressão lá em cima (Pf), para comparar com a pressão aqui na superfície (Pi).

                        Pi  .  Vi     =     Pf  .  Vf
                             Ti                    Tf

  Substituindo os valores:
                       Pi  .  0,5    =    Pf  .   24
                           300                   213

obtive                       Pf  =  0,02 . Pi   

Ou seja, a pressão lá em cima seria aproximadamente 2 centésimos da pressão daqui da superfície.

Gráfico comparativo

Para comparar, encontrei o gráfico dado nesta página da Wikypedia.
Pode-se verificar através dele, que a 30.000 metros (30 km), exatamente no momento em que o balão estoura e começa a descer, a pressão corresponde a 10 mbar (milibárias), aqui na superfície, ela corresponde a 1.000 mbar.
A pressão lá em cima seria, então, 1 centésimo da pressão na superfície da Terra. Bem próximo do valor calculado pela fórmula.

Hidroelétrica de Belo Monte: um mal necessário?

No dia 26 de Janeiro de 2011, o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), concedeu autorização para que o consórcio Norte Energia S.A. instalasse o canteiro prévio para as obras da construção da usina Belo Monte, no rio Xingu, no estado do Pará.
A histórica polêmica sobre esta hidroelétrica, que já dura duas décadas, tem colocado o governo brasileiro e os ambientalistas em constantes embates, algumas vezes exacerbados. A foto, de 1989, mostra a índia Tuíra, colocando o facão no rosto de Muniz Lopes, na época, diretor da estatal Eletronorte, num gesto de advertência, durante o 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu. 
A índia Tuíra, colocando o facão no rosto do diretor da Eletronorte, Muniz Lopes.
A posição do Governo
Quando era ministra das Minas e Energia do governo Lula, em 2002, Dilma Rousseff já defendia a construção de Belo Monte, alegando que o motivo principal seria suprir a demanda de energia elétrica, possibilitando o crescimento do país. O questionamento que fazem os ecologistas é se este seria realmente o motivo principal da construção da usina, e supondo-se que assim fosse, como isto poderia justificar os inúmeros impactos ambientais gerados, principalmente devido ao alagamento de áreas ocupadas pelos povos indígenas e comunidades ribeirinhas.

Minhas dúvidas
Eu confesso que depois de conhecer os vários argumentos, tanto por parte dos que defendem, quanto dos que condenam a obra, tive uma percepção de que muitos deles são bem convincentes, o que talvez explique o surgimento de tantas e tão arraigadas opiniões diferentes. É que neste caso, trata-se de um projeto que abrange diversos interesses, envolvendo uma complexidade muito grande de elementos técnicos, políticos, históricos, sociais, étnicos, culturais, entre outros.

O professor Osvaldo Sevá (foto) da Faculdade e Engenharia Mecânica da Unicampferrenho opositor da construção de Belo Montepelo seu vasto currículo e histórico de práticas em defesa do meio ambiente, deixa claro que, neste assunto, é indiscutivelmente uma autoridade respeitável e confiável.
Para ele, o governo atual estaria tentando iludir a sociedade, usando como artifício, a propagação de um falso risco de desabastecimento de energia. Na opinião do professor, se melhorássemos as linhas de transmissão e a eficiência dos sistemas fornecedores de energia já existentes, poderíamos dispensar a construção de grandes usinas como Belo Monte.

Minha opinião
Considerando, dentre tantos, apenas estes poucos problemas que coloquei acima, também acho que a construção da usina poderia ser evitada, se os governos brasileiros anteriores tivessem investido fortemente em educação e ciências, possibilitando o surgimento de novas tecnologias nacionais que pudessem viabilizar economicamente os equipamentos necessários ao funcionamento das fontes alternativas, notadamente as eólicas e solares. Talvez assim não estivéssemos precisando agora brigar internamente para preservar os direitos dos povos indígenas, que estão sendo ameaçados por estes projetos, e assim as grandes hidroelétricas se tornariam realmente, aí então, um mal desnecessário.


Fonte:

Supercomputador Tupã: evitando tragédias.

No final de 2010, o INPE inaugurou o Tupã (foto), um supercomputador encarregado, dentre outras tarefas, de agilizar e refinar os cálculos meteorológicos no nosso país, a fim de elaborar o mais rapidamente possível uma previsão mais exata dos locais de formação de tempestades, bem como do grau de intensidade das chuvas associadas a estes temporais.
Após a atual fase inicial de testes, espera-se que o sistema contribua mais efetivamente para que se possa evitar, ou pelo menos amenizar, os terríveis efeitos de tragédias como as que ocorreram na região serrana do Rio de Janeiro, e também as que têm causado grandes perdas humanas e materiais em outras localidades do Brasil ao longo dos anos.

Deus?
O nome Tupã, dado ao equipamento, faz referência à mitologia indígena brasileira. Lendo aqui percebemos que Tupã não representa um deus de fato. Originalmente, na língua tupi-guarani, esta palavra significa trovão, e estaria relacionada ao som provocado por um deus indígena, provavelmente em um momento de ira.

Velocidade
A velocidade de processamento dos computadores pode ser medida em flops, floating point operations per second (operações de ponto-flutuante por segundo), mas quando ela é muito alta, é comum o uso de prefixos, simbolizando múltiplos de flops. Veja na tabela:
Os mais utilizados são:
Megaflops (Mflops)
Gigaflops (Gflops) 
Teraflops (Tflops) 
Petaflops (Pflops).


A Máquina
O Tupã é na verdade um equipamento Cray XT6, produzido pelos EUA, e comprado pelo Brasil por R$ 50 milhões, através de financiamento feito conjuntamente pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, e pela FAPESP.
O sistema é capaz de trabalhar com velocidade de até 258 TflopsPara efeito de comparação, um bom computador caseiro opera com pouco mais de 100 Gflops. A velocidade do Tupã, portanto, é 2.580 vezes maior do que as máquinas domésticas.

Ranking mundial
De acordo com lista divulgada em novembro de 2010, do Top 500 da Supercomputação, que relaciona os equipamentos mais rápidos do mundo, o Tupã ocupava a 29ª posição. Essa é a mais alta colocação já alcançada por uma máquina instalada no Brasil.

Esperança
Espero que as previsões meteorológicas no Brasil melhorem realmente a partir do incremento de novas tecnologias como esta, mas devemos lembrar também que tais medidas, se forem tomadas isoladamente, sem concomitantes práticas de regulamentação das ocupações em áreas de risco, não terão os resultados desejados para que se possa evitar tragédias do tipo que foram presenciadas no Brasil.
Fontes:
http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2010/11/supercomputador-instalado-no-brasil-e-o-29-mais-poderoso-do-mundo.htm

A última entrevista de Carl Sagan

Hoje o blog INFRAVERMELHO faz aniversário. Exatamente há dois anos publiquei meu primeiro post,  que fiz questão de dedicar à série Cosmos, de Carl Sagan, que faleceu em 20 de Dezembro de 1996, aos 62 anos de idade, depois de uma batalha de dois anos contra uma grave doença na medula óssea denominada mielodisplasia.
Resolvi então homenageá-lo mais uma vez, colocando aqui a última entrevista deste cientista, feita em 27 de maio de 1996, quando ele já estava um pouco debilitado devido ao tratamento da doença, mas ainda bastante esperançoso. Nela ele defende com veemência as mesmas ideias que o tornaram famoso, demonstrando respeito às atitudes de algumas religiões que incluem a moralidade em tratar com compaixão os menos afortunados entre nós, mas enfatizando também os problemas criados por religiões que resolvem ditar regras e questionar, ou até mesmo desprezar certas descobertas e avanços da Ciência, a partir do que definem como o que deve ser aceito tão somente pela fé.
Sagan comenta sobre o seu livro, O Mundo Assombrado Pelos Demônios, critica as pseudociências e a falta de conhecimentos básicos sobre Ciências demonstrados por boa parte dos jovens (e adultos) dos Estados Unidos, e enfatiza o perigo representado quando alguns políticos também não procuram adquirir e valorizar estes conhecimentos. Creio que não preciso nem dizer que aqui no Brasil o quadro não é muito diferente. Em 2010, jovens vinham me perguntar sobre os "efeitos quânticos" das pulseiras do equilíbrio que eles haviam comprado. 
Em fevereiro de 2009, o senador Marcelo Crivella, parente do bispo Edir Macedo, criticou na tribuna do Senado (leia aqui  na íntegra) os que defendem a Teoria da Evolução das Espécies, de Darwin.
Um certo professor da UnB gostaria que houvesse maior investimento do setor público no estudo que a universidade faz sobre possíveis discos voadores e efeitos paranormais. Conheço também particularmente alguns colegas que acreditam fervorosamente em energias liberadas dos chacras, de alguns tipos de pedras, ou de pirâmides.
Desta forma, acho que a mesma preocupação que Sagan tinha em 1996, deva também ser evidenciada igualmente nos dias de hoje. Assistam:





Espero continuar divulgando e mostrando aqui que a Ciência, apesar de muitas vezes decepcionar a nossa histórica queda em acreditar nos milagres e no fantástico sobrenatural, se revela como o caminho mais seguro em busca do avanço da humanidade.
Agradeço a todos que de alguma forma contribuíram, apoiando o meu trabalho nestes dois anos do INFRAVERMELHO.

O uso de celulares pode provocar câncer?

Uma dúvida comum que as pessoas têm a respeito do uso dos celulares é se as radiações emitidas podem prejudicar de alguma forma o nosso organismo. Vejamos o que a Física nos diz a respeito dos tipos de radiações existentes e seus efeitos.

Radiação ionizante e Radiação não ionizante
Os raios infravermelhos, ultravioletas e a luz emitida pelo sol são exemplos de ondas eletromagnéticas. Quando a frequência das ondas é muito alta, as radiações são chamadas ionizantes, como é o caso dos raios X, ou raios gama, e seus efeitos adversos já são bem conhecidos. Acontece que as radiações dos celulares possuem frequências bem menores, mais próximas das microondas, e são classificadas como não ionizantes. Veja na figura, o espectro eletromagnético mostrando alguns tipos de ondas e suas frequências.
A frequência dos celulares no espectro eletromagnético
Um efeito possível da radiação não ionizante é o aquecimento, como fazem as microondas e também algumas faixas de freqüências do infravermelho, mas o que se sabe é que as microondas usadas nos celulares são de baixíssima potência, e na verdade só podem provocar aumento de temperatura nas células do nosso corpo, em apenas alguns décimos de graus Celcius. Assim, poderíamos concluir que dificilmente estas ondas seriam prejudiciais, desde que a exposição a elas não fosse muito prolongada.

Níveis de radiação
A Anatel estabelece uma Taxa de Absorção Específica, ou Specific Absorption Rate (SAR), que indica o nível máximo permitido de radiação dos celulares. Ela é fixada a partir do que é considerado como limite seguro para o aquecimento que as células do corpo suportam, ao entrar em contato com a radiação emitida pelos aparelhos. No Brasil, a taxa máxima permitida é de 2 W/kg. O índice de seu celular pode ser encontrado no manual ou site do fabricante.

A Mais Completa Pesquisa
A pesquisa considerada mais completa feita até hoje foi um trabalho da OMS (Organização Mundial da Saúde), intitulado Interphone. O estudo reforça a opinião de que não há risco de aumento na incidência de tumores cerebrais em pessoas que usaram celulares por até 10 anos seguidos, mas reconhece que são necessárias pesquisas mais completas. Alguns cientistas contestaram os resultados.
De fato, temos que reconhecer que a pesquisa perde um pouco da credibilidade a partir do momento em que parte dela teria sido financiada justamente por empresas de telefonia móvel, que provavelmente não estariam interessadas em um parecer desfavorável. Outra falha apontada na pesquisa é que ela não considerou o efeito em crianças e adolescentes, que seria bem maior do que nos adultos, pelo motivo de que principalmente nestas faixas de idade ainda é alta a taxa de crescimento das células que formam os tecidos cerebrais, e este fato é reconhecidamente associado a uma maior vulnerabilidade destas células, notadamente no que diz respeito às radiações.
Haveria portanto a necessidade de melhores estudos dos possíveis efeitos em crianças e adolescentes, que hoje em dia representam uma grande porcentagem do número de pessoas que se utilizam dos telefones móveis. Estão previstas outras pesquisas neste sentido.

Minha conclusão pessoal
Depois de ler muito sobre o assunto, cheguei à conclusão de que realmente não podemos falar em certezas, já que nem mesmo os melhores pesquisadores não chegaram a um consenso, e pelo que vi, ainda estão longe disto. No entanto, penso que seria prudente, por enquanto, por precaução, desaconselharmos o uso abusivo destes aparelhos, principalmente pelas crianças.

Fontes:

O Pré-Sal e a Geofísica

Em 2006, a Petrobras descobriu indícios de petróleo em uma camada do subsolo marinho situada a mais de 6000 metros do nível do mar, que ficou conhecida como Pré-Sal. A reserva se estenderia entre as costas dos estados de Santa Catarina e Espírito Santo, e sua existência foi confirmada em 2007. Em 2008, pela primeira vez, a companhia extraiu petróleo do Pré-Sal.
Veja a figura. Ela compara as profundidades das perfurações realizadas antes do Pré-Sal, e o poço Tupi, perfurado em 2007, já na camada do Pré-Sal.

Antes de realizar as perfurações, a Petrobras utiliza uma tecnologia que indica a possível presença de petróleo em uma determinada região de interesse. Um dos métodos aplicados é conhecido pelos geofísicos como Sísmica.

O que é Sísmica?
Semelhante ao ultra-som, bem conhecido da maioria das pessoas, a Sísmica baseia-se em um método acústico, no qual ondas de som são geradas a partir de uma fonte transportada por um navio. Estas ondas, ao atingirem o fundo do mar, são refletidas, e os ecos são captados por sensores (hidrofones), puxados por cabos ligados ao mesmo navio, e posicionados um pouco mais atrás, sustentados por bóias.
A energia captada pelos hidrofones é convertida em sinais digitais que serão interpretados posteriormente por especialistas, e servirão para desenhar um mapa do relevo do fundo do mar. Veja a figura acima que mostra um esquema, em que se pode ver a posição da fonte de energia, e a linha dos hidrofones, que captam os ecos das ondas, e abaixo uma foto de um navio puxando os hidrofones (pontos brancos).
Cálculos
Sabemos através da Física, que a distância total ( D ) percorrida pela onda sonora, desde sua emissão até a receptação do eco, no hidrofone, pode ser calculada por:
D = V . T
onde V representa a velocidade da onda, e T , o tempo gasto para percorrer esta distância.

A partir destes cálculos, desenha-se uma imagem virtual do fundo do mar.
Na figura abaixo, as duas fatias cruzadas mostram imagens que são denominadas Sísmica 2D (duas dimensões), sobrepostas a uma Sísmica 3D, (em cores).

Sísmica 2D e 3D
As buscas e descobertas de petróleo estão se direcionando às regiões de grande profundidade no mar, e e a cada dia há maior necessidade de desenvolvimento destas tecnologias no Brasil.
  

Tamanhos dos astros e estrelas

A maneira mais simples de comparar tamanhos dos astros e estrelas é através de imagens mostrando um ao lado do outro em escalas corretas. Para ajudar, montei uma tabela, com os diâmetros dos principais planetas e satélites do Sistema Solar, em ordem decrescente:

Em preto estão os planetas.

Em vermelho, os satélites ( entre parênteses, a letra inicial do planeta a que pertence).
Em azul os planetas anões situados depois de Netuno
Em verde o planeta anão (Ceres) situado no Cinturão de asteróides, localizado entre Marte e Júpiter.

A sequência de imagens foi retirada do site da USP (Universidade de São Paulo) 

(clique em cada imagem para ampliar)

As queimadas de cana e os satélites

Uma notícia recente, veiculada pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) revelou que pela primeira vez desde 2006, quando se iniciou o monitoramento por satélites, mais da metade do corte de cana-de-açúcar na região de Campinas já está sendo feita mecanicamente, sem a necessidade das queimadas (foto).
Quem, como eu, já mora há um bom tempo aqui em Piracicaba, cidade bem próxima à Campinas, sabe como os famosos “cisquinhos de cana” que caem do céu nas épocas das queimadas são motivo de muito desgosto, principalmente das donas de casa, que logo após terem limpado os quintais ou lavado e pendurado as roupas no varal, vêem seus trabalhos prejudicados por estas pequenas e numerosas fuligens, que levadas à altura pelo ar quente durante as queimadas, são transportadas pelo vento às áreas urbanas, onde se precipitam em grandes quantidades. Quanto aos danos causados ao meio ambiente, como a morte de uma grande variedade de animais silvestres, que não conseguem escapar a tempo dos canaviais, o empobrecimento do solo, e o agravamento do efeito estufa, creio que não preciso nem detalhar aqui.
A fiscalização contra as queimadas seria muito difícil de ser feita somente por equipes no solo, dada à grande extensão e aos numerosos pontos de áreas de cultivo de cana no estado de São Paulo, que contribui com 60% de toda a safra do país. Assim é que se tornaram imprescindíveis as imagens dos satélites que monitoram as áreas de produção de cana e traçam um mapa dos focos das queimadas. Um destes satélites é o CBERS-2B, desenvolvido 30% pelo Brasil e 70% pela China, e que foi colocado em órbita em 2007, por um foguete chinês, da base de lançamento de Taiwan, apesar de o Brasil dispor de uma das bases de lançamento mais bem posicionadas do mundo, a Base de Alcântara no Maranhão.
Como se pode ver na figura, nossa base de lançamento (ponto vermelho do mapa), está localizada bem próxima da Linha do Equador, mas ainda não está capacitada para lançamentos de foguetes de grande porte.
Posição privilegiada
Veja na figura que montei, fazendo uma comparação entre o principal ponto de lançamento de foguetes dentro do território dos Estados Unidos, que fica em Cabo Canaveral, na Flórida, e o ponto de lançamento de Alcântara, no Brasil.
Como todos nós sabemos, a Terra gasta 24 horas para dar uma volta em torno de si mesma. Assim, é fácil perceber que um ponto localizado na linha do Equador, como o da base brasileira, por percorrer uma distância (circunferência correspondente à linha verde no mapa) maior que um ponto localizado na Flórida, deve se deslocar a uma velocidade maior, para que complete a volta ao mesmo tempo. Por causa disto, os foguetes, ao serem lançados próximos à Linha do Equador, já saem com um ganho de velocidade, além da provocada pela propulsão própria. Com isso pode haver uma economia de até 30% nos gastos com combustíveis, o que representa uma vantagem enorme.
Além disso, a Base de Alcântara está localizada em uma área de baixa densidade populacional, à beira do Oceano Atlântico. Esta proximidade com o mar favorece o lançamento de foguetes de grande porte, que necessitam de vários estágios desprendidos durante o lançamento e que podem então cair no mar, sem que se corra um risco considerável de algum eventual acidente, o que não é possível evitar em outras bases do mundo.

Apesar do nosso país só ter amargado até agora algumas tentativas fracassadas de viabilização de um Veículo Lançador de Satélites (VLS), e também de um grave acidente, como o de 2003, matando 21 técnicos, o Brasil precisaria investir mais nos programas espaciais, pois necessitará em um breve futuro, reduzir a forte dependência tecnológica em relação aos outros países bem mais avançados nesta área. Por enquanto, fazemos algumas parcerias, como por exemplo com a Ucrânia, para que seja lançado em Alcântara, o foguete da série Ciclone, e o acordo de cooperação com a China, também inclui o desenvolvimento de mais um satélite de rastreamento, o CBERS-3, que aumentará para 50% a participação do Brasil em relação aos 30% do CBERS-2B. No entanto, o lançamento do CBERS-3 está previsto somente para outubro de 2011.

Na minha opinião, o nosso governo deveria aumentar os esforços para que pudéssemos, em um espaço menor de tempo possível, melhorar o monitoramento do nosso vasto território, com desenvolvimento de recursos próprios, atraindo um grupo de cientistas, engenheiros, técnicos e estudantes brasileiros que se sintam valorizados no nosso próprio país.