Hidroelétrica de Belo Monte: um mal necessário?

No dia 26 de Janeiro de 2011, o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), concedeu autorização para que o consórcio Norte Energia S.A. instalasse o canteiro prévio para as obras da construção da usina Belo Monte, no rio Xingu, no estado do Pará.
A histórica polêmica sobre esta hidroelétrica, que já dura duas décadas, tem colocado o governo brasileiro e os ambientalistas em constantes embates, algumas vezes exacerbados. A foto, de 1989, mostra a índia Tuíra, colocando o facão no rosto de Muniz Lopes, na época, diretor da estatal Eletronorte, num gesto de advertência, durante o 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu. 
A índia Tuíra, colocando o facão no rosto do diretor da Eletronorte, Muniz Lopes.
A posição do Governo
Quando era ministra das Minas e Energia do governo Lula, em 2002, Dilma Rousseff já defendia a construção de Belo Monte, alegando que o motivo principal seria suprir a demanda de energia elétrica, possibilitando o crescimento do país. O questionamento que fazem os ecologistas é se este seria realmente o motivo principal da construção da usina, e supondo-se que assim fosse, como isto poderia justificar os inúmeros impactos ambientais gerados, principalmente devido ao alagamento de áreas ocupadas pelos povos indígenas e comunidades ribeirinhas.

Minhas dúvidas
Eu confesso que depois de conhecer os vários argumentos, tanto por parte dos que defendem, quanto dos que condenam a obra, tive uma percepção de que muitos deles são bem convincentes, o que talvez explique o surgimento de tantas e tão arraigadas opiniões diferentes. É que neste caso, trata-se de um projeto que abrange diversos interesses, envolvendo uma complexidade muito grande de elementos técnicos, políticos, históricos, sociais, étnicos, culturais, entre outros.

O professor Osvaldo Sevá (foto) da Faculdade e Engenharia Mecânica da Unicampferrenho opositor da construção de Belo Montepelo seu vasto currículo e histórico de práticas em defesa do meio ambiente, deixa claro que, neste assunto, é indiscutivelmente uma autoridade respeitável e confiável.
Para ele, o governo atual estaria tentando iludir a sociedade, usando como artifício, a propagação de um falso risco de desabastecimento de energia. Na opinião do professor, se melhorássemos as linhas de transmissão e a eficiência dos sistemas fornecedores de energia já existentes, poderíamos dispensar a construção de grandes usinas como Belo Monte.

Minha opinião
Considerando, dentre tantos, apenas estes poucos problemas que coloquei acima, também acho que a construção da usina poderia ser evitada, se os governos brasileiros anteriores tivessem investido fortemente em educação e ciências, possibilitando o surgimento de novas tecnologias nacionais que pudessem viabilizar economicamente os equipamentos necessários ao funcionamento das fontes alternativas, notadamente as eólicas e solares. Talvez assim não estivéssemos precisando agora brigar internamente para preservar os direitos dos povos indígenas, que estão sendo ameaçados por estes projetos, e assim as grandes hidroelétricas se tornariam realmente, aí então, um mal desnecessário.


Fonte:

Supercomputador Tupã: evitando tragédias.

No final de 2010, o INPE inaugurou o Tupã (foto), um supercomputador encarregado, dentre outras tarefas, de agilizar e refinar os cálculos meteorológicos no nosso país, a fim de elaborar o mais rapidamente possível uma previsão mais exata dos locais de formação de tempestades, bem como do grau de intensidade das chuvas associadas a estes temporais.
Após a atual fase inicial de testes, espera-se que o sistema contribua mais efetivamente para que se possa evitar, ou pelo menos amenizar, os terríveis efeitos de tragédias como as que ocorreram na região serrana do Rio de Janeiro, e também as que têm causado grandes perdas humanas e materiais em outras localidades do Brasil ao longo dos anos.

Deus?
O nome Tupã, dado ao equipamento, faz referência à mitologia indígena brasileira. Lendo aqui percebemos que Tupã não representa um deus de fato. Originalmente, na língua tupi-guarani, esta palavra significa trovão, e estaria relacionada ao som provocado por um deus indígena, provavelmente em um momento de ira.

Velocidade
A velocidade de processamento dos computadores pode ser medida em flops, floating point operations per second (operações de ponto-flutuante por segundo), mas quando ela é muito alta, é comum o uso de prefixos, simbolizando múltiplos de flops. Veja na tabela:
Os mais utilizados são:
Megaflops (Mflops)
Gigaflops (Gflops) 
Teraflops (Tflops) 
Petaflops (Pflops).


A Máquina
O Tupã é na verdade um equipamento Cray XT6, produzido pelos EUA, e comprado pelo Brasil por R$ 50 milhões, através de financiamento feito conjuntamente pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, e pela FAPESP.
O sistema é capaz de trabalhar com velocidade de até 258 TflopsPara efeito de comparação, um bom computador caseiro opera com pouco mais de 100 Gflops. A velocidade do Tupã, portanto, é 2.580 vezes maior do que as máquinas domésticas.

Ranking mundial
De acordo com lista divulgada em novembro de 2010, do Top 500 da Supercomputação, que relaciona os equipamentos mais rápidos do mundo, o Tupã ocupava a 29ª posição. Essa é a mais alta colocação já alcançada por uma máquina instalada no Brasil.

Esperança
Espero que as previsões meteorológicas no Brasil melhorem realmente a partir do incremento de novas tecnologias como esta, mas devemos lembrar também que tais medidas, se forem tomadas isoladamente, sem concomitantes práticas de regulamentação das ocupações em áreas de risco, não terão os resultados desejados para que se possa evitar tragédias do tipo que foram presenciadas no Brasil.
Fontes:
http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2010/11/supercomputador-instalado-no-brasil-e-o-29-mais-poderoso-do-mundo.htm

A última entrevista de Carl Sagan

Hoje o blog INFRAVERMELHO faz aniversário. Exatamente há dois anos publiquei meu primeiro post,  que fiz questão de dedicar à série Cosmos, de Carl Sagan, que faleceu em 20 de Dezembro de 1996, aos 62 anos de idade, depois de uma batalha de dois anos contra uma grave doença na medula óssea denominada mielodisplasia.
Resolvi então homenageá-lo mais uma vez, colocando aqui a última entrevista deste cientista, feita em 27 de maio de 1996, quando ele já estava um pouco debilitado devido ao tratamento da doença, mas ainda bastante esperançoso. Nela ele defende com veemência as mesmas ideias que o tornaram famoso, demonstrando respeito às atitudes de algumas religiões que incluem a moralidade em tratar com compaixão os menos afortunados entre nós, mas enfatizando também os problemas criados por religiões que resolvem ditar regras e questionar, ou até mesmo desprezar certas descobertas e avanços da Ciência, a partir do que definem como o que deve ser aceito tão somente pela fé.
Sagan comenta sobre o seu livro, O Mundo Assombrado Pelos Demônios, critica as pseudociências e a falta de conhecimentos básicos sobre Ciências demonstrados por boa parte dos jovens (e adultos) dos Estados Unidos, e enfatiza o perigo representado quando alguns políticos também não procuram adquirir e valorizar estes conhecimentos. Creio que não preciso nem dizer que aqui no Brasil o quadro não é muito diferente. Em 2010, jovens vinham me perguntar sobre os "efeitos quânticos" das pulseiras do equilíbrio que eles haviam comprado. 
Em fevereiro de 2009, o senador Marcelo Crivella, parente do bispo Edir Macedo, criticou na tribuna do Senado (leia aqui  na íntegra) os que defendem a Teoria da Evolução das Espécies, de Darwin.
Um certo professor da UnB gostaria que houvesse maior investimento do setor público no estudo que a universidade faz sobre possíveis discos voadores e efeitos paranormais. Conheço também particularmente alguns colegas que acreditam fervorosamente em energias liberadas dos chacras, de alguns tipos de pedras, ou de pirâmides.
Desta forma, acho que a mesma preocupação que Sagan tinha em 1996, deva também ser evidenciada igualmente nos dias de hoje. Assistam:





Espero continuar divulgando e mostrando aqui que a Ciência, apesar de muitas vezes decepcionar a nossa histórica queda em acreditar nos milagres e no fantástico sobrenatural, se revela como o caminho mais seguro em busca do avanço da humanidade.
Agradeço a todos que de alguma forma contribuíram, apoiando o meu trabalho nestes dois anos do INFRAVERMELHO.

O uso de celulares pode provocar câncer?

Uma dúvida comum que as pessoas têm a respeito do uso dos celulares é se as radiações emitidas podem prejudicar de alguma forma o nosso organismo. Vejamos o que a Física nos diz a respeito dos tipos de radiações existentes e seus efeitos.

Radiação ionizante e Radiação não ionizante
Os raios infravermelhos, ultravioletas e a luz emitida pelo sol são exemplos de ondas eletromagnéticas. Quando a frequência das ondas é muito alta, as radiações são chamadas ionizantes, como é o caso dos raios X, ou raios gama, e seus efeitos adversos já são bem conhecidos. Acontece que as radiações dos celulares possuem frequências bem menores, mais próximas das microondas, e são classificadas como não ionizantes. Veja na figura, o espectro eletromagnético mostrando alguns tipos de ondas e suas frequências.
A frequência dos celulares no espectro eletromagnético
Um efeito possível da radiação não ionizante é o aquecimento, como fazem as microondas e também algumas faixas de freqüências do infravermelho, mas o que se sabe é que as microondas usadas nos celulares são de baixíssima potência, e na verdade só podem provocar aumento de temperatura nas células do nosso corpo, em apenas alguns décimos de graus Celcius. Assim, poderíamos concluir que dificilmente estas ondas seriam prejudiciais, desde que a exposição a elas não fosse muito prolongada.

Níveis de radiação
A Anatel estabelece uma Taxa de Absorção Específica, ou Specific Absorption Rate (SAR), que indica o nível máximo permitido de radiação dos celulares. Ela é fixada a partir do que é considerado como limite seguro para o aquecimento que as células do corpo suportam, ao entrar em contato com a radiação emitida pelos aparelhos. No Brasil, a taxa máxima permitida é de 2 W/kg. O índice de seu celular pode ser encontrado no manual ou site do fabricante.

A Mais Completa Pesquisa
A pesquisa considerada mais completa feita até hoje foi um trabalho da OMS (Organização Mundial da Saúde), intitulado Interphone. O estudo reforça a opinião de que não há risco de aumento na incidência de tumores cerebrais em pessoas que usaram celulares por até 10 anos seguidos, mas reconhece que são necessárias pesquisas mais completas. Alguns cientistas contestaram os resultados.
De fato, temos que reconhecer que a pesquisa perde um pouco da credibilidade a partir do momento em que parte dela teria sido financiada justamente por empresas de telefonia móvel, que provavelmente não estariam interessadas em um parecer desfavorável. Outra falha apontada na pesquisa é que ela não considerou o efeito em crianças e adolescentes, que seria bem maior do que nos adultos, pelo motivo de que principalmente nestas faixas de idade ainda é alta a taxa de crescimento das células que formam os tecidos cerebrais, e este fato é reconhecidamente associado a uma maior vulnerabilidade destas células, notadamente no que diz respeito às radiações.
Haveria portanto a necessidade de melhores estudos dos possíveis efeitos em crianças e adolescentes, que hoje em dia representam uma grande porcentagem do número de pessoas que se utilizam dos telefones móveis. Estão previstas outras pesquisas neste sentido.

Minha conclusão pessoal
Depois de ler muito sobre o assunto, cheguei à conclusão de que realmente não podemos falar em certezas, já que nem mesmo os melhores pesquisadores não chegaram a um consenso, e pelo que vi, ainda estão longe disto. No entanto, penso que seria prudente, por enquanto, por precaução, desaconselharmos o uso abusivo destes aparelhos, principalmente pelas crianças.

Fontes:

O Pré-Sal e a Geofísica

Em 2006, a Petrobras descobriu indícios de petróleo em uma camada do subsolo marinho situada a mais de 6000 metros do nível do mar, que ficou conhecida como Pré-Sal. A reserva se estenderia entre as costas dos estados de Santa Catarina e Espírito Santo, e sua existência foi confirmada em 2007. Em 2008, pela primeira vez, a companhia extraiu petróleo do Pré-Sal.
Veja a figura. Ela compara as profundidades das perfurações realizadas antes do Pré-Sal, e o poço Tupi, perfurado em 2007, já na camada do Pré-Sal.

Antes de realizar as perfurações, a Petrobras utiliza uma tecnologia que indica a possível presença de petróleo em uma determinada região de interesse. Um dos métodos aplicados é conhecido pelos geofísicos como Sísmica.

O que é Sísmica?
Semelhante ao ultra-som, bem conhecido da maioria das pessoas, a Sísmica baseia-se em um método acústico, no qual ondas de som são geradas a partir de uma fonte transportada por um navio. Estas ondas, ao atingirem o fundo do mar, são refletidas, e os ecos são captados por sensores (hidrofones), puxados por cabos ligados ao mesmo navio, e posicionados um pouco mais atrás, sustentados por bóias.
A energia captada pelos hidrofones é convertida em sinais digitais que serão interpretados posteriormente por especialistas, e servirão para desenhar um mapa do relevo do fundo do mar. Veja a figura acima que mostra um esquema, em que se pode ver a posição da fonte de energia, e a linha dos hidrofones, que captam os ecos das ondas, e abaixo uma foto de um navio puxando os hidrofones (pontos brancos).
Cálculos
Sabemos através da Física, que a distância total ( D ) percorrida pela onda sonora, desde sua emissão até a receptação do eco, no hidrofone, pode ser calculada por:
D = V . T
onde V representa a velocidade da onda, e T , o tempo gasto para percorrer esta distância.

A partir destes cálculos, desenha-se uma imagem virtual do fundo do mar.
Na figura abaixo, as duas fatias cruzadas mostram imagens que são denominadas Sísmica 2D (duas dimensões), sobrepostas a uma Sísmica 3D, (em cores).

Sísmica 2D e 3D
As buscas e descobertas de petróleo estão se direcionando às regiões de grande profundidade no mar, e e a cada dia há maior necessidade de desenvolvimento destas tecnologias no Brasil.
  

Tamanhos dos astros e estrelas

A maneira mais simples de comparar tamanhos dos astros e estrelas é através de imagens mostrando um ao lado do outro em escalas corretas. Para ajudar, montei uma tabela, com os diâmetros dos principais planetas e satélites do Sistema Solar, em ordem decrescente:

Em preto estão os planetas.

Em vermelho, os satélites ( entre parênteses, a letra inicial do planeta a que pertence).
Em azul os planetas anões situados depois de Netuno
Em verde o planeta anão (Ceres) situado no Cinturão de asteróides, localizado entre Marte e Júpiter.

A sequência de imagens foi retirada do site da USP (Universidade de São Paulo) 

(clique em cada imagem para ampliar)

As queimadas de cana e os satélites

Uma notícia recente, veiculada pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) revelou que pela primeira vez desde 2006, quando se iniciou o monitoramento por satélites, mais da metade do corte de cana-de-açúcar na região de Campinas já está sendo feita mecanicamente, sem a necessidade das queimadas (foto).
Quem, como eu, já mora há um bom tempo aqui em Piracicaba, cidade bem próxima à Campinas, sabe como os famosos “cisquinhos de cana” que caem do céu nas épocas das queimadas são motivo de muito desgosto, principalmente das donas de casa, que logo após terem limpado os quintais ou lavado e pendurado as roupas no varal, vêem seus trabalhos prejudicados por estas pequenas e numerosas fuligens, que levadas à altura pelo ar quente durante as queimadas, são transportadas pelo vento às áreas urbanas, onde se precipitam em grandes quantidades. Quanto aos danos causados ao meio ambiente, como a morte de uma grande variedade de animais silvestres, que não conseguem escapar a tempo dos canaviais, o empobrecimento do solo, e o agravamento do efeito estufa, creio que não preciso nem detalhar aqui.
A fiscalização contra as queimadas seria muito difícil de ser feita somente por equipes no solo, dada à grande extensão e aos numerosos pontos de áreas de cultivo de cana no estado de São Paulo, que contribui com 60% de toda a safra do país. Assim é que se tornaram imprescindíveis as imagens dos satélites que monitoram as áreas de produção de cana e traçam um mapa dos focos das queimadas. Um destes satélites é o CBERS-2B, desenvolvido 30% pelo Brasil e 70% pela China, e que foi colocado em órbita em 2007, por um foguete chinês, da base de lançamento de Taiwan, apesar de o Brasil dispor de uma das bases de lançamento mais bem posicionadas do mundo, a Base de Alcântara no Maranhão.
Como se pode ver na figura, nossa base de lançamento (ponto vermelho do mapa), está localizada bem próxima da Linha do Equador, mas ainda não está capacitada para lançamentos de foguetes de grande porte.
Posição privilegiada
Veja na figura que montei, fazendo uma comparação entre o principal ponto de lançamento de foguetes dentro do território dos Estados Unidos, que fica em Cabo Canaveral, na Flórida, e o ponto de lançamento de Alcântara, no Brasil.
Como todos nós sabemos, a Terra gasta 24 horas para dar uma volta em torno de si mesma. Assim, é fácil perceber que um ponto localizado na linha do Equador, como o da base brasileira, por percorrer uma distância (circunferência correspondente à linha verde no mapa) maior que um ponto localizado na Flórida, deve se deslocar a uma velocidade maior, para que complete a volta ao mesmo tempo. Por causa disto, os foguetes, ao serem lançados próximos à Linha do Equador, já saem com um ganho de velocidade, além da provocada pela propulsão própria. Com isso pode haver uma economia de até 30% nos gastos com combustíveis, o que representa uma vantagem enorme.
Além disso, a Base de Alcântara está localizada em uma área de baixa densidade populacional, à beira do Oceano Atlântico. Esta proximidade com o mar favorece o lançamento de foguetes de grande porte, que necessitam de vários estágios desprendidos durante o lançamento e que podem então cair no mar, sem que se corra um risco considerável de algum eventual acidente, o que não é possível evitar em outras bases do mundo.

Apesar do nosso país só ter amargado até agora algumas tentativas fracassadas de viabilização de um Veículo Lançador de Satélites (VLS), e também de um grave acidente, como o de 2003, matando 21 técnicos, o Brasil precisaria investir mais nos programas espaciais, pois necessitará em um breve futuro, reduzir a forte dependência tecnológica em relação aos outros países bem mais avançados nesta área. Por enquanto, fazemos algumas parcerias, como por exemplo com a Ucrânia, para que seja lançado em Alcântara, o foguete da série Ciclone, e o acordo de cooperação com a China, também inclui o desenvolvimento de mais um satélite de rastreamento, o CBERS-3, que aumentará para 50% a participação do Brasil em relação aos 30% do CBERS-2B. No entanto, o lançamento do CBERS-3 está previsto somente para outubro de 2011.

Na minha opinião, o nosso governo deveria aumentar os esforços para que pudéssemos, em um espaço menor de tempo possível, melhorar o monitoramento do nosso vasto território, com desenvolvimento de recursos próprios, atraindo um grupo de cientistas, engenheiros, técnicos e estudantes brasileiros que se sintam valorizados no nosso próprio país.

O filme Avatar e as exoluas

Ontem fui com minha filha assistir ao filme Avatar. As ações do filme se passam em Pandora, uma lua do planeta Polyphemus, existente apenas na ficção, e que estaria situada no Sistema da estrela Alpha Centauri, a mais próxima de nós, a aproximadamente 4,5 anos-luz de distância.
Mas será que de fato haveria a possibilidade de existência de luas habitáveis como Pandora?

Apesar de luas habitáveis como Pandora serem produtos da ficção científica, algumas prováveis exoluas (luas fora do Sistema Solar) semelhantes à Pandora poderão ser identificadas e estudadas.

Os planetas gigantes gasosos do Sistema Solar, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno têm luas rochosas, e se o mesmo acontecesse com alguns exoplanetas, haveria uma grande possibilidade de termos muitas exoluas habitáveis.
Uma vez detectada a exolua, o primeiro passo seria determinar se ela tem atmosfera. A nossa Lua, por exemplo, não tem atmosfera, ao contrário de Titan, uma das luas de Saturno.
O segundo passo seria descobrir se a exolua tem magnetosfera para protegê-la das correntes de partículas de sua estrela e da radiação de seu planeta. Caso não tivesse, a atmosfera poderia ser desfeita ao ser "soprada" para fora por essas correntes.
A maioria dos exoplanetas descobertos são maiores do que Júpiter, o planeta de maior massa no nosso Sistema Solar, mas o interessante é que grandes planetas podem ter luas grandes também, o que significa que elas podem ter atmosfera. Portanto, podemos concluir que seria perfeitamente possível que um gigante gasoso tivesse várias luas, com habitats que poderiam ser muito estranhos e fascinantes, semelhantes aos da exolua Pandora.

Calendário Cósmico

O cientista Carl Sagan, em um episódio da série Cosmos, compactou os 13,7 bilhões de anos do Universo em apenas um ano, que ele chamou de Ano Cósmico. A correspondência entre o tempo decorrido neste ano e o tempo do Universo seria:

1 mês do Ano Cósmico = 1 bilhão e 250 milhões de anos do Universo.
1 dia do Ano Cósmico = 40 milhões de anos do Universo.
1 minuto do Ano Cósmico = 30.000 anos do Universo.
1 segundo do Ano Cósmico = 500 anos do Universo.

Observe a figura, correspondente ao Calendário Cósmico: 

Considerando esta compactação, veja em que horários teriam ocorridos os seguintes acontecimentos do dia 31 de Dezembro do Ano Cósmico:

22h 30min - Primeiros seres humanos.
23h 59min 35 s - Primeiras cidades.
23h 59min 51 s - Invenção do alfabeto.
23h 59min 59s - Descobrimento do Brasil.

Assim fica fácil perceber o pequeno tempo de duração da espécie humana, comparando com o tempo total da existência do Universo. O que preocupa é saber que durante esse curto intervalo de tempo a humanidade já piorou muito as condições ambientais necessárias à sua própria sobrevivência na Terra. Pode-se chegar à conclusão de que, a seguir neste ritmo, a nossa espécie corre grande risco de ser extinta, como aconteceu com os dinossauros que, como se pode ver, estiveram por aqui durante muito mais tempo que nós. Assista o trecho do episódio em que Carl Sagan explica o Calendário Cósmico:

Fé e Razão

A primeira pessoa que ficou conhecida por defender a teoria do Big Bang foi um padre jesuíta chamado Georges Lemaitre (foto), em 1927. Na época, ele foi ridicularizado por ter proposto a teoria, pois a maioria dos físicos acreditava em um Universo estático. Edwin Hubble provaria, algum tempo depois, que o Universo na realidade se encontra mesmo em expansão, o que reforçou a ideia de um ponto inicial em que a matéria estaria muitíssimo concentrada.
Einstein chegou a alterar suas equações da Teoria da Relatividade Geral, para ajustá-las ao modelo de um Universo estático, o qual defendia. Porém, mais tarde, ele mesmo admitiria que este teria sido o maior erro de sua carreira. Quase à mesma época, Lemaitre tentou convencê-lo de que ele poderia estar enganado, ao que Einstein teria respondido:
“Seus cálculos são perfeitos, mas sua Física é abominável”.

Religiosos racionais
Se enumerássemos os cientistas religiosos que contribuíram para melhorar nossas visões de mundo, a lista não seria pequena. Johannes Kepler, por exemplo, acreditava que Deus seguiria um padrão geométrico perfeito, e assim perseguiu durante quase toda a sua vida um modelo de órbitas que, na sua visão, corresponderiam às medidas dos 5 sólidos perfeitos de Platão (figura).

“A geometria existia antes da criação.
É tão eterna como o pensamento de Deus.
A geometria deu a Deus um modelo para a criação.
A geometria é o próprio Deus”
Kepler (1571-1630)

Recomendo o episódio Harmonia dos Mundos da série Cosmos, de Carl Sagan, que mostra de forma brilhante esta história. (clique aqui para ver).

Acho que devemos agradecer a estes cientistas que não deixaram que a fé se sobrepusesse à razão, ao contrário de tantos que se opõem atualmente às teorias calcadas em fortes evidências científicas, como por exemplo, a Teoria da Evolução das Espécies, elaborada por Darwin.

Quando ainda somos crianças, certos ensinamentos são passados a nós através de situações metafóricas, lendas ou mitos, que esclarecem momentaneamente algumas dúvidas sobre o mundo em que vivemos, mas para que possamos obter um entendimento mais amplo será preciso um grande esforço de desprendimento das tradições e revelações, transmitidas por familiares ou por "autoridades". 
Cada um pode e deve acreditar no que quiser, ter a sua fé e sua religião, mas essas crenças não podem servir de impedimento para que a Ciência continue avançando no aprimoramento e entendimento do mundo, do Universo e de todos os fenômenos naturais.