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Quem os carros autônomos deveriam escolher salvar ou matar em caso de decisões extremas?

Há uns 8 meses fiquei sabendo da história do americano Joshua Brown que postou um vídeo no Youtube, mostrando como o seu carro Tesla ModelS evitou uma batida com um caminhão que imprudentemente fechou a sua frente. Este tipo de carro possui sensores que permitem que ele se movimente autonomamente, e neste caso o sistema teria feito com que ele freasse e desviasse do caminhão. Veja o vídeo:

Infelizmente, um mês depois, Joshua sofreu um acidente fatal, tendo seu carro entrado debaixo de uma carreta. Supõem-se que ele não estivesse com as mãos no volante, e que os sensores de freio também tenham falhado. Veja como o carro ficou:












Agora estão se intensificando debates sobre até que ponto poderíamos confiar suficientemente em um carro totalmente autônomo. Além disso, outras questões muito pertinentes têm sido colocadas a respeito de qual decisão seria mais adequada no caso de o carro ter que escolher entre uma colisão com um grupo de pedestres a sua frente, salvando o motorista, ou optando por salvar preferencialmente os pedestres.
Um estudo feito pela Escola de Economia de Toulouse mostrou que mais de 75% dos inquiridos preferiram o auto-sacrifício do motorista se fosse para salvar um grupo de 10 pedestres, e cerca de 50% apoiaram o auto-sacrifício se fosse para salvar apenas um pedestre. No entanto, os entrevistados de fato não acham que os carros reais acabem sendo programados dessa maneira, e que o veículo provavelmente tentaria salvar o motorista a qualquer preço.
Uma versão da pesquisa questionou sobre a quantidade de pessoas que seriam mortas (entre 1 e 10) se o carro tivesse que escolher entre sacrificar o motorista ou os pedestres. Em outra versão testou-se como as pessoas programariam os carros, sacrificando sempre o motorista, ou protegendo-o, e também aleatoriamente, avaliando-se a moralidade em cada caso. 
Os pesquisadores informaram que os entrevistados geralmente eram receptivos aos carros autônomos que optassem tomar decisões que priorizassem salvar uma maior quantidade de pessoas. Isto é conhecido na filosofia como utilitarismo. No entanto, eles prevêem que será difícil estabelecer regulamentos, quando questionarmos se o público apoiaria uma lei que exigisse que esses carros sacrificassem os seus passageiros em determinadas circunstâncias.
Esta é uma questão que sem dúvida irá afligir a indústria automobilística autônoma. Já está comprovado que os carros autônomos podem reduzir as mortes no trânsito em até 90%, mas no campo da ética, o que acontece aos outros 10% é uma questão que ainda deverá ser muito debatida.

Fontes:
http://www.popsci.com/who-will-driverless-cars-decide-to-killcon=TrueAnthem&dom=fb&src=SOC&utm_campaign=&utm_content=584eb597b8a9fe00073926fa&utm_medium=&utm_source=
http://g1.globo.com/carros/noticia/2016/07/divulgadas-imagens-de-carro-da-tesla-apos-acidente-fatal-nos-eua.html
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Propulsão eletromagnética não violaria a terceira lei de Newton

Os físicos acabam de publicar um novo estudo sugerindo que a controvertida propulsão eletromagnética poderia realmente funcionar, e na verdade ela não estaria violando a terceira lei de Newton, como se imaginava antes. A lei determina que para que um corpo receba um impulso para a frente, é necessário que ele impulsione uma outra massa para trás (princípio da ação e reação).

Nos foguetes convencionais, os gases de escape são queimados, e esta massa expelida para trás faz surgir uma força para frente no foguete.
A propulsão eletromagnética por sua vez funciona de uma maneira diferente. Ela foi concebida inicialmente em 1999, pelo cientista britânico Roger Shawyer (foto). A unidade usa ondas eletromagnéticas como combustível, que impulsionam micro-ondas dentro de uma cavidade de metal produzindo movimento.
Roger Shawyer ao lado de sua criação.










Viagem a Marte em 70 dias?
Segundo os cálculos de Shawyer, o impulso produzido seria suficiente para levar seres humanos até Marte em apenas 70 dias, sem a necessidade de combustíveis pesados e caros. Isso seria fantástico, mas durante muito tempo a comunidade científica têm mostrado ceticismo a respeito da possibilidade de real funcionamento deste dispositivo, justamente pelo fato de ele aparentemente violar a lei da ação e reação. Pode-se entender facilmente a razão do dilema, pois a unidade criada não usando combustível convencional, não produziria gases de escape, e desta forma não poderia gerar impulso no foguete.

Terceira lei confirmada
No entanto, uma possível solução potencial foi dada agora por físicos da empresa COMSOL, da Universidade de Helsinki, e da Universidade de Jyväskylä, na Finlândia. Segundo os pesquisadores, haveria de fato um produto de escape, que na verdade é luz, ou mais especificamente, fótons emparelhados uns com os outros.
Mas se esse é o caso, por que ninguém detectou estes fótons antes?
Os pesquisadores acreditam que é porque os fótons ao se emparelharem se movimentam em oposição de fase, o que significa que eles se anulam mutuamente. Se você pensar nas ondas de água, quando a crista de uma onda se sobrepõe ao vale de outra, elas se anulam e formam uma região plana, apesar do fato de duas ondas estarem passando por ali. Isso é o que provavelmente esteja acontecendo com os fótons, e por isso, em outras palavras, eles se tornam invisíveis, do ponto de vista eletromagnético.

Na verdade, o que se tem por enquanto é apenas uma hipótese baseada em cálculos teóricos, mas não é a primeira vez que os fótons têm sido utilizados para impulsionar naves espaciais - esta é também a ideia em que se baseia a vela solar de Bill Nye.

Agora, os engenheiros irão iniciar os testes a fim de verificar se esta hipótese se sustenta, e isso já vai ser um desafio por si só, pois sem uma assinatura eletromagnética, os pesquisadores vão ter de detectar os fótons usando um interferômetro, não muito diferente daquele que captou recentemente ondas gravitacionais provenientes do espaço.

Mas se os cientistas puderem verificar que esses fótons emparelhados de fato estão sendo empurrados para fora, as unidades de motores eletromagnéticos serão uma realidade, ajudando os engenheiros a projetarem cavidades melhores, produzindo ainda mais impulso. Resta esperar pelos testes, e caso este modelo inovador se confirme, abrirá possibilidades de viagens antes inimagináveis pelo nosso sistema solar e talvez até mesmo para outros lugares mais distantes.

Fontes:
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Como funciona o mecanismo que avisa quando a sanduicheira elétrica está pronta para uso?

Em uma aula de Física mostrei aos alunos uma aplicação prática do conceito de dilatação térmica, relacionado ao controle e funcionamento de uma sanduicheira elétrica. 
Alguns dias antes da aula, desmontei uma sanduicheira velha e retirei uma pequena lâmina bimetálica circular que estava próxima à chapa de aquecimento.
A maioria das sanduicheiras acende uma das lâmpadas quando a colocamos na tomada, e depois de algum tempo, outra lâmpada (verde), avisa que a sanduicheira está pronta para uso.

A aula
Ao iniciar a aula, perguntei primeiramente aos alunos se eles sabiam dizer como a sanduicheira reconhecia o momento certo de acender a lâmpada verde. A maioria deles não soube informar. Comecei fazendo uma demonstração simples com um pedaço de papel com uma das faces laminadas. Vejam um exemplo:
Logo depois, expliquei que podemos substituir o papel e o alumínio por dois metais com diferentes coeficientes de dilatação para criarmos uma lâmina bimetálica, como a usada na sanduicheira. Ao ser aquecida, ela também se dobra, empurrando o interruptor e acendendo a luz verde. Logo após colocar a pequena lâmina na chapa de um aquecedor elétrico, pudemos perceber que ela se dobrava repentinamente, dando até um "pulinho" na chapa do aquecedor. Vejam: 
Esta dobra rápida na lâmina é responsável por pressionar o interruptor do circuito. Os alunos se divertiram e ao mesmo tempo aproveitaram para entender a importância de determinados fenômenos físicos e suas utilidades em nosso dia-a-dia.
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Infravermelhos podem ser vistos pelos nossos olhos

Até hoje sempre ensinei aos meus alunos  que os nossos olhos não estão capacitados para enxergar os raios infravermelhos, pois eles estão fora do espectro visível, mas descobri lendo um artigo da Discover Magazine que pesquisa recente mostrou que em condições especiais, dois fótons de infravermelho de baixa energia podem se juntar na retina formando imagens visíveis. Experiências realizadas com 30 participantes, mostraram que eles relataram ter visto uma pálida linha verde de luz ao observarem raios infravermelhos. Esta constatação experimental foi considerada inicialmente muito estranha, pois estes raios são demasiadamente fracos para serem vistos pelos seres humanos.
Se quisermos ver todos os raios infravermelhos ainda precisaremos de óculos ou câmeras especiais, mas simulações e cálculos de computador da equipe de pesquisa revelaram um mecanismo que ocorre naturalmente em nossos olhos, e que nos permite vislumbrar a radiação infravermelha de baixa energia, sem o auxílio da tecnologia.

Para entender melhor, observe os infográficos que eu traduzi e adaptei do artigo da Discover. Eles mostram primeiramente o processo que se dá na percepção das cores do nosso espectro visível, através da visão normal, e depois o processo de percepção de uma luz verde, a partir de dois raios infravermelhos de baixa energia que incidem no olho, e que após terem atravessado o cristalino, atingem a retina e juntam-se para a formação de uma imagem que pode ser percebida, pois o pulso passa a ter energia suficiente para ser interpretado pelo cérebro como luz visível.

Visão normal
Processo de percepção das cores na visão normal. (Clique na imagem para ampliar)
Visão do Infravemelho
Processo de percepção de luz verde a partir de infravermelhos. (Clique na imagem para ampliar)





Fontes:
http://discovermagazine.com/2015/oct/3-seeing-the-invisible
http://www.pnas.org/content/111/50/E5445.full
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Energia Solar: quase um quatrilhão de kWh por dia.

A energia devido à irradiação solar que atinge o nosso planeta diariamente corresponde a cerca de 970 trilhões de kWh. Poderíamos aproveitar melhor esta energia para a produção de eletricidade, cuja demanda aumenta rapidamente no mundo. Com certeza, os custos ambientais seriam bem menores, comparados às hidrelétricas, termoelétricas, e usinas nucleares, as três maiores responsáveis por quase toda energia elétrica gerada atualmente.
Energia Solar Concentrada
A CSP (sigla em inglês para Concentrated Solar Power) é uma forma de captação de energia solar que usa espelhos ou lentes que concentram a energia térmica luminosa do Sol em um ponto ou uma região focal.  
Há muito tempo que já se conhece e são usados modelos que captam e concentram os raios solares através de espelhos, com a finalidade de se otimizar o efeito provocado pelo aquecimento do Sol. Veja a gravura mostrando um concentrador cilíndrico-parabólico de John Ericsson, datado do ano de 1870. 

Neste semestre, em uma disciplina eletiva sobre energias, estou desenvolvendo modelos com meus alunos, usando duas parabólicas que estavam desativadas na escola. Inicialmente tentamos usar papel alumínio como material refletor, e depois, para melhorar a eficiência, usamos pedaços de espelhos. Nos testes, eles puderam perceber que na região do foco, a temperatura aumenta rapidamente (fotos).

Tipos principais de usinas solares
Há diferentes modelos de usinas solares usadas em diversas partes do mundo, sobretudo na Espanha e nos Estados Unidos. Vou ater-me neste post aos três tipos mais difundidos.

1) Disco Parabólico:
Neste tipo mostrado na foto, no foco do espelho parabólico, é fixado um motor do tipo Stirling. O funcionamento deste motor está simplificado na animação a seguir. As altas temperaturas fazem com que haja uma expansão do gás no interior, deslocando os pistões, que por sua vez provocam o giro de uma roda que gera energia elétrica.  
Este tipo de motor funciona somente com diferenças de pressões e temperaturas, sem explosões, e sem produção de gases de escape, como ocorre nos motores a combustão dos automóveis.

2) Calhas Cilíndricas Parabólicas:
Neste tipo de usina solar, diversas calhas parabólicas se movimentam seguindo o Sol, e na linha do foco delas passa uma tubulação reta preenchida com fluido, que pode ser água, ou uma solução de sal derretido, produzindo vapor à alta pressão que é conduzido a uma turbina acoplada a um gerador de eletricidade. Veja a foto de uma delas:
3) Torre Central com espelhos planos direcionados:
Neste tipo de usina solar inclui-se a maior existente no mundo, que é a de Ivanpah, situada no Deserto de Mojave, Califórnia (EUA), e que foi financiada pela Google. Suas três torres podem gerar uma potência de até 392 MW, e está funcionando desde fevereiro de 2014. Quem quiser conhecê-la um pouco mais sugiro os dois vídeos curtinhos a seguir.


Futuro
Um estudo indicou que a Energia Solar Concentrada pode vir a representar 25% das necessidades de energia no mundo até 2050. A Espanha é líder deste tipo de usina de energia, com mais de 50 projetos aprovados, e exporta sua tecnologia para vários países. O maior crescimento é previsto para áreas de grande insolação, como México, África, sudoeste dos EUA, Oriente Médio, Austrália, entre outros. No Brasil, como sempre, começamos a engatinhar recentemente nesta área, mas apenas com modelos modestos, e ainda em estudos. A região Nordeste de nosso país seria a mais indicada para implantação, da mesma forma como acontece com as usinas eólicas, pois lá, assim como venta muito, também há muita insolação durante o ano.

Efeitos à vida selvagem
Como em todas as inovações tecnológicas, já há grupos de ecologistas que alertam para os danos que podem ser causados à flora e fauna das regiões onde funcionam estas usinas. Estudos feitos por eles indicam que insetos podem ser atraídos pela luz brilhante, e como resultado, as aves que se alimentam deles podem ser mortas queimadas pelo intenso calor, caso elas voem próximas dos focos de luz concentrada pelos milhares de espelhos (foto). Isto também pode afetar aves de rapina que se alimentam destas aves.
Mas ao contrário do que foi alardeado por alguns adversários da usina de Ivanpah, que produziram um relatório exageradamente catastrófico sobre os efeitos, enumerando dezenas de milhares de mortes de aves que vivem próximas àquela usina, um relatório rigoroso feito em mais de seis meses mostrou que apenas 133 aves foram chamuscadas pelo calor, número relativamente baixo, comparado com as centenas de milhões que morrem anualmente devido às colisões com janelas de vidro, veículos, e linhas de energia.

Concluindo
Já passamos da hora de aproveitarmos melhor a energia que o Sol nos manda todos os dias. Penso que devemos incentivar e divulgar cada vez mais as vantagens de uma diversificação da matriz energética mundial, buscando alternativas como estas. Eu tento fazer a minha parte, informando aos meus alunos sobre os benefícios que podem ser trazidos, principalmente se levarmos em consideração o grande aumento do consumo de eletricidade. As consequências trazidas por meios de obtenção de energia elétrica que se utilizam da queima de combustíveis fósseis, ou outras formas não sustentáveis do ponto de vista do meio ambiente, como na produção de resíduos radiativos, ou através da inundação de grandes áreas que poderiam ser destinadas à produção de alimentos, podem ser fatais para a vida futura no nosso planeta. 
E para finalizar, deixo um interessante (e curtinho) vídeo publicitário, mostrando os valores da energia solar de uma forma bem criativa.
  
Fontes:
https://en.wikipedia.org/wiki/Concentrated_solar_power
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O custo real da carne

Somente as preocupações com a saúde não vão conseguir reduzir o crescente consumo de carne no mundo. Talvez as preocupações com o meio ambiente sejam mais convincentes.
Apenas poucas décadas atrás, uma refeição contendo carne era tida como um privilégio. Nos dias de hoje, a maioria de nós ocidentais come carne quase todos os dias, e muitos a consomem em todas as refeições. Até mesmo as pessoas provenientes de culturas, digamos, menos carnívoras, estão também mudando seus hábitos. Na China, por exemplo, comer carne tornou-se atualmente uma aspiração.

A produção de carne no mundo subiu de 78 milhões de toneladas por ano em 1963, para 308 milhões de toneladas em 2014.

Deixando de lado as questões em torno da moralidade de se comer animais, o problema é que o planeta não pode suportar esse crescente apetite. A área de pastagem de gado usada no mundo já corresponde a 26% das terras livres disponíveis para esta finalidade, e a indústria da carne é responsável por 15% de todas as emissões de gases do efeito estufa.
Ao longo de décadas, o preço da carne foi diminuindo devido às práticas agrícolas cada vez mais eficientes. Ao mesmo tempo que isso é bom para os consumidores, é ruim para o meio ambiente, em termos de poluição, resistência aos antibióticos, bem como para o clima - e, é claro, principalmente para os próprios animais sacrificados.

Seria viável aumentar o preço da carne para diminuir o consumo?
Os governos têm conseguido reduzir o consumo de álcool e tabaco através dessa prática, mas um "imposto penalizador" sobre a carne não teria uma justificativa tão contundente quanto à estabelecida para quem consome bebidas alcoólicas ou fuma. É claro que há muitas evidências sobre possíveis ligações entre altos níveis de consumo de carne, e a propensão em adquirir câncer e doenças cardíacas. Talvez, uma opção viável seria a de que os governos reduzissem os subsídios agrícolas que sustentam a produção da carne, mas poucos deles resistiriam à pressão contrária dos envolvidos no setor de negócios agropecuários, e até mesmo do próprio mercado consumidor.  

A Persuasão pode funcionar melhor do que a coerção. 
No Reino Unido e nos Estados Unidos, preocupações com a saúde já reduziram o consumo de carne vermelha e processada. Nas últimas orientações dietéticas emitidas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos estão sendo abordados os efeitos sobre o meio ambiente, bem como à saúde. A indústria não vai gostar, mas o público pode achar interessante conhecer melhor os benefícios de adotar uma dieta baixa em carne e gorduras.

Fontes:
http://www.newscientist.com/article/mg22530052.900-the-world-pays-too-high-a-price-for-cheap-meat.html?utm_source=NSNS&utm_medium=SOC&utm_campaign=hoot&cmpid=SOC%257CNSNS%257C2014-GLOBAL-hoot#.VMadsv7F9PK

http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/meio-ambiente/producao-de-carne-bovina-tem-custo-ambiental-maior-do-que-frango-porco-13331946
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Nobel de Física: os LEDs azuis

Recentemente foram divulgados os nomes dos três cientistas que ganharam conjuntamente o Prêmio Nobel de Física. Isamu AkasakiHiroshi Amano, e Shuji Nakamura receberão, cada um, a quantia aproximada de 880 mil reais.

LEDs azuis
No início dos anos 1990, estes três japoneses conseguiram desenvolver a luz LED azul, que quando juntada à luz vermelha e verde podem produzir a luz branca (figura). Este trio de cores forma um sistema conhecido como RGB (do inglês, Red, Green, Blue) que é usado nas telas dos computadores e celulares.

Os LEDs vermelhos e verdes já haviam sido descobertos muito tempo antes, mas sem a luz azul, não era possível criar lâmpadas LED brancas.
Apesar dos esforços consideráveis​​, tanto na comunidade científica e na indústria, o LED azul permaneceu como um desafio durante três décadas.

LEDs
LEDs são basicamente semicondutores projetados para emitir luz quando são ativados. Diferentes substâncias químicas dão diferentes cores ao LEDs. Os primeiros LEDs foram desenvolvidos nos anos 1950 e 60. Na época, os cientistas desenvolveram LEDs que emitiam desde luz infravermelha até luz verde, mas não conseguiam chegar ao azul. É que os produtos químicos necessários, incluindo cristais cuidadosamente criados, ainda não eram capazes de serem produzidos no laboratório.
Dois dos vencedores deste ano, Isamu Akasaki e Hiroshi Amano, trabalharam juntos na produção de Nitreto de Gálio de alta qualidade, um produto químico que aparece em muitas das camadas de um LED azul. Os LEDs vermelhos e verdes anteriores utilizavam Fosfeto de Gálio, que era mais fácil de produzir. Ambos os grupos de Akasaki e Nakamura continuarão trabalhando agora para tornar ainda mais eficientes os LEDs azuis.

Eficiência
Quando se difundirem mais e se tornarem mais baratas, as lâmpadas brancas de LED tenderão a substituir as fluorescentes compactas (figura).
Uma lâmpada moderna de LED branco converte mais de 50% da energia elétrica que utiliza em luz. Se compararmos com a taxa de conversão de 4% para as lâmpadas incandescentes, podemos dizer que ela é muito mais eficiente. Além disso, as LEDs também duram até 100.000 horas, em comparação com 10.000 horas das fluorescentes e 1.000 horas das lâmpadas incandescentes.

No Brasil, seguindo uma lei, desde o ano passado já não se pode mais fabricar ou importar incandescentes de 150 W e 100 W, e desde 1º de julho deste ano, essa proibição está valendo também para as de 60 W, que até bem pouco tempo eram as mais procuradas. Portanto, só restará a partir de agora, acabarem os estoques nas lojas, e então será cada vez mais difícil encontrá-las.

Benefícios
Como destaca o release do comitê do Nobel, do Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia, cerca de um quarto do consumo de eletricidade mundial é utilizado para iluminação. Desta forma, os LEDs contribuirão para diminuir o desperdício dos recursos da Terra.
A lâmpada LED é uma grande promessa para o aumento da qualidade de vida de mais de 1,5 bilhões de pessoas ao redor do mundo que não têm acesso às redes de eletricidade. Devido ao baixo consumo de energia, ela pode ser alimentada por uma fonte de energia solar mais barata no próprio local.

A invenção do LED azul tem apenas vinte anos de idade, mas já contribuiu para criar a luz branca de uma maneira totalmente nova, para o benefício de todos nós.
Segundo o comitê, esta premiação se encaixa perfeitamente no espírito de Alfred Nobel, que criou o prêmio para estimular invenções que trazem grandes benefícios para a humanidade.

Fontes
http://www.popsci.com/article/technology/why-blue-led-worth-nobel-prize?src=SOC&dom=fb
http://www.kva.se/en/pressroom/Press-releases-2014/the-nobel-prize-in-physics-2014/
http://www.acessa.com/pelobrasil/arquivo/noticias/2014/06/28-comercializacao-de-lampadas-incandescentes-de-60-watts-sera-proibida/
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O mistério das pedras que se movem sozinhas

No Parque Nacional do Vale da Morte (Death Valey), na Califórnia (EUA), há muito tempo ocorre um fenômeno que intriga os observadores. Pedras são vistas em posições diferentes ao longo dos meses, deixando no chão rastros de seus deslocamentos (foto). Até bem pouco tempo não se sabia exatamente com certeza qual a melhor explicação para o que ocorria.
Este, assim como qualquer outro fenômeno ainda não entendido totalmente pela Ciência, tornou-se desse modo um prato cheio para revistas e sites que tratam destes mistérios. Vejam algumas passagens que tirei de um destes sites:

1) "Por mais avançado que esteja o conhecimento humano, ainda assim não é suficiente para desvendar os mistérios que rodam nosso mundo, pois muitos deles podem vir do espaço, do além e até de outra dimensão!"
2) "[...] um mistério intriga cientistas e geólogos: sobre a lama seca do solo amontoam-se grandes blocos de pedra de mais de uma tonelada de peso cada, e de modo fantástico, se movem sozinhas.[...]
3) "Pedras de tamanhos variados são encontradas a distâncias de até milhares de metros de sua posição original deixando rastros de extensão e direção variados, sem evidência alguma de intervenção humana ou animal."

Comentários meus:
1) ...blocos de pedra de mais de uma tonelada! Com certeza houve um exagero aí. Para mim, esta é uma estratégia para  fazer com que os leitores se impressionem, e sejam induzidos a imaginar que intensas "forças ocultas do além" estariam agindo sobre as pedras.
2) milhares de metros? Vamos comparar com este outro artigo do G1 sobre o mesmo assunto, só que um pouco menos tendencioso:
"[...] Uma vez no leito seco do lago, elas se movem – algumas “viajaram” por até 450 metros."
Bom..."por até 450 metros" é bem diferente de "até milhares de metros", não acham?

Sabemos que algumas pessoas quando querem convencer outras de algo, têm mesmo uma tendência de aumentar um pouco os números e dimensões das coisas, para tornar as histórias mais atraentes. Na minha cidade, Piracicaba, por exemplo, que é cortada por um grande rio do mesmo nome da cidade, são muito conhecidas as histórias contadas por pescadores, que exageram sobre o tamanho dos peixes que pescam.

Em outro site, vejam o que li:
1) "Sempre existe uma teoria nova procurando explicar a causa. Uns dizem que é a força dos ventos! Outros afirmam que são forças magnéticas."
2) "De acordo com outra teoria, acredita-se que em certas circunstâncias, uma fina película de gelo forma-se sobre a superfície da praia e assim, fica mais fácil acreditar na força do vento. Porém, alguns cientistas fizeram experimentos neste sentido e puderam comprovar que esta hipótese também é falsa." 

Comentários meus:

As duas afirmações sugerem que a melhor das hipóteses, que na verdade já era considerada pelos cientistas como a mais provável, por não ter sido comprovada "por alguns cientistas" devesse, por isso, ser totalmente descartada, e no entanto, o que sabemos é que uma hipótese pode ser revista e aprimorada, e de fato, como poderão ver a seguir, foi o que fez uma equipe de pesquisadores, adotando métodos de medidas mais precisas, desvendando definitivamente mais este antigo mistério.

Desvendado o mistério
As causas das trilhas gravadas pelas rochas na superfície de lama quase plana e seca do Vale da Morte, têm sido especuladas desde os anos 1940. O movimento das rochas ainda não tinha sido previamente observado em ação. Recentemente, uma equipe de pesquisadores gravou pela primeira vez os movimentos usando GPS e fotografia. Veja uma foto de uma das pedras que se movimentou durante a pesquisa, contendo um aparelho de GPS com bateria instalados na parte de cima.
Aparelho de GPS instalado em uma rocha que se movimentou. fonte: [1]
Os movimentos das rochas foram observados entre dezembro de 2013 e janeiro de 2014. Em contraste com as hipóteses anteriores de ventos fortes ou grossas camadas de gelo flutuante na superfície, o processo de movimento das rochas observado ocorreu quando o fino (3 a 6 mm) "vidro" de camada de gelo que cobre o solo começou a derreter no sol e no final da manhã se rompeu sob ventos fracos com velocidade de aproximadamente 4 a 5 m/s. As placas de gelo flutuante empurraram várias rochas a baixas velocidades de 2 a 5 m/min, ao longo de trajetórias determinadas pela direção e velocidade do vento, bem como a da água que flui sob o gelo. Esta ampla pesquisa foi publicada recentemente com detalhes, em 27 de agosto de 2014, no site Plos One.

Veja agora uma sequência de fotos, obtidas em 9 de janeiro de 2014. A imagem à esquerda mostra uma visão mais ampla do local. O interior da moldura preta indica o ponto que foi ampliado nos outros quadros. As setas azuis indicam rochas estacionárias e a seta vermelha uma rocha em movimento (da esquerda para a direita). O movimento total durou cerca de 18 segundos. As partes da superfície mais escuras, nas áreas planas da lagoa formada, são placas de gelo de aproximadamente 3 milímetros de espessura, cercadas por água ondulada de vários centímetros de profundidade.
Fotos de uma pedra se movimentando. (clique para ampliar). Fonte: [1]

Achei muito bom que os cientistas resolveram por fim a este mistério, desenvolvendo métodos de medidas muito precisas, acabando de uma vez com as dúvidas que podiam antes ser usadas como exemplos para tentar insinuar a existência de "forças ocultas". Ainda há muitos mistérios para que algumas revistas do gênero continuem explorando a necessidade fantasiosa das pessoas. Na verdade, é certo que este tipo de assunto causa grande interesse no grande público, ávido por imaginar que existem mesmo coisas inexplicáveis vindas do além.

Fontes
[1]http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0105948
[2]http://g1.globo.com/turismo-e-viagem/noticia/2013/05/pedras-que-andam-e-deixam-rastro-intrigam-turistas-em-vale-dos-eua.html
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Problemas ambientais na produção do álcool: uma aula diferente

Esta semana eu estive acompanhando uma turma de alunos da 1ª série do ensino médio (foto), em um passeio muito instrutivo, no qual aprendemos na prática alguns dos problemas ambientais que surgem devido à adoção de uma monocultura, como a da cana-de-açúcar, muito comum na região de Piracicaba, para a produção de etanol.
Este tipo de aula campal é promovida por estudantes da ESALQ-USP, através de um projeto de extensão universitária, chamado PONTE (clique aqui se quiser conhecer melhor o projeto), e é de grande valia para o melhor entendimento de várias questões relacionadas ao meio ambiente. Fiquei impressionado em ver como os alunos se interessaram pelas atividades, que são bem desenvolvidas, e fazem com que eles participem bastante com perguntas, questionamentos e reflexões.

Erosão
Um dos maiores problemas que surgem quando substituímos as florestas nativas por grandes áreas de canaviais é a erosão, provocada pela exposição direta do solo, que se torna compactado, dificultando a infiltração e retenção da água, que escorre então pela superfície, arrastando a terra e os nutrientes, formando valetas na direção das partes mais baixas do terreno.

Um exemplo bem claro desta situação foi mostrado a nós (foto), no qual o relevo inclinado do terreno fez com que surgisse uma voçoroca, uma grande vala por onde a água das chuvas vai arrastando a terra, provocando outro fenômeno preocupante chamado de assoreamento. Descemos então, beirando a voçoroca, para olharmos e entendermos melhor este fenômeno.

Assoreamento
O assoreamento ocorre quando os leitos dos rios e nascentes vão se enchendo de terras, vindas das partes mais acima, arrastadas pelas corredeiras. Neste caso, os monitores mostraram a nós um exemplo claro deste processo. Os donos daquela propriedade tentam atualmente diminuir os efeitos adversos com o replantio de árvores nas regiões por onde as águas correm, e onde situam-se nascentes que formarão os rios. Estas áreas são protegidas por lei e são conhecidas como Áreas de Preservação Permanente (APP).
Do lado direito vemos a parte mais baixa do terreno por onde a água corre e forma um riacho em dias de chuva. As árvores foram plantadas para tentarem diminuir o problema, mantendo as áreas de preservação.

Depois da visita ao canavial, fomos para os laboratórios da universidade para entendermos como o álcool é produzido, pela fermentação e destilação, através de um experimento simplesusando uma fonte de calor, uma mangueirinha e recipientes de vidro (foto).
Álcool: a solução?
Muita gente pode ter a impressão de que com a substituição de um combustível fóssil, no caso, a gasolina, por outro que utiliza fonte renovável, como o álcool, os nossos problemas estariam solucionados, mas na verdade, os impactos causados pela cultura da cana, e também pela produção do etanol não são pequenos. Ouvi um dos monitores explicando que, da mistura fermentada de cana, depois da destilação, apenas uma pequena porcentagem é convertida em álcool. O produto que sobra, que eles chamam de vinhaça, pode ser usado como adubo na própria plantação de cana, mas pode se tornar um problema, já que se há um excesso, pelo que entendi, não há ainda muitas opções de aproveitamento de todo este subproduto, que deve então ser descartado, mas em que local?
Além disso, não haveria como suprir a demanda de etanol, caso todo mundo deixasse de usar a gasolina ou o diesel. Não haveria área suficiente de plantio de cana, e mesmo que isso fosse possível, os efeitos desta monocultura, relatados aqui, seriam agravados ainda mais com o tempo.

Qual a solução?
Levando em consideração que os motores dos carros à combustão são muito pouco eficientes, assunto que eu já tratei aqui neste mesmo blog, eu penso que a melhor solução seria que todos se conscientizassem da necessidade de reduzir de qualquer modo o consumo de combustíveis, pois a continuar neste ritmo, fatalmente chegaremos a uma situação ainda mais dramática. Espero que a indústria automobilística aprimore as tecnologias com sistemas de propulsão mais eficientes, como a elétrica, por exemplo, ou até mesmo solar, que eu também já exemplifiquei neste post do blog. 
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É perigoso usar plásticos no micro-ondas?

Outro dia, durante o intervalo de aulas na minha escola, uma das professoras, ao preparar um chá, resolveu usar o micro-ondas para esquentar água em um copinho de plástico, destes mesmos descartáveis que usamos para tomar água no bebedouro. No mesmo instante, outra professora alertou a nossa colega, dizendo que o plástico, ao ser aquecido, libera toxinas na água. Eu fiquei curioso e resolvi então fazer uma pesquisa sobre o assunto aqui na Internet, para ver do que se tratava, e cheguei a alguns sites que me ajudaram a entender melhor esta questão. 
Em um deles, uma nutricionista informa que a maioria dos plásticos contém em sua composição uma substância química maleável chamada Bisfemol A, ou BPA. Segundo ela, ao ser esquentado, o plástico libera uma pequena quantidade desta substância no alimento ou líquido que estamos aquecendo, e ao fígado cabe o papel de identificá-la e excretá-la, mas parte dela pode ficar acumulada no nosso organismo. Procurei então buscar mais informações sobre o BPA, e vejam o trecho que destaco no site da wikipedia:

"Bisfenol A ou BPA é um difenol, utilizado na produção do policarbonato de bisfenol A, o policarbonato mais comum, e de outros plásticos. A substância é proibida em países como Canadá, Dinamarca e Costa Rica, bem como em alguns Estados norte-americanos, mas no Brasil era utilizada na produção de garrafas plásticas, mamadeiras, copos para bebês e produtos de plástico variados, sendo proibida apenas ao final de 2011, com prazo até ao final de 2012 para a retirada do produto das prateleiras e estoques."

Nesta mesma página da Wikipedia, quase que por acaso, vi lá no rodapé um link de um artigo da Folha de São Paulo informando que a cidade onde moro (Piracicaba) foi a primeira no Brasil a proibir o uso do BPA. E eu nem sabia disso até então.

Em um outro artigo do site da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), é usado um tom um pouco mais moderado. Vejam um trecho do artigo:

"Em 2010 a OMS realizou uma reunião com especialistas de vários países para discutir o assunto e a conclusão do relatório destaca os seguintes pontos: para muitos dos desfechos estudados a exposição ao BPA é muito inferior aos níveis que causariam preocupações, não incorrendo em problemas de saúde; estudos de toxicidade sobre desenvolvimento e sobre reprodução, nos quais são avaliados os desfechos convencionais, somente apresentam problemas em doses elevadas, quando apresentam; alguns poucos estudos mostraram associação de desfechos emergentes (como desenvolvimento neurológico específico ao sexo, ansiedade, mudanças pré-neoplásicas nas glândulas mamárias e próstata de ratos e parâmetros visuais do esperma) com doses mais baixas de BPA. Segundo os especialistas, devido à considerável incerteza relacionada com a validade e relevância destas observações referentes a baixas doses de BPA seria prematuro afirmar que estas avaliações fornecem uma estimativa realista do risco à saúde humana. No entanto, estes resultados devem orientar estudos a fim de reduzir as incertezas existentes.
Por precaução, alguns países, inclusive o Brasil, optaram por proibir a importação e fabricação de mamadeiras que contenham Bisfenol A, considerando a maior exposição e susceptibilidade dos indivíduos usuários deste produto. Esta proibição está vigente desde janeiro de 2012 e foi feita por meio da Resolução RDC n. 41/2011. Assim, mamadeiras em policarbonato não podem ser comercializadas no Brasil."


Alguns nutricionistas recomendam que as pessoas procurem evitar os plásticos no uso como recipientes para esquentar comidas ou líquidos, dando preferência aos recipientes de vidro, ou procurando usar somente plásticos que não tenham em suas composições o BPA, e há até um selo que eu imaginei que fosse padronizado, que é este que eu reproduzi na figura. Lá fui eu então procurar na minha cozinha alguns potinhos de plástico. Encontrei dois pratos usados por crianças, pelo fato de serem mais seguros do que os de vidro, caso ocorra uma queda no chão. Procurei pelo tal selo informado, mas infelizmente não achei em nenhum deles. No entanto, minha busca fez com que eu me deparasse com alguns símbolos diversos, tais como os que mostro a seguir:
Em alguns dos potinhos e pratos que encontrei em casa havia estes símbolos, indicando que o produto poderia ser usado em micro-ondas. Não me perguntem quem ou que órgão estaria fiscalizando, com eficiência, se realmente estes produtos estariam livres do BPA. Pelo que vi, muitos recipientes plásticos não apresentavam nenhum símbolo destes, o que me leva a pensar que não seriam indicados para serem usados no aquecimento de alimentos. Será que a maioria das pessoas sabe disso? Acho que não. Eu mesmo, antes de 2012, já havia usado várias vezes o micro-ondas para aquecer leite nas mamadeiras de plástico de minha filha.
Vou colocar aqui algumas fotos que eu tirei, para entendermos um pouco melhor.
No caso deste prato de plástico, identifiquei no verso o fabricante do produto: PLÁSTICOS RAINHA. No mesmo local, havia a informação de que a fábrica fica localizada na cidade de Pedreira-SP-Brasil, e havia também outros dois símbolos: o mais comum que encontrei em quase todos os produtos de plástico que verifiquei é o símbolo de reciclagem, dizendo tratar-se de polipropileno (PP), um triângulo com flechinhas e o número 5 dentro. O outro símbolo, com o desenho de uma tacinha ao lado de um garfo (terceira foto), indica que o produto pode ser usado sem problemas para se fazer refeições.

Tendo em vista a legislação brasileira que informei anteriormente através do trecho do site da ANVISA, e que vigora desde janeiro de 2012, suponho que este prato, mesmo sem os símbolos adequados, já não tivesse sido fabricado contendo o BPA.

Por via das dúvidas, pesquisei e achei o site do fabricante, mas infelizmente não vi lá nenhuma nota sobre os vários tipos de produtos de plástico que eles fabricam, e se são adequados ou não para aquecimento em micro-ondas. Havia apenas um link de contato, mas não me dispus a enviar minhas dúvidas sobre o assunto. Fiquei com a sensação de que talvez tenhamos ainda muito que caminhar para estabelecermos uma maneira um pouco mais simples de passar diretamente ao consumidor as informações necessárias através de um símbolo padronizado.

Vejam agora este outro caso de um pratinho (foto) que veio de brinde em uma caixa de cereais que comprei há um tempo para minha filha. O fundo estava meio apagado, mas com o auxílio de uma lupa pude ver que além do símbolo que dizia que o produto poderia ser usado para refeições, havia ao lado o símbolo de um micro-ondas, parecido com um dos que eu mostrei anteriormente. É possível ver na segunda foto, ao lado da figura com a tacinha e o garfo,  abaixo do símbolo do micro-ondas, a indicação da potência máxima a que o pratinho pode ser exposto, que no caso é de 1000 W.

Vejam o caso de um recipiente destes com tampas, que as pessoas usam para guardar alimentos. O primeiro símbolo a partir da esquerda é de um micro-ondas, e o seguinte diz que o produto pode ser usado também no congelador.
Finalmente, para tentar esclarecer-me da melhor forma possível sobre a afirmação da professora a respeito dos problemas que poderiam ser causados, caso sua colega tivesse usado a água esquentada no copinho de plástico, encontrei uma embalagem deles e obtive informações, tanto na embalagem como no próprio copo. Vejam:
A informação da embalagem diz:
Material poliestireno não tóxico - Temperatura máxima de uso 100ºC. O que eles estão querendo dizer neste caso é que se o copinho atingir temperaturas maiores do que 100ºC ele derrete. Suponho que estes copos não contenham o BPA, caso contrário, penso que realmente qualquer um deve evitar usá-los para esquentar água. Não creio que possamos confiar plenamente nos órgãos brasileiros responsáveis pela fiscalização constante dos produtos e processos usados na produção dos recipientes de plástico usados por nós para esquentar alimentos. Na dúvida, é melhor optar por usar copos de vidro ou xícaras de cerâmica esmaltada. No caso dos plásticos, a liberação de toxinas pode ser em doses pequenas, mas quem garante que o acúmulo delas, ao longo de anos de práticas repetidas não possa causar algum problema para nós no futuro?

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bisfenol_A 
http://www.tecmundo.com.br/eletrodomesticos/10978-mitos-e-verdades-sobre-o-micro-ondas.htm
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