O supercomputador Tupã e as tragédias nas regiões serranas do Brasil

No final de 2010, no dia 28 de Dezembro, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) inaugurou o Tupã (foto), um supercomputador encarregado, dentre outras tarefas, de agilizar e refinar os cálculos meteorológicos no nosso país, a fim de elaborar o mais rapidamente possível uma previsão mais exata dos locais de formação de tempestades, bem como do grau de intensidade das chuvas associadas a estes temporais.
Após a atual fase inicial de testes pela qual ele está passando, espera-se que a partir do final de 2011 o sistema já esteja contribuindo mais efetivamente para que se possa evitar, ou pelo menos amenizar, os terríveis efeitos de tragédias como as que ocorreram na região serrana do Rio de Janeiro, e também as que têm causado grandes perdas humanas e materiais em outras localidades do Brasil ao longo dos anos.

Deus?
O nome Tupã, dado ao equipamento, faz referência à mitologia indígena brasileira, mas ao contrário do que muitos meios de informação divulgaram, lendo aqui percebemos que Tupã não representa um deus de fato. Originalmente, na língua tupi-guarani, esta palavra significa trovão, e estaria relacionada ao som provocado por um deus indígena, provavelmente em um momento de ira.

Velocidade
A velocidade de processamento dos computadores pode ser medida em flops, floating point operations per second (operações de ponto-flutuante por segundo), mas quando ela é muito alta, é comum o uso de prefixos, simbolizando múltiplos de flops. Veja na tabela:

Os mais utilizados são:
Megaflops (Mflops)
Gigaflops (Gflops) 
Teraflops (Tflops) 
Petaflops (Pflops).


A Máquina
O Tupã é na verdade um equipamento Cray XT6, produzido pelos EUA, e comprado pelo Brasil por R$ 50 milhões, através de financiamento feito conjuntamente pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, e pela FAPESP.
O sistema é capaz de trabalhar com velocidade de até 258 TflopsPara efeito de comparação, um bom computador caseiro opera com pouco mais de 100 Gflops. A velocidade do Tupã, portanto, é 2.580 vezes maior do que as máquinas domésticas.

Ranking mundial
De acordo com a mais recente lista, divulgada em novembro de 2010, do Top 500 da Supercomputação, que relaciona os equipamentos mais rápidos do mundo, o Tupã ocupa a 29ª posição. Essa é a mais alta colocação já alcançada por uma máquina instalada no Brasil.
Veja abaixo a tabela que adaptei a partir da original. Selecionei apenas os dois primeiros do ranking, e o nosso Tupã. Na última coluna pode-se ver a velocidade de pico do chinês Tianhe-1A, atualmente o supercomputador mais rápido do mundo, que pode operar a uma velocidade de pico de 4701 Tflops, cerca de 20 vezes a velocidade da máquina instalada no Brasil.

Esperança
Espero sinceramente que as previsões meteorológicas no Brasil melhorem realmente a partir do incremento de novas tecnologias como esta, mas devemos lembrar também que tais medidas, se forem tomadas isoladamente, sem concomitantes práticas de regulamentação das ocupações em áreas de risco, não terão os resultados desejados.

Outro ponto a ser ressaltado é que deveríamos seguir uma política de maior estímulo ao Programa Espacial Brasileiro, para que sejam desenvolvidos satélites no país, e aumentem os incentivos para que possamos em breve lançar nossos próprios foguetes transportando estes satélites.
Tomara que a visita ao INPE, feita pelo Ministro da Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante, no dia 10 de Janeiro de 2011, a primeira desde que assumiu a pasta, seja um sintoma de que o atual governo esteja pretendendo intensificar cada vez mais o apoio a estas áreas estratégicas, a fim de que tentemos diminuir as catástrofes, consequência de tantos anos de descaso nestes setores da ciência e tecnologia.
Talvez assim não tenhamos que presenciar mais, nas épocas de chuvas, tantas cenas lamentáveis, tais como as que temos visto recentemente em nosso país.

Fontes:
http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2010/11/supercomputador-instalado-no-brasil-e-o-29-mais-poderoso-do-mundo.html




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5 comentários:

  1. Olá, amigo Jairo!
    Computadores não agem só (ainda por enquanto, não!), é preciso que alguém dotado de um supercomputador biológico (nós) façamos os mesmos trabalharem. A máquina... nós já possuímos, agora é preciso comandá-la através de softs específicos para a sua função, para que tenhamos os objetivos alcançados. Alguém poderá dizer que comparativamente com outros supercomputadores mundiais, o Tupã é lento, mas, com o meu algoritmo eu vou dar um jeito nisso!
    KKKKKKKKKK!
    Um abraço!!!!!

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  2. Fiquei sabendo que o prefeito de Nova Friburgo cancelou contratos com 16 empresas metereológicas que prestavam serviços à sua administração e viu no que deu? Chorou depois que o leite derramou? Deveria ser cassado por essa e mais outras, já que dois anos atrás saiu uma resolução no tribunal para que ele desocupasse as encostas. O Tupã vem a calhar, vai fazer o trabalho que os profissionais não conseguiram fazer por "proibição" - Esse tupã parece um fiscal metereológico, por assim dizer! (rs*) Bom fim de semana!

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  3. Luma:

    Agradeço por informar sobre estas demonstrações absurdas de incompetência administrativa. Eu não tinha conhecimento delas.
    Algumas notícias que tenho visto, dão conta do debate que deveria ser intensificado no Brasil, sobre qual seria o grau de responsabilidade dos governantes nestas tragédias.
    Neste caso que você citou, para mim está claro que este prefeito deveria, no mínimo, perder o mandato.

    Quando ocorre um acidente destes, os governantes (ir)responsáveis sempre procuram imediatamente culpar a implacável e imprevisível força devastadora da natureza, e reforçam muito o caráter imprevisível. É comum ouvirmos coisas do tipo:

    - Ninguém poderia prever que num intervalo tão curto de tempo, chovesse todo o volume médio histórico esperado para um mês inteiro.

    No quê estes incrementos em busca da melhoria nas previsões meteorológicas, como no caso da compra do Tupã, podem contribuir para a produção de provas suficientes para que pudéssemos incriminar estas pessoas?

    Admito que talvez eu esteja sendo muito otimista, mas acredito que a partir do momento que estas chuvas se tornarem cada vez mais previsíveis, e com suficiente antecedência, os responsáveis não terão mais desculpas para tentarem nos convencer de que não poderiam ter avisado a tempo as pessoas nas áreas de risco.



    Obrigado pela visita e pelo comentário.



    Abraço

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  4. Petaflops à parte, o pior de tudo é que o Brasil dispõe de poucos pontos de telemetria (coleta de dados), e sem dados, a evolução das probabilidades fica prejudicada, ainda mais sabendo que geometria não euclidiana, fractais, etc, estão pesadamente envolvidas na climatologia. Mais ou menos isso professor?

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  5. Olá, O Coisa:
    Você tem toda razão. O Tupã só vai aumentar a velocidade de processamento das informações e cálculos de previsão, o que é muito importante, mas com certeza precisaremos aumentar também a velocidade e a quantidade de captações dos dados pontuais de temperatura, pressão, umidade relativa, etc. A formação de nuvens, por exemplo, com certeza não obedece a geometria euclidiana, mas sim a dos fractais, e por causa disto, exigem modelos bastante complexos de determinações probabilísticas. Trabalha-se então neste caso, buscando-se uma máxima aproximação estatística. Provavelmente, o Tupã vai ajudar muito nestas tarefas, mas como já disse, ele precisará de dados, os mais numerosos e confiáveis possíveis.

    Abraço, e obrigado pela visita e comentário.

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